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Healey promete centenas de milhões em IA no orçamento britânico para reforçar segurança

Healey promete centenas de milhões em IA no orçamento britânico para reforçar segurança

Chanceler britânico anuncia pacote de IA no Orçamento de quarta-feira, com aportes ao instituto de segurança, chips em Edimburgo e laboratório de biossegurança.

Ilustração: Yaroslav Shuraev (Pexels)

O chanceler do Tesouro britânico, John Healey, afirmou que usará o Orçamento de quarta-feira para mobilizar a inteligência artificial (IA) em favor da segurança e da prosperidade do Reino Unido, diante do que descreveu como uma corrida tecnológica global acelerada. Em sua estreia no comando das contas públicas, o ministro disse que o governo de Andy Burnham compromete centenas de milhões de libras a uma abordagem “distintivamente britânica” da fronteira tecnológica.

Segundo reportagem do The Guardian publicada neste sábado (24), Healey prometeu o maior investimento já feito pelo país para proteger o Estado contra riscos cibernéticos e o potencial disruptivo da IA. O pacote inclui novo aporte ao AI Security Institute e a outras instituições consideradas críticas, além de recursos públicos para usos considerados benéficos da tecnologia.

O anúncio ocorre três meses após Burnham assumir o cargo de primeiro-ministro, num cenário em que a guerra no Oriente Médio pressiona as finanças públicas e reacende a crise do custo de vida. Healey também quer dar “espaço para respirar” a famílias e empresas diante da alta dos custos de energia ligada ao conflito.

O que aconteceu

No discurso que antecede a declaração de gastos e impostos, o chanceler posicionou a IA como eixo do plano trabalhista de crescimento: elevar padrões de vida, apoiar empresas britânicas e sustentar a expansão econômica. Dados oficiais citados pela reportagem apontam que o investimento em IA ajudou o Reino Unido a superar projeções pessimistas e a registrar o desempenho de crescimento mais forte do G7 no primeiro semestre deste ano, mesmo com a guerra no Irã elevando a inflação e abalando a confiança empresarial.

“A IA transformará o dia a dia: toda empresa, comunidade, hospital, escola e cada aspecto da nossa economia pode se beneficiar”, afirmou Healey. Em seguida, acrescentou que compartilha as preocupações dos trabalhadores e que a abordagem britânica “não deixa os trabalhadores para trás”, defende o interesse nacional e busca espalhar os ganhos do crescimento habilitado por IA pelo país.

Entre as medidas, o Tesouro indicou investimentos em desenho de chips de IA em Edimburgo e um Centro de Excelência em IA em Manchester. O governo também destinaria 10 milhões de libras por ano a estudos sobre como a tecnologia redesenha empregos e indústrias. Em paralelo, até 300 milhões de libras em investimento público-privado respaldariam um novo Laboratório de Biossegurança de IA, descrito como instituição de ponta contra ameaças biológicas emergentes.

A reportagem liga à expansão da IA episódios recentes: sites em vários países ficaram fora do ar nesta semana após uma vulnerabilidade grave em uma linguagem de programação usada em grande parte da web; e o banco Barclays anunciou o corte de 5 mil postos, em planos nos quais a adoção de IA aparece como fator de eficiência. Healey disse querer reduzir a dependência britânica de outros países que avançam na área, nutrindo negócios e talentos domésticos.

Na sexta-feira, tensões no Golfo levaram o petróleo ao maior patamar em seis meses, acima de US$ 117 o barril em determinado momento. O ministro da Defesa, Wes Streeting, alertou na quinta-feira para que lares se preparem para riscos climáticos, cibernéticos ou outras emergências, na campanha Be Ready, com estoques para 72 horas. O ministro da Segurança, Dan Jarvis, afirmou que o investimento ajuda o país a fortalecer a segurança nacional e a ficar “um passo à frente” de quem busca usar a IA para causar dano.

Impacto na prática

Na vida cotidiana britânica, o pacote pode se traduzir em mais recursos para órgãos que monitoram riscos digitais e biológicos, e em iniciativas em Manchester e Edimburgo voltadas a pesquisa e chips. Em tese, o fundo anual de 10 milhões de libras sobre o futuro do trabalho pode oferecer um canal público para acompanhar deslocamentos de emprego ligados à automação — sem garantir que perdas como as anunciadas pelo Barclays deixem de ocorrer.

Para o Reino Unido, o Orçamento de quarta-feira pode marcar uma aposta fiscal em IA como motor de crescimento e escudo de segurança, num momento em que choques energéticos já apertam o orçamento das famílias. Em hipótese, o desfecho dessa linha pode influenciar o debate internacional sobre quanto Estado deve investir para capturar ganhos da tecnologia sem amplificar riscos cibernéticos e de biossegurança.

Com o governo de Burnham ainda em fase inicial e o petróleo sob pressão, o discurso de Healey coloca a IA no centro da resposta britânica a um cenário externo volátil. Se o pacote avançar como anunciado, o país pode tentar equilibrar estímulo econômico e contenção de ameaças; o alcance concreto, contudo, só poderá ser avaliado após a apresentação formal do Orçamento.

Fontes: The Guardian Business

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