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Empresas de IA viram construtoras de infraestrutura, segundo Fast Company

Empresas de IA viram construtoras de infraestrutura, segundo Fast Company

Jason Eichenholz, na Fast Company, compara a corrida de infraestrutura de IA ao avanço tecnológico na autonomia e diz que firmas de tecnologia passam a erguer a própria base física.

Ilustração: Yaroslav Shuraev (Pexels)

As empresas que desenvolvem inteligência artificial (IA) deixam de ser apenas clientes de energia e de telecomunicações e passam a agir como construtoras da própria infraestrutura. É o que argumenta Jason Eichenholz em coluna publicada neste sábado (24) na Fast Company, sob o título que compara a corrida atual a um filme que ele diz já ter visto.

O autor, que em 2022 era cofundador e diretor de tecnologia da Luminar e trabalhava com lidar para veículos autônomos, descreve um paralelo com a autonomia no setor automotivo: quem define a nova infraestrutura nem sempre é quem ergueu a antiga.

O que aconteceu

Em texto na Fast Company, Eichenholz remonta a uma conferência automotiva em que comentou ter “lugar na primeira fila” da transformação tecnológica. Um executivo do setor o interrompeu, segundo o relato, para dizer que ele não estava na plateia, e sim “fazendo parte do espetáculo”, ao forçar a indústria a pensar de outro modo.

Para o colunista, aquela troca de palavras ilustra um padrão mais amplo. Quando a tecnologia redefine um setor, as empresas que construíram a infraestrutura anterior nem sempre são as que moldam a seguinte. Na autonomia, ele aponta, quem avançou com mais força foram companhias de tecnologia como Tesla, Waymo e Zoox, e não as montadoras que dominaram o transporte por um século.

Eichenholz afirma ter mudado o foco: das ópticas para veículos autônomos para o networking óptico voltado à infraestrutura de IA. De novo, escreve, empresas de tecnologia se deparam com uma base física pensada para outra época. Em vez de esperar que provedores tradicionais de energia e de telecomunicações alcancem a demanda, elas passam a tomar o problema nas próprias mãos.

Esse, no julgamento do autor, é o deslocamento central. As companhias que constroem inteligência artificial deixam de se limitar ao papel de compradoras de capacidade e começam a se tornar, elas mesmas, empresas de infraestrutura. A Fast Company publica o artigo em 24 de outubro de 2026, sem trazer, no trecho aberto da coluna, cifras de investimento ou calendários de obras.

O raciocínio permanece ancorado na experiência pessoal do autor e na analogia com a corrida da autonomia. Valores de capital ou metas de capacidade elétrica não aparecem como dados novos no material disponível da peça; o eixo é o papel institucional das firmas de IA diante da rede elétrica e das telecomunicações legadas.

O que isso pode mudar

Se a leitura de Eichenholz se confirmar, a disputa por liderança em IA pode deixar de se limitar a modelos e chips e se deslocar, em parte, para quem controla energia, conectividade e redes ópticas. Concessionárias de energia e operadoras de telecom poderiam, nessa hipótese, ver clientes estratégicos virarem concorrentes ou parceiros verticais, ao internalizar trechos da cadeia que antes compravam no mercado.

Para investidores e reguladores, o cenário sugerido pela coluna aponta uma possível redefinição de fronteiras setoriais: software, nuvem e ativos físicos passam a se misturar sob o mesmo teto corporativo. Isso poderia acelerar disputas por licenças, terras e capacidade de transmissão, além de pressionar a velocidade de atualização das redes tradicionais.

Ainda assim, trata-se de uma tese de observação, não de um balanço auditado. Sem números na própria Fast Company neste texto, qualquer projeção de escala ou de prazo permanece especulativa. O que a coluna deixa explícito é o diagnóstico de padrão: a infraestrutura da IA, como a da autonomia, pode ser redesenhada por quem veio da tecnologia, e não apenas por quem herdou as redes do século passado.

Fontes: Fast Company

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