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No debate da Globo, Lula e Flávio divergem sobre obras, salário e transporte

No debate da Globo, Lula e Flávio divergem sobre obras, salário e transporte

No último confronto antes do segundo turno, PT e PL priorizaram propostas de infraestrutura, salário mínimo e gratuidade no transporte, com menos acusações de corrupção.

Ilustração: Mikhail Nilov (Pexels)

O último debate das eleições de 2026, promovido pela TV Globo na noite desta sexta-feira, 23, a dois dias do segundo turno, colocou lado a lado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um confronto marcado, segundo a cobertura da Exame, pela discussão de propostas e pela disputa sobre a autoria de medidas já em vigor.

Diferentemente do primeiro embate, no domingo 18, os candidatos evitaram trocar acusações sobre casos de corrupção. Em linha com o Money Times, temas econômicos dominaram o primeiro bloco, em um clima descrito como de mais proposta e menos ataques pessoais.

O formato do bloco inicial favoreceu o confronto programático. Os candidatos tiveram de formular perguntas ligadas às cinco regiões do país, com foco em infraestrutura, salário mínimo, transporte público e desenvolvimento regional.

O que aconteceu

Na abertura dedicada à infraestrutura e às exportações, Flávio Bolsonaro criticou os investimentos do governo federal, afirmou que mais de 11 mil obras estão paralisadas e prometeu “rasgar” o Brasil de ferrovias caso seja eleito. Segundo o Money Times, o senador citou dados do Tribunal de Contas da União (TCU) ao questionar como ampliar a malha sem concluir projetos já iniciados — detalhe de atribuição que a Exame não destaca da mesma forma, embora confirme a crítica ao volume de obras paradas.

Lula defendeu os aportes de sua gestão em portos, rodovias, ferrovias e hidrovias e disse pretender concluir obras já iniciadas, como a Transnordestina. De acordo com a Exame, dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) apontam recordes de investimentos nos últimos anos, com previsão de aportes de R$ 300 bilhões em 2026.

O salário mínimo voltou ao centro quando o debate chegou à região Sudeste. Lula afirmou que o piso nacional seria de R$ 900 em São Paulo se não fossem os reajustes dos governos do PT e criticou as gestões de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) por terem deixado de conceder aumentos reais. A Exame registra que, no governo Bolsonaro, a política de reajuste não previa ganhos acima da inflação. Pela regra atual, o piso é corrigido pela inflação acrescida do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, o que permite aumentos reais quando há expansão econômica.

Flávio respondeu retomando o discurso de campanha de que o poder de compra dos brasileiros diminuiu e perguntou quando Lula havia ido ao supermercado pela última vez. O Money Times também destaca inflação e poder de compra entre os eixos do embate econômico da noite.

Os candidatos discutiram ainda a possibilidade de transporte público gratuito nos fins de semana. Questionado por Lula, Flávio disse ser favorável à gratuidade nos ônibus, mas associou a medida a aumento de impostos, gastos públicos e inflação. Afirmou que o trabalhador “merece sim ter um transporte gratuito”, porém criticou o que vê como contradição na política econômica do governo: “Você dá com uma mão e tira com a outra.”

Impacto na prática

As divergências sobre obras, piso salarial e gratuidade no transporte podem, em tese, influenciar a leitura do eleitorado sobre custo de vida, logística e capacidade de investimento público nos próximos anos. Quem depende de transporte coletivo pode acompanhar com atenção se propostas de gratuidade avançam ou se permanecem condicionadas a debates sobre arrecadação e inflação.

No plano dos negócios e da infraestrutura, a disputa sobre o ritmo das obras e sobre a autoria dos investimentos pode afetar expectativas de empresas e trabalhadores ligados a portos, ferrovias e rodovias — sem que isso garanta, por si só, mudança imediata de calendário ou de fluxo de caixa. Em hipótese, um país com forte agenda de exportações pode sentir reflexos se a continuidade ou a aceleração de projetos logísticos for priorizada ou revista após o segundo turno.

Com o pleito marcado para o fim de semana, o contraste entre legado e propostas apresentado na Globo tende a alimentar a disputa pelo voto útil e pela narrativa econômica até a urna, sem antecipar o resultado nem o desenho definitivo das políticas que eventualmente forem adotadas.

Fontes: Exame · Money Times

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