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Coluna na Folha diz que Renan Santos tem razão sobre o vazio do debate econômico

Coluna na Folha diz que Renan Santos tem razão sobre o vazio do debate econômico

Deborah Bizarria afirma que o ex-candidato do Missão acertou ao lamentar o baixo espaço das propostas a menos de uma semana do segundo turno.

Em coluna publicada nesta terça-feira (20) na Folha de S.Paulo, a economista Deborah Bizarria afirma que o ex-candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, tem razão ao lamentar o baixo espaço das propostas no debate político. Segundo o texto, a menos de uma semana do segundo turno das eleições de 2026, ainda não está claro como o próximo governo e o Congresso eleito enfrentarão os desafios econômicos do país.

Bizarria, economista pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), especialista em gestão pública no Insper e associada do Livres, diz que costuma discordar de Santos, mas que, neste ponto, ele “tem toda razão”. O argumento central é que candidatos e equipes tentam convencer o eleitor de que equilibrarão as contas públicas, embora uma agenda de crescimento, na avaliação da autora, exija ir além do fiscal.

O texto parte de declarações de Renan Santos em uma live, nas quais ele se classificou, com seu grupo, como “uns idiotas” ao comentar o fraco desempenho do Missão e questionou o tempo gasto com um livro de propostas.

O que aconteceu

Conforme a coluna, Santos afirmou em transmissão ao vivo: “Nós somos uns idiotas”. Ao apontar para seu livro de propostas, decretou que propor soluções para a coisa pública havia se tornado ultrapassado. Na avaliação do ex-candidato, o político atual existiria apenas para validar sua bolha. “Como é que a gente gastou nosso tempo?”, perguntou.

Bizarria retoma a provocação para sustentar que o país segue sem respostas concretas sobre produtividade, renda e apoio político para reformas. Elevação da produtividade, explica, significa gerar mais valor com os mesmos recursos. Se cada hora trabalhada gerar mais renda, torna-se possível, em tese, reduzir o custo de vida, encurtar a jornada e financiar políticas que reduzam desigualdades.

Para viabilizar esses ganhos, o governo eleito precisaria facilitar o acesso a insumos e tecnologias e melhorar a infraestrutura. Os investimentos deveriam ser escolhidos pelos benefícios à população e ter continuidade entre mandatos. Essas frentes, registra a coluna, integram estudo sobre produtividade do Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP).

Empresas mais eficientes precisam de espaço para crescer e conquistar mercados. Barreiras à entrada e proteções setoriais podem limitar essa expansão e manter capital e trabalho em atividades menos produtivas. Rever essas regras, escreve a autora, exige contrariar beneficiários, inclusive entre aliados. A renovação de incentivos deveria depender de ganhos de produtividade.

A coluna cita avaliação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de 2017, com poucos efeitos positivos nos programas examinados e muitos resultados inconclusivos. O apoio político de setores beneficiados, lembra Bizarria ao remeter a Gene Grossman e Elhanan Helpman, pesa nas decisões dos governantes. Na reforma tributária, a promessa de simplificação teria cedido espaço a exceções, incluindo redução de tributos para parques aquáticos.

Com ou sem maioria no Congresso, o próximo presidente precisará negociar escolhas e enfrentar interesses conflitantes. Parlamentares unidos na defesa de valores e na oposição a adversários podem se dividir sobre quais subsídios cortar ou quais investimentos priorizar. A autora também cita estudo de Raquel Fernández e Dani Rodrik: a incerteza sobre quem ganha e quem perde pode bloquear reformas que, depois de realizadas, teriam apoio. Qualificação, auxílio na busca de emprego e proteção da renda precisariam fazer parte da transição.

Bizarria fecha com o receio de que a influência nas redes continue só a reforçar lealdades e a poupar os eleitos do desgaste de contrariar a própria base. Um livro de propostas pode render poucos votos e uma coluna de análise, poucas visualizações. Ainda assim, governar e gerar prosperidade exigirão decisões difíceis. A autora diz achar que vale a pena seguir sendo “uma idiota que fala de propostas e evidências”.

Impacto na prática

O diagnóstico sugere que o vazio de propostas econômicas no fim da campanha pode afetar o cotidiano dos brasileiros. Sem definição clara sobre produtividade, infraestrutura e regras de mercado, decisões sobre custo de vida, jornada de trabalho e políticas de redução de desigualdades tendem a ficar adiadas ou diluídas em barganhas setoriais.

Em hipótese, um país que chegue ao segundo turno sem mapa concreto de reformas pode ver o próximo mandato preso a interesses conflitantes no Congresso, com risco de privilégios pontuais — como as exceções tributárias mencionadas — se sobreporem a ganhos coletivos. Trabalhadores e consumidores poderiam sentir o efeito em ganhos de renda mais lentos e em maior dificuldade de cobrar compromissos de transição.

Se a influência digital continuar, como teme a autora, a validar bolhas em vez de explicar escolhas difíceis, o debate público pode seguir distante das evidências e das decisões que, segundo a própria coluna, ainda serão necessárias para gerar prosperidade.

Fontes: Folha de S.Paulo — Renan Santos tem razão (Deborah Bizarria)

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