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Välimäki cita liquidez de 2,1 tri e pede coragem para não agir cedo demais

Välimäki cita liquidez de 2,1 tri e pede coragem para não agir cedo demais

Membro do Banco da Finlândia diz que o Eurosistema, com cerca de 2,1 trilhões de euros em liquidez excessiva, avança a um modo operacional puxado pela demanda e precisa tolerar alguma volatilidade.

Foto: Bombeiros MT (Pexels)

O membro do conselho do Banco da Finlândia Tuomas Välimäki argumentou, em discurso publicado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), que a transição do Eurosistema para um modo operacional puxado pela demanda exige tolerar movimentos de mercado que, sob liquidez abundante, seriam logo suavizados. O texto, ligado a um evento em Helsinque em 14 de outubro de 2026, trata do “encanamento” da política monetária — como a postura desejada chega aos mercados de curto prazo —, e não do nível das taxas de juro em si.

Segundo o orador, após a decisão de março de 2024 do Conselho do Governo do Banco Central Europeu (BCE), a taxa da facilidade de depósito (DFR) segue a sinalizar a postura, os mercados redistribuem mais a liquidez e os bancos obtêm reservas de forma elástica nas operações padrão de refinanciamento. Com liquidez excessiva ainda perto de 2,1 trilhões de euros, o sistema ainda se comporta como um piso impulsionado pela oferta — mas essa era estaria gradualmente a terminar.

O que aconteceu

No dia em que o Banco da Finlândia divulgava três artigos sobre implementação da política monetária, Välimäki perguntou como será a transição na prática. A mensagem central: um quadro genuinamente puxado pela demanda exige deixar preços e atividade revelarem a procura dos bancos por reservas. À medida que as carteiras de política se reduzem, é provável algum aumento das taxas do mercado monetário face à DFR e algum regresso da volatilidade — o que não deve ser lido automaticamente como falha.

Há uma tensão explícita. O Eurosistema deve permanecer pronto a intervir se o funcionamento do mercado ou a transmissão se deteriorarem. Se cada oscilação for suavizada depressa demais, o ajustamento de que o novo modo depende pode ser minado. Välimäki contrapõe essa lógica à memória de Ben Bernanke em “The Courage to Act”: o desafio atual seria outra coragem — a de não agir prematuramente —, com monitorização estreita e comunicação clara, sem passividade.

Nas taxas, o quadro ainda é assimétrico. Taxas overnight sem garantia, como a taxa de curto prazo do euro (€STR), negociam abaixo da DFR, enquanto muitas taxas de repo se aproximaram da DFR e, por vezes, ficaram ligeiramente acima. A divergência, disse, não é por si uma anomalia. A taxa das operações principais de refinanciamento (MRO) está 15 pontos-base acima da DFR; com reservas menos abundantes, o empréstimo ao banco central deve tornar-se atrativo — e o uso regular dessas operações não deve ser lido como sinal de stress bancário, mas como gestão normal de liquidez.

A participação nas operações padrão aumentou sem subida material do volume agregado de empréstimos, sugerindo preparação mais do que procura genuína por reservas. Há estimativas de procura, mas a incerteza seria grande demais para fixar ex ante o tamanho “certo” do balanço do Eurosistema — daí o desenho com atribuição total a taxa fixa, desde que haja colateral elegível suficiente.

O que isso pode mudar

Se a transição seguir o guião descrito, mercados privados tenderiam a recuperar um papel maior na redistribuição de liquidez, com algum ruído a mais depois de anos de volatilidade comprimida. Isso poderia implicar movimentos gradualistas entre taxas garantidas e não garantidas e uso mais rotineiro do refinanciamento quando os preços relativos o justificarem.

O limiar de ação, na leitura do orador, não seria o facto de as taxas se moverem, e sim se esses movimentos se tornarem desordenados, fragmentarem mercados ou prejudicarem de forma duradoura a transmissão da postura pretendida. Injeções discricionárias repetidas ou um estreitamento precoce do corredor de juros poderiam enfraquecer a redistribuição privada e impedir que o quadro se torne genuinamente puxado pela demanda. Em hipótese, Helsinque aponta para uma fase em que a paciência diagnóstica vale tanto quanto a prontidão para agir, com indicadores além de uma só taxa overnight — volumes, dispersão, participação nas operações do Eurosistema e transmissão ao longo da curva, do overnight indexed swap ao Euribor.

Fontes: BIS Speeches

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