Gonet pede respeito às urnas após reeleição de Lula e MP registra 43,8 mil ações

No TSE, o PGR Paulo Gonet afirmou que o respeito ao resultado das urnas fortalece a democracia. Lula foi reeleito com quase 52% dos votos válidos; o MPF atuou em 43,8 mil ações no pleito de 2026.
Ilustração: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
No encerramento do segundo turno das eleições de 2026, o procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, declarou neste domingo, 25, que a atuação do Ministério Público no pleito buscou assegurar a liberdade de escolha dos eleitores e o respeito ao resultado das urnas. O balanço foi apresentado em coletiva na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.
Mais de 128 milhões de brasileiros voltaram às urnas para eleger presidente e vice-presidente da República, além dos governadores de cinco estados e do Distrito Federal. Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com quase 52% dos votos válidos para um mandato de quatro anos.
Segundo a Exame, mais de 3 mil procuradores e promotores eleitorais participaram da fiscalização em todo o país. Na mesma coletiva, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, agradeceu ao Ministério Público e às demais instituições responsáveis pela fiscalização e avaliou que a eleição foi bem-sucedida, destacando o comparecimento dos eleitores.
O que aconteceu
Gonet, que também exerce a função de procurador-geral eleitoral, afirmou que o Ministério Público atuou na fiscalização das etapas da eleição e no combate a irregularidades. “A democracia se fortalece quando as regras são cumpridas e cada pessoa pode exercer seu direito de escolha de forma livre. O respeito à vontade manifestada nas urnas fortalece as instituições democráticas e garante legitimidade à representação política”, declarou.
Kassio Nunes Marques reforçou o protagonismo do eleitorado. “Esta noite pertence ao eleitor e à eleitora, protagonistas das eleições e destinatário de todo o trabalho realizado pela Justiça Eleitoral”, disse o ministro.
O Ministério Público Federal (MPF), que integra o Ministério Público Eleitoral (MPE), registrou atuação em 43,8 mil ações relacionadas às eleições de 2026. O balanço inclui mais de 37 mil pareceres, 3,4 mil novas ações e 3,2 mil recursos contra decisões judiciais. A Procuradoria-Geral Eleitoral e as procuradorias de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Espírito Santo concentraram a maior parte das ações e dos recursos apresentados.
Entre sexta-feira, 23, e domingo, 25, o órgão reforçou a fiscalização e emitiu mais de 700 manifestações em processos judiciais. No período, também apresentou 22 novas ações e 65 recursos eleitorais. Os casos envolveram suspeitas de irregularidades na propaganda na internet e nas redes sociais, distribuição de santinhos, disseminação de notícias falsas, transporte de eleitores, boca de urna, abuso de poder e condutas vedadas a agentes públicos. O acesso às urnas de indígenas e povos tradicionais também recebeu atenção durante o fim de semana, conforme o relato da Exame.
Impacto na prática
O quadro institucional descrito na coletiva pode, em tese, influenciar a percepção de legitimidade do novo mandato presidencial e das eleições estaduais concluídas neste segundo turno. Quando autoridades da Justiça Eleitoral e do Ministério Público publicizam o volume de fiscalização e pedem respeito explícito ao resultado das urnas, o sinal enviado ao eleitorado e aos demais poderes é de que o processo foi acompanhado de perto — o que, em hipótese, pode reforçar a aceitação social da apuração e reduzir ruídos sobre a validade do pleito.
Na vida cotidiana, os números apresentados — dezenas de milhares de manifestações, pareceres e recursos — sugerem, nos termos do próprio balanço, que irregularidades como desinformação em redes, transporte irregular de eleitores ou abuso de poder foram objeto de resposta institucional ao longo da campanha e do fim de semana da votação. Isso não elimina, por si só, conflitos futuros, mas pode afetar a confiança de cidadãos, investidores e interlocutores internacionais na estabilidade das regras democráticas brasileiras, caso o clima pós-eleitoral se oriente pelo cumprimento das normas e pelo reconhecimento do resultado.
Em escala de país, a combinação de reeleição com quase 52% dos votos válidos, comparecimento destacado pelo TSE e discurso de reforço institucional do PGR pode, em tese, contribuir para um ambiente de transição política mais previsível do ponto de vista jurídico-institucional — sem garantir, contudo, consenso político nem estabilidade automática nos mercados ou na agenda legislativa, temas que fogem ao escopo do balanço apresentado neste domingo.
À medida que o país absorve a confirmação do quarto mandato de Lula e o encerramento do segundo turno em cinco estados e no Distrito Federal, o pedido de Gonet pelo respeito à vontade das urnas e o balanço de 43,8 mil ações do MPF funcionam, segundo a narrativa oficial na sede do TSE, como marco de encerramento da fiscalização eleitoral. Se esse enquadramento for assimilado pelos demais atores públicos, a hipótese que emerge das declarações é a de um reforço simbólico das instituições — e não a de um desfecho político já definido além do que as urnas registraram.
Fontes: Exame
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