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Energia elétrica afasta siderúrgicas do Reino Unido dos rivais europeus em três anos

Energia elétrica afasta siderúrgicas do Reino Unido dos rivais europeus em três anos
Imagem ilustrativa

Análise da UK Steel aponta prêmio de quase £30 por MWh sobre a França após alta do gás ligada à guerra EUA-Israel contra o Irã.

Foto: K (Pexels)

As siderúrgicas britânicas perderam mais terreno frente aos concorrentes europeus no custo da eletricidade depois que a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã provocou uma disparada nos preços globais do gás natural. O abalo energético reforça um dos principais entraves citados pelo setor industrial no Reino Unido.

Segundo análise do grupo de pressão UK Steel, o prêmio pago pela indústria britânica em relação à francesa subiu para quase £30 por megawatt-hora (MWh), o patamar mais alto em três anos. O custo da energia já figurava entre os fatores que as empresas apontam quando listam o que freia a indústria britânica; para o prefeito de Manchester, Andy Burnham, pode representar o maior obstáculo à meta de “reindustrializar” o país.

Especialistas atribuem os preços elevados de eletricidade no Reino Unido à dependência do gás na geração de energia, etapa decisiva para a produção de aço mais limpa em fornos elétricos a arco. A forma como o mercado funciona faz o preço do gás no atacado definir o da eletricidade mesmo quando a energia vem de fontes de custo menor, como vento ou sol. O fechamento do estreito de Hormuz pelo Irã, em resposta à campanha de bombardeios de Donald Trump, teria impulsionado a alta internacional do gás.

O que aconteceu

Na França, os preços de eletricidade seguem em grande parte as usinas nucleares; na Alemanha, o carvão altamente poluente ainda tem papel relevante na matriz. A comparação com rivais europeus importa porque a União Europeia costuma ser o principal mercado de produtos manufaturados britânicos — incluindo cerca de 75% do aço exportado, avaliado em aproximadamente £3 bilhões.

A diferença em relação à França havia caído nos três anos anteriores e chegou a £18 por MWh no ano passado, ainda abaixo dos £153 registrados em 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia gerou crise no mercado global de gás. Em 2026, o hiato com a Alemanha recuou levemente, para cerca de £12 por MWh.

Sob Keir Starmer, a maior parte dos encargos de política pública somados à conta de eletricidade de indústrias pesadas foi retirada no ano passado. Para reduzir ainda mais o preço, as opções citadas na reportagem seriam ampliar renováveis baratas — desafio de curto prazo — ou subsidiar tarifas diretamente.

Peter Brennan, diretor-geral da UK Steel, disse que subsídios diretos seriam a única saída imediata para ajudar as siderúrgicas. O lobby propõe um teto de preços que estima custar cerca de £51 milhões por ano: o governo pagaria a diferença quando as cotações ultrapassassem o limite e a indústria repassaria valores ao Estado se os preços caíssem abaixo dele.

“As siderúrgicas britânicas são convidadas a competir com uma mão amarrada nas costas”, afirmou Brennan. “Apesar das medidas bem-vindas do governo, nossos preços de eletricidade continuam muito acima dos de concorrentes europeus e globais, e a distância em relação à França está piorando.” Ele acrescentou que não seria possível reconstruir a manufatura britânica obrigando o setor siderúrgico a pagar eletricidade substancialmente mais cara que a dos rivais.

Em paralelo, o governo anunciou medidas para mais de 100 mil oportunidades de trabalho nos oito setores da estratégia industrial, com foco em jovens em defesa, construção e serviços empresariais; planos para manufatura avançada e indústrias criativas viriam em seguida.

Em nota, um porta-voz do governo disse que a administração enfrenta “de frente” a principal preocupação da indústria ao reduzir contas de eletricidade em até 25% para mais de 10 mil empresas manufatureiras e cortar custos para centenas das operações mais intensivas em energia em cerca de £1 bilhão por ano, cumprindo a promessa do primeiro-ministro de reindustrializar a Grã-Bretanha.

Impacto na prática

Para trabalhadores e comunidades ligadas à siderurgia — como as da unidade da British Steel em Scunthorpe, citada na cobertura — a disparidade de energia pode, em tese, afetar a competitividade de plantas que exportam sobretudo para a UE. Se o prêmio sobre a França se mantiver perto de £30 por MWh, empregos e investimentos em fornos elétricos a arco poderiam ficar mais expostos a pressão de rivais com tarifas menores.

No plano macro, choques no gás após Hormuz podem prolongar um mercado elétrico indexado ao gás, mesmo com mais vento e solar na rede. Outras indústrias intensivas em energia no Reino Unido poderiam sentir reflexos se políticas migrarem para subsídios como o teto de £51 milhões por ano da UK Steel.

A disputa ocorre no momento em que Starmer liga reindustrialização a cortes já feitos em encargos regulatórios e a novos planos de emprego setorial. Ainda assim, a distância tarifária em relação à França e à Alemanha indica que a crise de custos pode continuar no centro do debate industrial britânico enquanto o gás global permanecer elevado.

Fontes: The Guardian

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