Bolsa

Cloudflare obtém certificação ISMS da Coreia do Sul após auditoria de 80 controles

Cloudflare obtém certificação ISMS da Coreia do Sul após auditoria de 80 controles

Após auditoria da KISA sobre 80 controles, a Cloudflare conquista o ISMS sul-coreano e adapta consentimento e cadastro social na borda.

Foto: Nothing Ahead (Pexels)

A Cloudflare obteve a certificação sul-coreana de Sistema de Gestão de Segurança da Informação (ISMS, na sigla em inglês), no âmbito do marco ISMS-P, após auditoria que percorreu 80 controles. Por dez dias, auditores indicados pela Agência de Internet e Segurança da Coreia (KISA) trabalharam com a empresa sediada nos Estados Unidos, que opera uma rede global com usuários na Coreia do Sul.

Para clientes no país, o selo vai além de um carimbo de conformidade. Segundo o blog da companhia, a avaliação verificou não só a existência dos controles, mas como eles operam sob a lei sul-coreana, no idioma local e diante das expectativas dos reguladores.

O que aconteceu

O resultado mais visível está na página de criação de conta. Em grande parte do mundo, um único texto agrupa termos de uso, privacidade e cookies. Na experiência sul-coreana — acionada pelo país escolhido no cadastro e pela geolocalização por endereço IP a partir da Coreia do Sul — o consentimento se divide em quatro itens rotulados, cada um com link para o texto completo e marcação de obrigatório ou opcional, além da opção de aceitar todos de uma vez.

Três itens são obrigatórios e bloqueiam o cadastro até serem marcados. O quarto, opcional, cobre apenas marketing e não impede a abertura da conta se ficar desmarcado. O desafio maior estava nos caminhos com Google, Apple ou GitHub, que autenticam fora do formulário da Cloudflare e nunca exibem esses consentimentos.

A empresa optou por não oferecer cadastro social na Coreia do Sul, para que toda conta local passe pelo formulário próprio. A geolocalização por IP define o formulário padrão, mas a seleção de país no cadastro prevalece — distinção destacada para não presumir residência só pelo endereço de rede.

O ISMS cobre política de segurança, controle de acesso, autenticação, criptografia, resposta a incidentes, gestão de risco e recuperação de desastres, à luz da Lei de Proteção de Informações Pessoais da Coreia. A certificação exige auditoria por profissional indicado pela KISA, órgão ligado ao Ministério da Ciência e das TIC, e revisão de comitê especial. Vale por três anos, com auditoria anual. A Cloudflare já possui certificados como ISO/IEC 27001 e 27701; o ISMS não os substitui, mas localiza os mesmos princípios às exigências sul-coreanas.

Os auditores pediram diagramas de fluxo de dados — e não apenas narrativas — sobre acesso a informações pessoais, e examinaram a redação do consentimento no cadastro. A preparação durou cerca de um ano e meio, em parte porque o ciclo cobre um período anual e a evidência precisou ser refeita ao atravessar dois anos de auditoria. O certificado, detido pela Cloudflare, Inc., descreve um perímetro de serviço (organização, infraestrutura e ativos/fluxos de dados), sem lista nominada de produtos: a cobertura segue o caminho de entrega pela plataforma certificada.

O que isso pode mudar

Para organizações que operam na Coreia do Sul, o selo pode reforçar revisões de risco de terceiros e avaliações próprias de conformidade, ao lado de padrões globais como ISO/IEC 27001 e SOC 2. Em tese, times jurídicos, de segurança e de compras passam a ter um referencial local verificável no registro público da KISA.

A lógica de cobertura por perímetro, e não por catálogo de produtos, pode exigir adaptação nas perguntas habituais de procurement — a dúvida sobre se um produto está no escopo tenderia a ser respondida pelo caminho de entrega. Em escala multinacional, a certificação também pode sinalizar que programas globais de segurança precisam incorporar idioma, consentimento e proteção de dados locais no comportamento do produto, e não só em documentos de política.

Fontes: Cloudflare Blog — Localizing compliance at scale: achieving South Korea’s ISMS certification

Leia mais em: mundodosnegocio.com.br