Governador do BSP eleva juros em 75 pontos e defende meta de 3% na FINEX

Eli M. Remolona Jr. descreve choques de 2022 e Ormuz em 2026, o golpe duplo do petróleo com dólar forte e o papel da independência do banco central filipino.
Foto: Mindaugas Skrupskelis (Pexels)
O governador do Bangko Sentral ng Pilipinas (BSP, o banco central das Filipinas), Eli M. Remolona Jr., enviou uma mensagem à 58ª Conferência Anual do Financial Executives Institute of the Philippines (FINEX), em Manila, em 9 de outubro de 2026. O texto foi divulgado pelo Bank for International Settlements (BIS, o Banco de Compensações Internacionais).
Remolona reforçou que a estabilidade de preços é o mandato principal da autoridade monetária e argumentou que ela favorece o crescimento sustentado. Disse ainda que, em pesquisas de bem-estar entre os mais pobres, a baixa inflação aparece como o principal indicador.
O que aconteceu
Na mensagem, o governador descreveu anos difíceis para a inflação. Citou o choque após o início da guerra na Ucrânia, em 2022, que elevou preços de petróleo e de alimentos — estes últimos também por causa de fertilizantes ligados ao petróleo. Em março de 2026, apontou o chamado choque de Ormuz, com nova alta de energia e alimentos e efeitos de segunda rodada na inflação núcleo.
Algo incomum, segundo ele, marcou aquele mês: o petróleo subiu e o dólar norte-americano também se fortaleceu frente a um conjunto de moedas principais, medido pelo índice XY. Em condições mais típicas, alta do petróleo costuma coincidir com dólar mais fraco. O resultado, no câmbio local, foi um peso filipino mais fraco — o que Remolona chamou de “double whammy”, ou golpe duplo, com impacto relevante na inflação.
Sobre a política monetária, explicou que o instrumento central é a taxa de política overnight, e que a comunicação — a orientação futura, ou forward guidance — influencia toda a curva de juros, o investimento e o consumo. Lembrou que, no passado, o controle da oferta de moeda era o caminho preferido; a partir dos anos 1990, o uso de juros mostrou-se mais confiável e eficaz para o mesmo objetivo.
Neste ano, o BSP elevou a taxa de política três vezes, em 25 pontos-base cada, totalizando 75 pontos-base. As decisões, disse, olham além da inflação corrente: cenários como nova alta do petróleo e riscos ligados ao El Niño, além de expectativas de inflação de analistas, famílias e empresas. Com credibilidade do banco, as expectativas apontariam para 5,3% em 12 meses, 4% em 24 meses e 3,3% em 36 meses — em direção à meta de 3%, o “ponto doce” para uma economia em crescimento como a filipina, distinta da meta de 2% de economias desenvolvidas como a dos Estados Unidos.
Remolona encerrou lembrando a independência do banco central: o público pode desejar juros baixos, peso forte e inflação baixa ao mesmo tempo, mas a autoridade precisa fazer o que considera correto para a economia, inclusive medidas impopulares.
O que isso pode mudar
Se as expectativas seguirem ancoradas perto da meta, o ciclo de altas poderia ajudar a conter efeitos de segunda rodada sem exigir aperto ainda mais agressivo. Caso cenários adversos — novo choque energético ou um El Niño severo — se materializem e as expectativas se desancorem, o BSP poderia manter viés restritivo por mais tempo.
Para executivos financeiros reunidos na FINEX, a mensagem sugere que o custo do crédito e o ambiente de investimento devem continuar sensíveis à trajetória da taxa overnight e à comunicação do banco. A ênfase na independência também pode reforçar a percepção de que decisões de juros não serão calibradas para agradar o mercado no curto prazo, e sim para preservar a estabilidade de preços como base do crescimento.
Fontes: BIS Speeches — Message for the 58th Annual FINEX Conference (Eli M. Remolona Jr.)
Fontes: BIS Speeches
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