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Goiânia aos 93 anos diversifica economia e tem a sexta maior renda entre capitais

Goiânia aos 93 anos diversifica economia e tem a sexta maior renda entre capitais

Capital goiana completa 93 anos com 1,5 milhão de habitantes, PIB além do agro e rendimento médio de R$ 5.496 no 2º trimestre de 2026, segundo o IBGE.

Ilustração: Goutinho De Flávio GF (Pexels)

Ao completar 93 anos neste sábado (24), Goiânia aparece no mapa econômico brasileiro como capital que deixou de ser apenas sede político-administrativa de Goiás para reunir comércio, indústria, serviços e um dos mercados imobiliários mais ativos do país. Estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta cerca de 1,5 milhão de habitantes — bem acima do desenho original, pensado para menos de 50 mil pessoas.

Reportagem do g1 Goiás, com especialistas e entidades setoriais, mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) da cidade — a soma de bens e serviços finais — não se resume ao agronegócio. No segundo trimestre de 2026, o rendimento médio mensal dos residentes chegou a R$ 5.496, o sexto maior entre as capitais e superior ao de São Paulo e do Rio de Janeiro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

A trajetória combina expansão urbana, descentralização comercial e vínculo financeiro com a renda gerada no campo, em um quadro que ajuda a explicar por que a capital figure hoje como referência em indústria e incorporação imobiliária no Centro-Oeste.

O que aconteceu

Nos primeiros anos, construção da cidade, administração pública e comércio puxaram a economia local, segundo Adriana Sousa, presidente do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO). Depois, a construção de Brasília, a malha rodoviária do Centro-Oeste e a expansão da agropecuária atraíram empresas e investimentos voltados à região, afirmou a economista ao g1.

A Pnad Contínua do segundo trimestre de 2026 descreve uma ocupação diversificada: 24% em serviços, comércio e mercado; 18,3% em ciências e ocupações intelectuais; 12% técnicos de nível médio; 11,7% trabalhadores qualificados da construção e artes mecânicas; e 9,8% em ocupações elementares. O comércio, outrora concentrado no Centro e em Campinas, se espalhou — marco citado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Goiânia é a inauguração do Shopping Flamboyant em 1981, seguida pelo Goiânia Shopping em 1995.

Na indústria, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) destaca alimentos (lácteos e frigoríficos, inclusive unidade histórica do grupo JBS na região Noroeste) e a moda ligada à Região da 44, descrita pela Assessoria Empresarial da Região da Rua 44 (AER44) como o segundo maior polo de confecção e distribuição do Brasil, com mais de 13 mil pontos de venda. No imobiliário, a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) afirma que o mercado goiano é o terceiro maior do país; o segmento responderia por mais de 10% da arrecadação anual do município, e a construção civil, por 20% da força laboral industrial. Superintendente do IBGE em Goiás, Edson Roberto Vieira liga parte da demanda por imóveis de luxo à renda agropecuária investida na capital.

Serviços de saúde de alta complexidade e a fundação da Universidade Federal de Goiás (UFG) em 1960 entram no relato como pilares de formação e atendimento regional. Em 14 anos, o rendimento médio mensal subiu de R$ 4.053 (segundo trimestre de 2012) para R$ 5.496 — alta de 35,6%, segundo a mesma pesquisa do IBGE.

Impacto na prática

Na vida cotidiana, a mudança pode se traduzir em mais opções de emprego fora do agro puro — comércio de bairro, shoppings, confecção, construção e serviços de saúde e educação —, além de renda média que, nos dados oficiais, supera a de metrópoles maiores. Quem compra ou aluga pode sentir o peso de um mercado imobiliário aquecido; quem vende ou se formaliza no varejo pode enfrentar concorrência de redes e do modelo atacarejo, consolidado no estado nas últimas décadas, segundo a Associação Goiana de Supermercados (Agos).

Em tese, um país que concentra renda agropecuária em poucas capitais intermediárias pode ver pressões semelhantes: verticalização urbana, migração de demanda por serviços especializados e disputa por mão de obra qualificada. Especialistas ouvidos pelo g1 apontam, ainda, modernização via inteligência artificial (IA) — sistemas que aprendem padrões e automatizam tarefas —, citando o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) da UFG entre as três maiores instituições de ensino na área. Isso pode alterar rotinas no comércio e nos serviços, mas o ritmo e o alcance dessa transição permanecem abertos.

Se a diversificação descrita se mantiver e a produtividade acompanhar a capacitação, Goiânia pode reforçar seu papel de hub econômico do Centro-Oeste; se a renda do campo e a incorporação desacelerarem, o ciclo imobiliário e parte da indústria ligada a esses fluxos podem sentir o impacto — hipótese que os próprios números e depoimentos da reportagem deixam em aberto.

Fontes: GN economia BR 1d

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