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Fed dos EUA deve manter juros sob pressão de inflação e energia antes das midterms

Fed dos EUA deve manter juros sob pressão de inflação e energia antes das midterms

Analistas citados pela AFP veem pausa na taxa em 3,75% a 4% na semana das midterms, com inflação e energia no radar e possível alta em dezembro.

O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, deve manter a taxa básica de juros inalterada na reunião da próxima semana, segundo analistas citados pela agência AFP em reportagem do The Times of India. A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) está prevista para as 14h no horário local (18h GMT) de quarta-feira, após dois dias de encontro.

O cenário combina inflação ainda acima da meta de longo prazo de 2%, custos de energia elevados e a proximidade das eleições de meio de mandato (midterms) de 3 de novembro. Em setembro, o Fed elevou a taxa dos federal funds pela primeira vez em três anos, para a faixa de 3,75% a 4%. Mercados projetam ao menos um novo aumento até o fim do ano, mas a expectativa dominante para esta reunião é de pausa.

O que aconteceu

Segundo o The Times of India, o Fed tenta conter preços sem fragilizar o emprego. A medida preferida de inflação do banco, o índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE), chegou a 7,2% em 2022 e caiu para cerca de 2,2% no fim de 2024. Depois voltou a subir em meio a políticas do presidente Donald Trump — incluindo tarifas — e ao conflito dos EUA com o Irã. Em maio, o PCE atingiu 3,9%, máxima de três anos.

Desde o ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no fim de fevereiro, os preços globais de energia dispararam. Retaliações de Teerã restringiram o fluxo de petróleo e gás pelo Golfo. Custos energéticos mais altos passaram a se espalhar para outros bens e serviços, colocando a capacidade de pagamento das famílias no centro das preocupações à véspera das midterms, em que democratas buscam retomar o Congresso, hoje sob o Partido Republicano de Trump.

A economia americana também lida com enfraquecimento da confiança do consumidor e sinais de tensão em um mercado de trabalho ainda descrito como resiliente. A pesquisa do Conference Board era aguardada para indicar nova queda em outubro, depois de setembro ter marcado o menor nível em mais de uma década.

Loretta Mester, ex-presidente do Federal Reserve Bank de Cleveland, disse à AFP que o calendário eleitoral não deve pesar na sala do FOMC. “O Fed não leva em conta nenhum tipo de questão política naquela sala do FOMC”, afirmou. “É realmente com base na economia.” Para ela, os dados mostram emprego estável e inflação acima da meta, sem evidência de convergência ao alvo — o que sugeriria continuar elevando juros. Ainda assim, avaliou que a maioria dos dirigentes parece relutante em agir depressa demais e que o Fed pode manter a taxa em outubro e considerar novo aumento no início de dezembro.

Wendy Edelberg, da Brookings Institution, afirmou que banqueiros centrais prefeririam evitar o debate político às vésperas do pleito. “Não ajuda ninguém se o Fed se envolver em todo o discurso político logo antes de uma eleição”, disse. Na visão dela, adiar um aumento para dezembro teria implicações econômicas limitadas — menos uma concessão a Trump, que cobra juros mais baixos, e mais uma forma de o Fed não se tornar alvo de crítica. Trump tem criticado o Fed por considerar os juros altos demais, mas até agora não dirigiu crítica semelhante a Kevin Warsh, indicado para suceder Jerome Powell. A decisão virá em semana de dados de inflação, confiança e crescimento do terceiro trimestre, além de balanços de grandes empresas.

Impacto na prática

Manter a faixa de 3,75% a 4% pode preservar, por enquanto, o custo de crédito já elevado para famílias e empresas nos Estados Unidos, sem o choque adicional de um novo aperto imediato. Em tese, a pausa também pode reduzir, no curto prazo, a chance de o Fed virar peça central da campanha das midterms, embora energia e custo de vida continuem no radar dos eleitores.

Fora dos EUA, uma eventual manutenção dos juros americanos pode, em hipótese, aliviar por algum tempo a pressão sobre o dólar e o financiamento em economias sensíveis a taxas globais; já um sinal de novo aumento em dezembro pode reacender volatilidade em câmbio, commodities e dívida. Nada disso está garantido: depende do comunicado do FOMC, dos dados da semana e da leitura dos investidores sobre inflação versus risco de desaceleração.

Se a leitura dos analistas se confirmar e o Fed optar pela estabilidade agora, com a porta aberta para dezembro, o episódio pode ilustrar como política monetária, energia e calendário eleitoral se cruzam sem que o banco central assuma, ao menos em discurso, o papel de ator partidário — tensão que, segundo vozes ouvidas pela AFP, os dirigentes prefeririam manter fora da sala do FOMC.

Fontes: GN economy 1d

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