Economia digital do Sudeste Asiático deve chegar a US$ 368 bi em 2026, diz Google

Economia digital do Sudeste Asiático deve chegar a US$ 368 bi em 2026, diz Google

Relatório e-Conomy SEA projeta GMV de US$ 368 bilhões em 2026 e US$ 1 trilhão até 2035, com IA generativa usada por 243 milhões de pessoas.

Foto: Abhishek Navlakha (Pexels)

A adoção em massa de inteligência artificial (IA) generativa está acelerando a economia digital do Sudeste Asiático, que deve atingir US$ 368 bilhões em valor bruto de mercadorias (GMV) em 2026, segundo a 11ª edição do relatório e-Conomy SEA, publicada nesta quarta-feira (21) no blog do Google.

O estudo, de Google, Temasek e Bain & Company, aponta alta de 17% ante o ano anterior e coloca a região no caminho de ultrapassar US$ 1 trilhão até 2035. A IA generativa já faz parte do cotidiano de 243 milhões de pessoas — 58% da população em idade ativa — e cresce quatro vezes mais rápido que a internet móvel.

O que aconteceu

Intitulado Building the Intelligent Economy, o relatório usa tokens como novo parâmetro da economia de IA e projeta que a confiança no comércio agente — sistemas que comparam preços e concluem compras — pode multiplicar por 60 o uso regional de IA nos próximos cinco anos.

No comércio eletrônico, âncora da mudança, o GMV chega a US$ 226 bilhões (+18% ano a ano). Descoberta multimodal e assistentes nos apps elevam conversões em cerca de 10% e podem aumentar o volume de pedidos em até 75%. No turismo online, são US$ 59 bilhões (+10%): buscadores tradicionais seguem na frente, mas a IA generativa já ultrapassou as redes sociais como segunda ferramenta para roteiros complexos.

A mídia online fatura US$ 44 bilhões (+22%), com engajamento 10% a 20% maior e um mercado de commerce media de US$ 4 bilhões. Mobilidade e entrega de comida somam US$ 40 bilhões em GMV (+15%). Serviços financeiros digitais movimentam US$ 1,65 trilhão em valor bruto de transações (+16%), com Singapura à frente em plataformas de patrimônio digital.

Setenta e dois por cento dos usuários já usam funções como monitoramento de preços, e 75% aceitariam deixar agentes de IA comparar preços e fechar compras. Sessenta e dois por cento confiam mais em ferramentas de IA do que há um ano. Para avançar, pedem privacidade (44%), transparência sobre limites da tecnologia (36%) e possibilidade de reverter operações feitas por agentes (30%).

O documento cita quatro condições para sustentar a trajetória: adoção agente com economia sustentável; triplicar a capacidade de data centers em cinco anos; eficiência energética dos modelos, com regras de Singapura e energia renovável na Malásia; e o ASEAN Digital Economy Framework Agreement (DEFA), previsto para novembro de 2026 como primeiro pacto regional de comércio digital. O levantamento cobre Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Brunei, Camboja, Laos e Mianmar. Timor-Leste ficou de fora por falta de dados. Valores em dólares americanos. O texto é assinado por Nitin Gajria, do Google na região.

O que isso pode mudar

Se a disposição declarada pelos consumidores virar uso real de agentes autônomos, varejo, viagem e mídia podem deixar de ser só vitrines de busca e passar a operar fluxos inteiros de decisão e pagamento — o que redistribuiria margens e exigiria salvaguardas mais claras de privacidade e reversão.

A pressão por infraestrutura e energia limpa sugere que o gargalo pode migrar do software para data centers e regulação. O DEFA, se avançar em novembro, poderia reduzir fricções entre fronteiras; se atrasar, o crescimento pode permanecer concentrado em mercados já maduros, como Singapura. No horizonte do relatório, a disputa deixa de ser só sobre o próximo chatbot e passa a ser sobre integração de ponta a ponta com custo sustentável — condição para o salto de US$ 368 bilhões a US$ 1 trilhão até 2035 deixar de ser apenas projeção.

Fontes: Google Blog.

Fontes: Google Blog

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