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Equador retoma transporte de petróleo colombiano após meses de suspensão comercial

Equador retoma transporte de petróleo colombiano após meses de suspensão comercial
Foto: Pexels

A Petroecuador anunciou a retomada do bombeamento pela Ecopetrol e Amerisur no SOTE, após tensões tarifárias entre Quito e Bogotá e um dia depois da Colômbia voltar a exportar eletricidade.

Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)

O Equador voltou a transportar petróleo de duas companhias colombianas pelo oleoduto que cruza o país em direção ao Pacífico. A estatal Petroecuador informou a retomada neste sábado, 17 de outubro de 2026, encerrando um período em que o bombeamento ficou parado por disputas comerciais entre Quito e Bogotá.

As empresas beneficiadas são a Ecopetrol e a Amerisur. O fluxo passa pelo Sistema de Oleoduto Transequatoriano (SOTE), infraestrutura usada para levar o barril desde a Amazônia equatoriana até um terminal de exportação na costa. A suspensão havia sido ligada à escalada de tarifas e ao aumento do custo de transporte imposto pelo governo equatoriano.

A medida foi divulgada um dia após a Colômbia restabelecer a venda de eletricidade ao Equador, fornecimento que Bogotá havia cortado por temor de desabastecimento interno. O texto da Petroecuador não detalha um acordo formal único que una as duas decisões, mas o calendário coloca as duas frentes — energia e petróleo — em sequência imediata.

O que aconteceu

Segundo comunicado da Petroecuador, com a retomada circulam cerca de 11,9 mil barris de petróleo por dia pelas empresas colombianas. O arranjo contratual bilateral, em vigor desde 2024, volta assim a operar. Para o Estado equatoriano, a estatal estima receita mensal de US$ 1,4 milhão com essa operação e projeta mais de US$ 16 milhões por ano.

O trajeto tem aproximadamente 500 quilômetros: o petróleo sai de Lago Agrio, na Amazônia equatoriana, percorre o SOTE e chega ao terminal de Esmeraldas, no litoral do Pacífico. A Petroecuador afirma que o oleoduto funciona em plena capacidade e que a produção nacional do Equador se mantém estável, em 371 mil barris por dia.

A paralisação ocorreu em meio a tensões com o governo do então presidente colombiano Gustavo Petro. No início de 2026, o presidente equatoriano Daniel Noboa impôs tarifa inicial de 30% sobre produtos colombianos, depois elevada para 100%. O transporte de petróleo também ficou mais caro, e a Colômbia suspendeu o serviço.

Noboa classificou as medidas como taxa de segurança, citando falta de controle da fronteira por parte da Colômbia. O executivo colombiano rejeitou o argumento e aplicou tarifas recíprocas sobre produtos equatorianos. Com a retomada anunciada no fim de semana, as duas economias andinas retomam um elo logístico que liga produção colombiana à rota de exportação equatoriana.

Impacto na prática

Para exportadores colombianos que dependem do SOTE, a retomada pode restabelecer um caminho mais previsível até o mar, em vez de buscar alternativas mais caras ou lentas enquanto o bombeamento estava suspenso. Para o Equador, os números divulgados pela Petroecuador sugerem entrada recorrente de divisas ligadas ao tarifário de passagem, sem alteração imediata na meta de produção doméstica informada pela estatal.

Do lado energético, o retorno da exportação de eletricidade da Colômbia para Quito pode, em tese, aliviar pressões sobre o abastecimento equatoriano, especialmente em regiões que importavam o serviço antes do corte por risco de falta interna em Bogotá. Consumidores finais não aparecem citados no comunicado; qualquer efeito em preços de energia ou combustíveis dependeria de repasses regulatórios e de mercado que a fonte não descreve.

Em escala regional, o episódio ilustra como tarifas fronteiriças e segurança podem afetar fluxos de commodities entre vizinhos. Analistas de comércio andino podem interpretar o passo como sinal de descompressão após meses de reciprocidade em barreiras, embora a matéria não traga declarações de novas negociações tarifárias permanentes.

Se Quito e Bogotá mantiverem os serviços de petróleo e eletricidade ativos, a hipótese é de maior estabilidade logística na fronteira comum — ainda sujeita a novos choques políticos ou comerciais, como o que marcou o início de 2026 entre Noboa e o governo de Petro.

Fontes: InfoMoney (Estadão Conteúdo / Associated Press)

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