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Elderson no BIS liga proteção da natureza a resiliência e prosperidade econômica

Elderson no BIS liga proteção da natureza a resiliência e prosperidade econômica

No BIS, Frank Elderson trata biodiversidade como investimento em capital natural e alerta para riscos à zona do euro na COP17.

Ilustração: Matheus Bertelli (Pexels)

Frank Elderson, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE) e vice-presidente do Conselho de Supervisão, abriu o Finance and Biodiversity Day da COP17, em Yerevan, pedindo tratar a proteção da natureza como investimento em capital natural, resiliência e prosperidade — e não como gasto isolado.

O discurso, publicado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) em 27 de outubro de 2026 após a entrega no dia 26, parte do tema da cúpula, “Taking Action for Nature”, e afirma que já se falou o bastante: agora é preciso agir.

O que aconteceu

Há quatro anos, o Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal traçou um caminho para viver em harmonia com a natureza até 2050. Segundo Elderson, o progresso ficou limitado enquanto a natureza continua a se deteriorar. Pediu deslocar o foco de metas para implementação e de ambição para investimento, com o financiamento no centro da transição.

Ele citou estimativa do Banco Mundial segundo a qual até metade do produto interno bruto (PIB) mundial depende de biodiversidade, capital natural e serviços ecossistêmicos. Análise do BCE aponta que 72% das empresas da zona do euro dependem de ao menos um serviço ecossistêmico e que 75% do crédito corporativo da região vai a companhias altamente dependentes de pelo menos um desses serviços.

A água serviu de exemplo. Elderson relatou secas no verão europeu, com rios como Reno, Loire, Pó e Danúbio em níveis excepcionalmente baixos, o que forçou interrupções em usinas nucleares, afetou a hidreletricidade e perturbou cadeias de suprimento. Pesquisa envolvendo o BCE, a London School of Economics e a Universidade de Oxford indica que uma seca de probabilidade de 1 em 100 anos poderia colocar em risco até 24% da produção econômica da zona do euro. Quase 12% da produção enfrentaria riscos por proteção insuficiente contra inundações.

Sobre substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS), o discurso cita estimativa da Comissão Europeia: se os níveis atuais de poluição na Europa seguirem até 2050, o custo social poderia chegar a 440 bilhões de euros, e só o tratamento da água poluída poderia custar mais de 1 trilhão de euros. A Europa, afirmou, aquece cerca de 0,56 grau Celsius por década desde meados dos anos 1990, mais do dobro da média global. Sete das nove fronteiras planetárias já teriam sido ultrapassadas.

No plano institucional, destacou a Rede para Ecologizar o Sistema Financeiro (NGFS), com 152 bancos centrais e supervisores em mais de 95 países. No BCE, riscos de natureza entram na supervisão bancária e já aparecem na avaliação de política monetária, entre outros porque altas de preços de alimentos após ondas de calor e secas são risco altista à estabilidade de preços. Elderson ressaltou que bancos centrais permanecem “tomadores” de política climática e de natureza: a degradação afeta seus mandatos.

Na conclusão, lembrou que 75% dos ecossistemas terrestres e 66% dos oceânicos foram danificados, degradados ou modificados, e que a humanidade consome recursos naturais cerca de 1,7 vez mais rápido do que os ecossistemas regeneram. Estimativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) indica que o investimento anual em soluções baseadas na natureza precisaria chegar a 571 bilhões de dólares até 2030, ante cerca de 220 bilhões em 2023 — mais de 2,5 vezes o nível recente.

O que isso pode mudar

Se o tom de Elderson se consolidar entre supervisores e bancos centrais, a biodiversidade tende a entrar com mais força em materialidade de risco, crédito e comunicação monetária. A hipótese é que a pressão por capital “positivo para a natureza”, ao lado do financiamento público, se intensifique — sobretudo se a COP17 converter as metas de Kunming-Montreal em projetos bancáveis na escala que o discurso julga necessária.

Sem aceleração, o ajuste poderia ser imposto pela degradação, via interrupção produtiva, adaptação e perda de capacidade econômica. Nesse cenário, restaurar o capital natural ficaria mais caro com o tempo — o alerta deixado ao encerrar o dia financeiro da cúpula.

Fontes: BIS Speeches

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