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Golfo deve encolher 4,8% em 2026, quase no nível do choque da Covid, diz FMI

Golfo deve encolher 4,8% em 2026, quase no nível do choque da Covid, diz FMI

Economias do Golfo devem contrair 4,8% neste ano, com atividade não petrolífera em queda em quatro países, surplus em queda e Bahrein sob maior pressão fiscal.

Foto: Rô Acunha (Pexels)

As economias do Golfo devem encolher 4,8% neste ano, um tombo quase tão intenso quanto o choque da Covid-19, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). A leitura veio de Dubai, pela voz de Jihad Azour, diretor do Departamento do Oriente Médio e Ásia Central da instituição.

O quadro combina produção de energia, navegação, turismo, comércio e confiança sob pressão do conflito em curso. A atividade não petrolífera, métrica acompanhada de perto por empresas da região, recua em quatro países, enquanto as reservas financeiras do bloco perdem folga.

O que aconteceu

Em declaração a jornalistas em Dubai, Azour afirmou que o conflito “interrompeu a produção de energia, o transporte marítimo, o turismo, o comércio e a confiança”. O diagnóstico, publicado nesta sexta-feira (23) pela Semafor, coloca o conjunto das economias do Golfo em contração de 4,8% em 2026, em linha com a magnitude vista no impacto da pandemia.

Além da queda agregada, a produção não petrolífera está em retração em quatro países. Esse indicador costuma sinalizar o ritmo do setor privado e dos serviços, e sua fraqueza reforça a leitura de um choque mais amplo do que um simples abalo nos preços do petróleo.

Os amortecedores financeiros também enfraquecem. O superávit em conta corrente da região deve estreitar-se para 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 5% no ano passado. Ao mesmo tempo, o déficit fiscal combinado deve se ampliar para 2,3%, vindo de 0,8%, conforme as projeções do FMI citadas na reportagem.

Omã aparece como exceção. O país teria implementado reformas econômicas antes da guerra e permanece relativamente poupado dos efeitos do conflito, segundo a mesma cobertura. No outro extremo está o Bahrein, o menor exportador de petróleo do Golfo e historicamente dependente do apoio dos vizinhos.

Com a dívida acima de 150% do PIB e reservas cambiais 50% menores desde março, o reino estaria em conversas sobre uma injeção de liquidez liderada pelos Emirados Árabes Unidos, segundo a Semafor, que atribui o relato à Asharq Bloomberg. O quadro sugere que o menor produtor da região concentra o maior estresse fiscal e externo.

O que isso pode mudar

Se o conflito for resolvido, a atividade não petrolífera poderia voltar a crescer 4,5% em 2027, segundo o cenário do FMI. A recuperação, porém, permanece condicional. Sem alívio geopolítico, a combinação de contração, surplus menor e déficit maior pode alongar o ajuste nas contas públicas e no acesso a financiamento externo.

Para empresas e investidores, o foco tende a migrar da mera cotação do petróleo para a resiliência da economia não petrolífera e para a capacidade de cada país preservar buffers. Omã ilustra, no relato atual, o ganho de ter reformado antes do choque. O Bahrein, com dívida elevada e reservas em queda acentuada, pode precisar de apoio regional para estabilizar as contas — hipótese ainda atrelada a conversas reportadas, não a um acordo confirmado na peça da Semafor.

No curto prazo, o risco é que a perda de confiança e as interrupções em energia, logística e turismo reforcem um ciclo de crescimento mais fraco e contas externas menos folgadas. No médio prazo, a divergência entre países que chegaram ao conflito com reformas avançadas e aqueles mais dependentes de socorro externo pode redesenhar a hierarquia fiscal do Golfo — desde que os números do FMI se confirmem ao longo do ano.

Fontes: Semafor

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