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Harry Styles e Celine Dion impulsionam onda de residências musicais

Harry Styles e Celine Dion impulsionam onda de residências musicais

Temporadas longas no mesmo palco atraem estrelas pop, economizam turnê e tensionam o preço do ingresso para fãs fora das grandes cidades.

Foto: Elias Jara (Pexels)

Dezenas de milhares de fãs lotam o Madison Square Garden, em Nova York, a cada noite da residência de 30 datas de Harry Styles, com encerramento previsto para o fim de semana do Halloween. O formato, que a Fast Company descreve como um momento forte do pop, já não é visto só como “última parada” de carreira em Las Vegas.

Ao lado de Celine Dion — que iniciou uma série nos arredores de Paris após o diagnóstico de síndrome da pessoa rígida — artistas mais jovens e turnês concentradas em poucas cidades reforçam shows longos no mesmo endereço, com ganhos de produção, saúde do elenco e turismo local, segundo a Associated Press republicada pela revista.

O que aconteceu

A temporada atual de Styles no Garden sucede a corrida de 2022, quando fez 15 noites consecutivas na mesma arena. Em Las Vegas, residências que um dia sugeriam aposento precoce atrairam Usher, Katy Perry e Lady Gaga. Em 2024, Adele montou dez datas em Munique. No ano passado, a temporada de 31 shows de Bad Bunny em Porto Rico gerou mais de US$ 200 milhões e ajudou a impulsionar a economia da ilha, conforme a Fast Company.

Dion detém o recorde da residência de maior bilheteria em Las Vegas. Em 16 anos e 1.141 apresentações — as séries “A New Day …” e “Celine” —, faturou US$ 681,3 milhões, segundo a Billboard citada na reportagem. John Meglen, co-CEO da Concerts West e envolvido nas temporadas em Vegas e na França, lembra que no início “a maioria achava que estávamos loucos”: cerca de 200 shows por ano, 40 semanas e cinco apresentações semanais.

Mitch Rose, chefe de turnês na América do Norte da Creative Artists Agency e representante de Styles, situa a origem do modelo na Las Vegas dos anos 1960, com Frank Sinatra e Tony Bennett. Hoje, diz, o público trata a residência como festival de destino — “pense no Coachella” — e destaca que o Garden foi o único endereço dos Estados Unidos anunciado para Styles em 2026.

Usher apontou à Associated Press a estabilidade em Las Vegas, com filhos e rotina. Rose fala em cuidado com a saúde mental ao evitar aviões e ônibus. Meglen destaca a economia de transportar produção e equipe. O Sphere, em Las Vegas — tela de LED de cerca de 157 metros de largura e cerca de 17,5 mil assentos — ilustra espetáculos que não precisam viajar o mundo; em 2026, Carín León tornou-se o primeiro artista latino a ter residência no local.

Há tensão no preço. Fãs de Styles pagam de menos de US$ 100 a US$ 1.000 pelo ingresso, sem contar viagem. A fotógrafa Sara Feigin questiona por que uma temporada longa no mesmo local ainda custa centenas de dólares. Um representante de Styles não comentou. Em eventos Ticketmaster, o valor de face é definido pelo organizador, lembra a matéria.

O que isso pode mudar

Se a tendência se sustentar, o mapa das grandes turnês pode continuar a encolher em número de cidades e a crescer em noites por praça. Meglen defende que a turnê tradicional siga existindo e vê nas residências um “respiro” para outros mercados, o que poderia aquecer a demanda futura. Rose avalia que mercados grandes — Los Angeles, Las Vegas e Nova York — devem seguir na frente; Paris é o maior mercado de Dion no mundo, segundo Meglen.

Para fãs longe desses eixos, o deslocamento tende a pesar mais no orçamento. Para cidades-sede, o modelo pode ampliar turismo e encontros de fãs, no clima de festival descrito por Rose. Ele resume: as residências “estão tendo um momento” e, enquanto houver Las Vegas ou um ato capaz de lotar arenas por várias noites, o formato não deve desaparecer — ainda que o debate sobre quem captura a economia de escala continue aberto.

Fontes: Fast Company

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