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Multa de até 100 libras pode atingir quem tocar música alta em ônibus na Inglaterra

Multa de até 100 libras pode atingir quem tocar música alta em ônibus na Inglaterra
Imagem ilustrativa

O governo britânico reforça o combate a comportamento antissocial no transporte público, com penalidades em ônibus e campanha nacional nos trens.

Foto: Matheus Bertelli (Pexels)

Passageiros que tocarem música em volume alto em ônibus na Inglaterra poderão ser multados em até 100 libras esterlinas, em uma tentativa do governo de endurecer o combate ao comportamento antissocial. As medidas também miram descarte de lixo, uso de cigarros eletrônicos e condutas ameaçadoras, com o objetivo de melhorar as viagens em todas as modalidades de transporte público.

As infrações em ônibus poderão resultar nas multas por meio de novas atribuições concedidas às autoridades locais. Paralelamente, será lançada uma campanha nacional dirigida a quem viaja de trem, com o lema de pedir que os passageiros “compartilhem o vagão, não o barulho”. A proposta foi recebida com apoio por parte de ativistas, embora alguns questionem como a fiscalização será colocada em prática.

“Todos nós já estivemos no trem quando alguém começa a disparar música ou vídeos do celular. Isso irrita e pode estragar a viagem rapidamente”, disse o primeiro-ministro Andy Burnham, segundo a BBC.

O que aconteceu

Com poderes já existentes no sistema ferroviário, quem for solicitado a parar e se recusar pode ser retirado do trem ou multado em até 1.000 libras. O hábito de expor o som do aparelho a terceiros ganhou apelidos como loudcasting ou sodcasting; nos últimos anos, pesquisas divulgadas pela Ofcom, pelo YouGov e pela Transport for London (TfL) indicaram que a vasta maioria das pessoas rejeita a prática.

A secretária de Transportes, Heidi Alexander, afirmou que pequenas mudanças de comportamento “podem fazer uma diferença enorme na experiência das pessoas no transporte público”. O governo informou ter emitido nova orientação às autoridades locais sobre competências introduzidas mais cedo neste ano, para ajudá-las a reprimir música alta e outras condutas antissociais em ônibus na Inglaterra.

Esses poderes permitem impor novas regras nos ônibus, mas ainda dependem de aprovação da secretária de Transportes. Quem cometer as infrações poderá receber penalidades fixas de até 100 libras. O governo esclarece que motoristas de ônibus não serão responsáveis por aplicar as novas normas: agentes autorizados, incluindo oficiais de segurança no transporte e a polícia, tratarão dos casos.

A campanha ferroviária será veiculada em sites das operadoras, redes sociais e dentro dos vagões. O executivo disse que isso pode encerrar o “mosaico” atual de abordagens entre diferentes operadoras de trem e ajudar a criar “uma mensagem clara e consistente em toda a rede”.

Maryam Eslamdoust, secretária-geral do sindicato de transporte TSSA, classificou o enfrentamento ao comportamento antissocial no transporte público como “um passo na direção certa”, mas cobrou que o governo também “enfrente com urgência a violência, as ameaças e os abusos enfrentados por passageiros e trabalhadores do setor”. Para ela, “aumentar o orçamento da British Transport Police é vital para proteger as pessoas, responder a incidentes e levar agressores violentos à justiça”.

Michael Solomon Williams, do Campaign for Better Transport, disse à BBC que o comportamento antissocial pode ser um “forte desestímulo” ao uso do transporte público, sobretudo para quem tem necessidades distintas de acessibilidade. Ele também questionou a execução das medidas: quando autoridades locais forem responsáveis pela fiscalização, “há talvez algumas dúvidas sobre como uma força policial local poderia ser acionada em serviços de ônibus, por exemplo, onde não costumamos ver a British Transport Police”.

Richard Holden, parlamentar e secretário de Transportes na sombra (oposição), afirmou que, depois de a oposição ter liderado a cobrança contra o comportamento antissocial no transporte no verão passado, os ministros “perceberam que ninguém quer suportar techno ensurdecedor ou hip hop estridente em um trem ou ônibus lotado”. Ele acrescentou, porém, que passageiros e funcionários ferroviários enfrentam problemas “muito mais graves”, citando aumento de 68% em agressões contra equipes do setor e queda de processos sob o governo trabalhista, e pediu que Burnham trate com seriedade a fiscalização, a violência e a proteção de quem trabalha nas ferrovias.

O porta-voz de Transportes dos Liberais Democratas, Olly Glover, disse que “discurso duro não significa nada sem fiscalização” e que, “a menos que o governo financie oficiais de segurança no transporte em campo, essas novas regras não valerão o papel em que estão impressas”. O órgão independente Transport Focus apontou pesquisa publicada em junho mostrando que segurança pessoal passou a ser fundamental para a confiança dos passageiros na ferrovia; Alex Campbell, diretor de política e análise da entidade, disse que “quatro em cada 10 passageiros afirmam que o comportamento antissocial os fez sentir-se vulneráveis ao viajar” e que medidas que reduzam incômodos como música alta e vaping “podem melhorar a experiência e incentivar mais pessoas a escolher o transporte público”.

Impacto na prática

Na Inglaterra, a combinação de multas em ônibus e mensagem unificada nos trens pode, em tese, alterar o cotidiano de quem depende do transporte coletivo: viagens mais silenciosas e menos exposição a barulho involuntário de terceiros figuram entre os efeitos que o governo busca. Para passageiros que já se sentem inseguros, as iniciativas podem, hipoteticamente, reforçar a percepção de que incômodos do dia a dia estão no radar das autoridades, em linha com o que sugere a pesquisa citada pelo Transport Focus.

O desenho administrativo — regras locais nos ônibus com aval da secretária de Transportes e fiscalização fora da cabine do motorista — indica que o impacto dependerá de quantos agentes estarão disponíveis e de como polícias locais e British Transport Police se dividirão em rotas onde hoje há pouca presença policial. Críticos da oposição e de organizações do setor sugerem que, sem recursos no terreno, as penalidades podem ter alcance limitado, mesmo com campanhas visíveis em vagões e redes sociais.

Em escala nacional, medidas desse tipo podem, em hipótese, influenciar a decisão de usar ou evitar o transporte público quando o barulho ou outras condutas antissociais pesam na experiência — especialmente para quem tem necessidades de acessibilidade, conforme alertou o Campaign for Better Transport. O debate público no Reino Unido tende a permanecer dividido entre quem vê o pacote como avanço na qualidade das viagens e quem exige prioridade a violência contra funcionários e passageiros, com mais orçamento para a polícia ferroviária.

Se a orientação às autoridades locais se traduzir em regras efetivas e em fiscalização visível, o governo britânico poderá testar se penalidades moderadas em ônibus e uma campanha ferroviária padronizada conseguem reduzir o incômodo sem transferir a carga para motoristas — ao mesmo tempo em que sindicatos e watchdogs cobram respostas mais amplas à agressividade grave no sistema.

Fontes: BBC News — People playing loud music on buses could face £100 fine

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