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Flávio contraria discurso do ajuste fiscal, mas mercado mantém a aposta

Flávio contraria discurso do ajuste fiscal, mas mercado mantém a aposta

Análise da CNN Brasil mostra que declarações de Flávio Bolsonaro tensionam a expectativa de ajuste, enquanto investidores ainda apostam em maior chance de mudança na política econômica do que com Lula.

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) tem adotado posições que contrastam com o que o mercado financeiro esperaria de alguém associado à promessa de ajuste fiscal. Ainda assim, segundo análise publicada nesta terça-feira (20) pela CNN Brasil, boa parte dos investidores segue apoiando a tese de que um eventual governo dele ofereceria chance maior de mudança na política econômica do que uma nova gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em declarações no fim de semana, Flávio defendeu reajustes do salário mínimo acima da inflação, rejeitou a desvinculação dos benefícios previdenciários em relação ao piso e descartou alterar a Constituição para eliminar os gastos mínimos obrigatórios com saúde e educação. Também afirmou que não pretende rever o fim da escala 6x1. As primeiras posições, avalia o texto da colunista Lucinda Pinto, preservam regras que pressionam ou tornam mais rígido o Orçamento; a última contraria a expectativa de maior flexibilidade nas relações de trabalho.

As contradições geram dúvidas, mas ainda não derrubaram a aposta nos ativos brasileiros. Nas conversas com agentes do mercado descritas na reportagem, o que prevalece é um cálculo de probabilidades: uma vitória de Flávio não representa certeza de ajuste fiscal, mas, nesse cenário, haveria chance maior de mudança do que com Lula — perspectiva que ainda justificaria a valorização dos ativos.

O que aconteceu

De acordo com a CNN Brasil, a preferência de parte do mercado pelo candidato da oposição combina expectativa de mudança na economia e oportunidade de ganhos que pode ter horizonte curto. Uma fonte ouvida sob reserva afirmou que “não é possível ficar na frente do rali” — na linguagem do mercado, apostar contra o movimento de alta pode sair caro.

Mais do que um voto de confiança no candidato, a análise aponta uma oportunidade que esses investidores não querem perder. Se a perspectiva de troca de governo alimentar valorização da bolsa e queda dos juros futuros, o movimento pode gerar ganhos bem antes de qualquer decisão sobre gastos públicos. Isso ajuda a explicar, segundo a coluna, por que o otimismo convive com tantas ressalvas.

Questionado sobre a segurança de que Flávio entregaria o ajuste esperado, um dos interlocutores respondeu que não, mas que pelo menos há uma chance. Na avaliação dessa fonte, Lula não oferece a mesma perspectiva. A continuidade do rali — pausado nesta segunda-feira (19) — depende agora do efeito das declarações dos candidatos sobre as pesquisas e, mais à frente, da confirmação de quem integrará a equipe econômica do próximo governo, em especial de quem será o ministro da Fazenda.

A composição favorável a Flávio no Congresso dá mais força a essa leitura, diz a CNN. Ela só seria vista como trunfo, porém, se o ministro da Fazenda for capaz de atuar como fiador das reformas e tiver respaldo do eventual presidente eleito para conduzir o ajuste quando as medidas tiverem custo político. Comprar essa possibilidade agora não significa, segundo a análise, assumir compromisso com o futuro governo: a posição pode mudar se a escolha da equipe decepcionar, se o programa econômico não convencer ou se as decisões apontarem para mais gastos e menos ajuste.

Impacto na prática

Na hipótese descrita pela fonte, a reação do mercado pode afetar o cotidiano de quem investe em ações ou títulos indexados a juros futuros: valorização da bolsa e queda dos juros futuros, se sustentadas pela expectativa de troca de governo, podem antecipar ganhos — ou perdas, no caso de quem apostar contra o rali — antes de qualquer decisão concreta sobre o Orçamento. Em tese, trabalhadores e beneficiários da Previdência podem sentir efeitos indiretos se as posições de campanha sobre salário mínimo, benefícios e pisos de saúde e educação se traduzirem em regras orçamentárias mais rígidas, embora a matéria não afirme que isso ocorrerá.

Para o Brasil, sugerem os casos relatados pela CNN, o recado do mercado hoje pode funcionar menos como termômetro definitivo e mais como sinal do impacto potencial da política fiscal que vier a ser adotada. A preferência atual pode ser de curto prazo: o investidor pode querer participar do rali sem estar convencido de que a promessa de mudança sobreviverá ao governo. Se o cenário piorar à frente, a avaliação — e a posição — pode mudar.

Flávio tem, por enquanto, o crédito da possibilidade, conclui a coluna. Para quem vê oportunidade de ganhar com essa expectativa, esperar todas as respostas pode significar chegar depois da alta — hipótese que a própria análise amarra à incerteza sobre equipe, programa e decisões futuras de gasto, e não a qualquer garantia de resultado eleitoral ou fiscal.

Fontes: CNN Brasil — Flávio contraria discurso do ajuste, mas mercado mantém aposta (Lucinda Pinto); Google News (RSS)

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