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Cúpulas Xi-Trump precisam deixar empresas com mais clareza, diz analista

Cúpulas Xi-Trump precisam deixar empresas com mais clareza, diz analista

Robin Hu diz no SCMP que cúpulas Xi-Trump até Shenzhen e Miami devem transformar engajamento em regras claras para empresas.

Ilustração: Ethan (Pexels)

A incerteza que ajuda governos a negociar pode deixar empresas sem poder agir — investir, mudar de rumo ou desistir. Em artigo de opinião publicado nesta quinta-feira (29) no South China Morning Post, Robin Hu, presidente emérito para a Ásia do Instituto Milken, argumenta que as cúpulas entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, precisam deixar as companhias com mais clareza, e não com menos.

Os líderes já se encontraram em Pequim e em Washington neste ano. A Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Shenzhen, em novembro, e o Grupo dos 20 (G20), em Miami, em dezembro, abrem mais duas chances. Quatro encontros entre as maiores economias do mundo geram expectativas — e o trabalho já iniciado lhes dá substância.

O que aconteceu

Segundo Hu, um fornecedor de peças aeronáuticas pode ter o material pronto e o cliente à espera e, ainda assim, não embarcar enquanto Washington retém a licença. Em Xangai, o Citi obteve aprovação para montar um negócio de valores mobiliários após anos de espera. Conselhos precisam saber o que pode avançar agora, o que segue condicional e o que pode interromper o negócio depois do dinheiro gasto.

Em Busan, no ano passado, à margem da Apec, os líderes ganharam tempo: aliviaram tarifas e suspenderam por um ano várias medidas, inclusive novos controles chineses de terras raras e taxas portuárias recíprocas. O perigo imediato recuou; as disputas, não. Em maio, as partes criaram conselhos de comércio e de investimento. Pelo conselho comercial, acordaram um marco para reduzir tarifas sobre US$ 30 bilhões em bens não sensíveis em cada direção, sujeito a procedimentos domésticos. Estenderam a trégua até 10 de janeiro, mas só por dois meses.

Washington estaria, segundo relatos citados por Hu, retardando licenças de peças e limitando volumes para a estatal Commercial Aircraft Corporation of China (Comac) ao pressionar Pequim sobre terras raras. No ano passado, o envio de motores da GE Aerospace à Comac teria ficado suspenso por cerca de cinco semanas e voltado quando as conversas avançaram — precedente sem data que o fornecedor possa prometer ao cliente.

Em 16 de outubro, Pequim propôs incluir 40 tecnologias — inteligência artificial, biomedicina e energia solar — no catálogo de exportações restritas ou proibidas; a consulta pública termina em 15 de novembro. Em 22 de outubro, o Tesouro dos EUA propôs ampliar restrições a investimentos americanos em tecnologias sensíveis na China, inclusive biotecnologia, com comentários até 7 de dezembro. Já em 23 de outubro, a China aprovou a Citigroup Securities (China), corretora integralmente controlada pelo Citi em Xangai — sinal mais firme para planejar abertura, ainda que o banco precise conquistar clientes e retorno.

Hu também cita a União Europeia: após conversas em Pequim, o comissário Maros Sefcovic anunciou entendimento para moderar exportações chinesas de híbridos por quatro anos, arranjo que, segundo Bruxelas, poderia reduzir em mais da metade as importações projetadas. Fabricantes ainda precisam saber como o acesso será alocado antes de transformar estimativas em produção. Um conselheiro da BYD teria dito que exigências europeias de conteúdo local aceleraram a busca por fábrica na Europa.

O que isso pode mudar

O próximo teste, na leitura de Hu, vem antes de Shenzhen: a consulta chinesa sobre restrições tecnológicas fecha em 15 de novembro, três dias antes da reunião de líderes da Apec. Shenzhen deveria avançar o que começou em Pequim e se manteve em Washington; os conselhos de comércio e investimento deveriam dar respostas mais claras sobre quais transações podem seguir e sob quais condições — e como permissões se renovam ou se retiram.

Entre Shenzhen e Miami, compromissos de cúpula precisariam virar licenças, aprovações e acesso utilizáveis. Até Miami, os líderes deveriam mostrar o que o ano de engajamento tornou possível. As empresas carregariam as consequências — fábricas, contratos e empregos. A rivalidade imporia custos; na hipótese de Hu, cabe aos líderes responder pela incerteza que escolhem preservar.

Fontes: SCMP Business

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