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Coluna da Folha mapeia rearranjo do centrão e riscos econômicos após o 2º turno

Coluna da Folha mapeia rearranjo do centrão e riscos econômicos após o 2º turno

Adriana Fernandes, na Folha, analisa o dia seguinte às urnas: aceleração do centrão, PECs no Congresso e desafios fiscais e ambientais em 2027, com Lula ou Flávio.

Ilustração: Rô Acunha (Pexels)

Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, a colunista Adriana Fernandes, da Folha de S.Paulo, desenha o cenário político e econômico que se abre logo após o anúncio do resultado das urnas, previsto para domingo (25). Seja com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou de Flávio Bolsonaro (PL), a reorganização do centrão tende a ganhar velocidade — e o movimento seria ainda mais incisivo, segundo a análise, se os Bolsonaros voltarem ao Palácio do Planalto.

O texto, publicado nesta sexta-feira (23) na seção Mercado, trata do rearranjo de forças no Congresso, de matérias que podem avançar em novembro e dezembro e dos desafios fiscais e ambientais que o vencedor encontraria em 2027. Não há, na coluna, previsão de desfecho eleitoral: o foco é o dia seguinte ao veredito das urnas.

Em Brasília, o descolamento e o rearranjo dessas forças políticas já estariam em curso e, na avaliação da jornalista, devem se acelerar nas próximas horas.

O que aconteceu

Fernandes sustenta que o centrão precisará se organizar para ainda ter mando num cenário bolsonarista e limitar o poder do clã. Se Lula vencer, a adaptação seria igualmente importante para ajudar a conter o PL de Bolsonaro.

O grupo poderá votar uma série de matérias importantes em novembro e dezembro, a começar pela PEC do fim da reeleição. O governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e o Progressistas (PP) querem a proposta. Outros grupos políticos, inclusive alguns da esquerda, não se oporiam, a depender do texto, segundo a coluna.

As conversas já estariam avançadas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Os parlamentares poderão votar uma PEC com mudanças para a escolha do Supremo Tribunal Federal (STF), do tipo limitar a idade mínima e o mandato. Poderá ser aprovada a indicação de Lula para o STF — novamente Rodrigo Pacheco estaria cotado — e o presidente indicaria outro nome para o Tribunal de Contas da União (TCU).

No plano econômico, a colunista afirma que os desafios de 2027 serão grandes. Lula, segundo ela, "abusou de bondades" com custo para o próximo ano e, se eleito, enfrentaria uma "pauleira". Flávio, por sua vez, teria feito promessas demais, que não caberiam no figurino de responsável fiscal que vendeu.

Um dado novo destacado na coluna: em discurso no Pará, em plena Amazônia, Flávio afirmou que "o produtor vai fazer o que quiser com sua terra", ao prometer um programa de regularização fundiária e a revisão das restrições ambientais. Fernandes observa que a fala ocorre como se não existisse o Código Florestal, que exige 80% de preservação da vegetação nativa. Questiona se o candidato tentará "deletar" o Código no Congresso e alerta que isso seria "jogar gasolina no fogo" do protecionismo europeu contra as exportações, podendo inviabilizar o acordo União Europeia–Mercosul e outras agendas econômicas.

Na economia real, escreve, nem tudo se resolve com promessa de ajuste fiscal. Flávio ou Lula não teriam muito tempo para agir porque um "tsunami" varreu o Brasil na eleição. O "fantasma do Master", conclui, também não desapareceria facilmente.

Impacto na prática

O rearranjo do centrão e a pauta de PECs em novembro e dezembro podem alterar o ritmo de decisões no Congresso logo após o segundo turno, com efeitos sobre a composição de força entre Executivo e Legislativo. Em hipótese, um eleitorado que acompanhe a tramitação de regras sobre reeleição e indicação ao STF pode sentir mudanças no equilíbrio institucional já no curto prazo — sem garantia de aprovação ou de calendário fechado, pois a coluna fala em possibilidades.

No campo econômico e comercial, a leitura de Fernandes sugere que promessas de afrouxamento ambiental, se levadas ao Congresso, podem tensionar relações com a Europa e complicar agendas como o acordo UE–Mercosul. Em tese, exportadores e cadeias ligadas ao agro brasileiro poderiam enfrentar maior atrito comercial se o protecionismo europeu se intensificar — cenário tratado como risco, não como fato consumado.

Para 2027, a coluna aponta pressão fiscal independentemente do vencedor: custo de medidas já adotadas no caso de Lula, ou inconsistência entre promessas e discurso de austeridade no caso de Flávio. Em hipótese, o país pode entrar no próximo mandato com pouco espaço de manobra e com a herança política do pleito ainda aberta, incluindo o que a autora chama de fantasma do Master.

Com o domingo (25) à frente, o quadro descrito por Adriana Fernandes na Folha aponta menos para um alívio imediato e mais para uma aceleração do jogo político e econômico: o centrão em movimento, o Congresso com matérias pesadas na esteira e um vencedor que, segundo a análise, herdaria pouco tempo e muitos dilemas.

Fontes: Folha Mercado

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