Banco do Canadá sobe juros a 2,5% pela primeira vez desde julho de 2023

Banco do Canadá eleva a taxa a 2,5%, o 1º aumento desde 2023, com inflação rumo a 3,5% e PIB projetado em 1% em 2026.
Ilustração: Atlantic Ambience (Pexels)
O Banco do Canadá elevou a taxa básica de juros em 25 pontos-base, a 2,5%, na decisão anunciada em Ottawa em 28 de outubro de 2026. Foi o primeiro aumento desde julho de 2023, segundo a declaração de abertura do governador Tiff Macklem e da vice-governadora sênior Carolyn Rogers na coletiva que acompanhou o Monetary Policy Report.
A autoridade apontou deterioração da perspectiva de inflação, com preços globais do petróleo mais altos e mais persistentes diante da guerra no Oriente Médio, e uma recuperação do crescimento canadense um pouco mais firme, mesmo sob ações comerciais dos Estados Unidos. O Conselho de Governo concluiu que o risco de a energia contaminar a inflação geral aumentou.
O que aconteceu
Macklem e Rogers situaram a alta na combinação de dois movimentos desde o relatório de julho. De um lado, a expectativa de inflação piorou: o conflito no Oriente Médio mantém o petróleo elevado, o que pressiona o posto de gasolina e os custos de muitas empresas. De outro, a atividade doméstica melhorou de forma modesta. O produto interno bruto avançou 3,3% no segundo trimestre, e indicadores recentes apontavam crescimento em torno de 2% no terceiro. Consumo se manteve sólido, o investimento empresarial reagiu — em petróleo e gás e em máquinas e equipamentos — e as exportações, no agregado, ganharam força com demanda americana, maior produção energética e sinais de adaptação ao novo ambiente comercial, apesar da fraqueza em setores atingidos por tarifas dos Estados Unidos.
A taxa de desemprego ficou perto de 6,5% por vários meses, e indicadores sugerem alguma capacidade ociosa. O banco projeta crescimento do PIB de 1% em 2026 e cerca de 2% em 2027 e 2028, cenário um pouco mais forte que o de julho. No curto prazo, a atividade deve desacelerar no quarto trimestre sob o peso de novas tarifas americanas, antes de voltar a acelerar em 2027.
Sobre preços, a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor ficou perto de 3% desde abril e deve subir a cerca de 3,5% até o fim do ano. A projeção é de inflação em 3% ou acima durante boa parte de 2027, aproximando-se da meta de 2% só no meio de 2028. Expectativas de curto prazo de famílias e empresas subiram; as de prazo mais longo seguem ancoradas. O índice sem gasolina ainda está em 2,2%, e medidas de núcleo próximas de 2%, o que alimentou o argumento a favor de manter a taxa. O argumento da alta, vencedor no conselho, foi a persistência da energia, o aumento de insumos industriais e eletrônicos importados e a chance crescente de repasse aos preços ao consumidor conforme a economia recupera.
O Conselho de Governo ponderou manter ou elevar a taxa e optou pelo aperto. Com inflação elevada por mais tempo e economia resiliente, há menos espaço para acomodação monetária. Decisões futuras serão tomadas reunião a reunião: pode ser necessário subir de novo, mas a incerteza recomenda cautela. Persistência do conflito no Oriente Médio, relações comerciais Canadá–Estados Unidos e o grau em que custos energéticos se espalham pelos preços ao consumidor seguem abertos.
O que isso pode mudar
Se a trajetória do relatório se confirmar, o ciclo de juros canadense pode ter virado de página após mais de três anos sem alta, com famílias e empresas recalibrando o custo do crédito sob energia cara e um quarto trimestre ainda pressionado. A mensagem de decisões uma a uma sugere que novos apertos não estão pré-anunciados, mas também que a barra para novas altas baixou se o petróleo e o repasse de custos persistirem.
Para a política de preços, a ênfase no risco de generalização da inflação energética indica que a meta de 2% no meio de 2028 depende tanto do Oriente Médio e das tarifas quanto da contenção das expectativas de curto prazo. Num quadro fluido, a alta a 2,5% funciona como sinal de vigilância, não como ponto final do ciclo.
Fontes: BIS Speeches
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