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Zhu Hexin no BIS liga abertura cambial da China a novo paradigma de desenvolvimento

Zhu Hexin no BIS liga abertura cambial da China a novo paradigma de desenvolvimento

Vice do banco central chinês detalha no BIS isenções cambiais a 50 mil empresas e novos pacotes de facilitação.

Ilustração: 鱼 木 (Pexels)

O vice-governador do Banco Popular da China e administrador da Administração Estatal de Câmbio (SAFE), Zhu Hexin, afirmou que o país aprofunda a abertura do setor cambial para sustentar o novo paradigma de desenvolvimento. O discurso-chave, proferido em 19 de outubro de 2026 no Fórum Financial Street em Pequim e publicado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), liga a reforma cambial à integração da China na circulação econômica global.

Trinta anos após a conversibilidade da conta corrente, o volume dessas operações passou de pouco mais de US$ 300 bilhões em 1996 para mais de US$ 8 trilhões em 2025. Zhu destacou isenções de revisão para dezenas de milhares de empresas e pacotes adicionais de facilitação ainda em preparação.

O que aconteceu

No encontro anual do Financial Street Forum 2026, Zhu Hexin apresentou três eixos sobre a abertura cambial chinesa. Desde as reformas da abertura econômica, o sistema de gestão cambial evoluiu de aliviar escassez e promover alocação de mercado a conceder mais autonomia às empresas e reforçar a governança em ambiente aberto. Em 1996, a China aceitou as obrigações do Artigo VIII do Acordo Constitutivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), comprometendo-se a não restringir pagamentos e transferências correntes ligados a bens, serviços e renda de investimento.

Desde então, segundo o dirigente, o país manteve a conversibilidade da conta corrente, avançou de forma ordenada na abertura da conta de capital e facilitou comércio, investimento e financiamento transfronteiriços. A China tornou-se parceiro comercial de mais de 160 países e regiões. Nos fluxos, recursos do superávit em conta corrente são canalizados por empresas e bancos para investimento no exterior. Nos estoques, a parcela dos ativos financeiros externos detidos por entidades de mercado subiu de cerca de 30% no fim de 2010 para quase 70% no fim de 2025.

Até o fim de junho de 2026, mais de 50 mil empresas com bom histórico de crédito estavam isentas de revisão em operações cambiais — alta de cerca de 30% ante o fim do ano anterior. No primeiro semestre de 2026, o volume dessas operações ultrapassou US$ 580 bilhões, o dobro do mesmo período do ano passado, e o tempo médio por operação caiu para menos da metade. Até o fim de setembro, pacotes de apoio ao comércio exterior, ao investimento e financiamento transfronteiriços e às zonas piloto de livre comércio haviam beneficiado mais de 150 mil entidades, com volume superior a US$ 3 trilhões.

Zhu anunciou medidas em três frentes: facilitar a conta corrente e novas formas de comércio; otimizar a gestão cambial na conta de capital; e promover a abertura do mercado cambial, expandindo pilotos para corretoras conduzirem liquidação e venda de divisas e apoiando o manejo de risco cambial para pequenas e médias empresas. Em Pequim, pilotos de financiamento transfronteiriço para ciência e tecnologia e de pools de caixa integrados em renminbi e moeda estrangeira para multinacionais já facilitaram, até setembro, mais de US$ 600 bilhões, beneficiando cerca de 100 empresas de inovação e mais de 100 multinacionais com mais de 5 mil afiliadas.

O que isso pode mudar

Se os novos pacotes forem implementados como descrito, a facilitação da conta corrente e da conta de capital pode reduzir fricção para exportadores e grupos com presença no exterior, enquanto a expansão de serviços de câmbio por corretoras e o apoio a pequenas e médias no hedge cambial poderiam ampliar o acesso a ferramentas de gestão de risco. Zhu condicionou a abertura mais profunda a vigilância, alerta precoce e gestão macroprudencial dos fluxos de capital, além do combate a atividades financeiras transfronteiriças ilegais e da preservação da liquidez e do valor das reservas.

O discurso sugere que Pequim pode seguir como laboratório de políticas de nível mais alto. Em linha com o próprio texto, o sucesso da reforma seria medido pela vitalidade das empresas — não só pela velocidade da abertura —, calibrando eficiência de mercado e estabilidade na internacionalização do renminbi.

Fontes: BIS Speeches

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