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Hollywood ensina a contratar e dirigir equipes na era da inteligência artificial

Hollywood ensina a contratar e dirigir equipes na era da inteligência artificial

Egor Dubrovsky, na Fast Company, usa o set de cinema para defender provas práticas, gestores-diretores e julgamento humano diante da IA.

Ilustração: Yaroslav Shuraev (Pexels)

Um artigo publicado nesta quarta-feira (28) na Fast Company argumenta que a experiência de sets de Hollywood oferece um manual prático para líderes que precisam contratar e gerir equipes em meio à expansão da inteligência artificial (IA).

Assinado por Egor Dubrovsky — que passou mais de uma década como assistente de direção e os últimos seis anos desenvolvendo ferramentas de IA para a pré-produção —, o texto liga a disrupção tecnológica do cinema à pressão atual sobre currículos, gestão e julgamento humano.

O que aconteceu

Segundo Dubrovsky, a IA já tornou obsoletas competências que até ontem eram valorizadas. Ele cita a expectativa de que, até 2030, cerca de 70% das habilidades usadas na maior parte dos empregos mudem, com a IA como principal catalisador. Em Hollywood, diz o autor, esse tipo de choque tecnológico não é novidade: telas de LED no lugar de cenários físicos, estabilizadores eletrônicos que mudaram o ofício da câmera e ferramentas digitais de scouting que permitem escolher locações sem visitá-las já redefiniram funções ao longo de décadas.

A primeira lição que ele traz para o mundo corporativo é avaliar candidatos pelo “highlight reel”, e não só pelo currículo. No cinema, lembra, o elenco não se define apenas por status ou anos de carreira — há testes, interpretação do papel e adequação ao personagem. Se a lógica fosse só a do currículo longo, ironiza, Tom Cruise poderia estar no lugar de Tom Holland como o Homem-Aranha adolescente. Na era da IA, argumenta, juniores com um ano de experiência prática podem usar as ferramentas melhor do que veteranos com duas décadas no setor.

A segunda recomendação é deixar de contratar “delegadores” e passar a buscar “diretores”. Nos sets, os melhores diretores não apenas distribuem tarefas: reposicionam atores e objetos, reescrevem falas e pedem novos ângulos até a cena refletir a visão. No escritório, muitos gestores ainda entregam o trabalho e carimbam o resultado. Com IA, isso seria insuficiente. A tecnologia, escreve Dubrovsky, costuma precisar de revisão de fontes, checagem de alucinações, ajuste de prompts e iterações — ou seja, de alguém que dirija o processo, e não só o delegue.

A terceira tese é que a IA não substitui o toque humano. Algoritmos já replicam habilidades técnicas com velocidade e custo menores, o que, na visão do autor, valoriza ainda mais julgamento, criatividade e gosto: saber quando um resultado ultrapassa um limite, se uma ideia emociona o público ou se parece genérica. Ele aponta, como contraste recente no cinema, elogios a construções físicas em produções que apostaram no real e críticas a filmes em que efeitos gerados por IA foram detectados pelo público e pela imprensa especializada.

O que isso pode mudar

Se a leitura de Dubrovsky ganhar eco entre gestores, processos seletivos podem migrar de filtros por tempo de carreira para provas práticas, “audições” de uso de IA e alinhamento com a direção do negócio. Empresas que ainda tratam a ferramenta como caixa-preta entregue a especialistas isolados podem, nessa hipótese, sentir pressão para formar líderes capazes de editar, questionar e iterar saídas automatizadas.

Há também o risco de uma corrida mal calibrada: organizações que tentarem automatizar até o julgamento humano — algo que o autor já vê em parte do mercado — podem perder diferenciação criativa e confiança do público, como sugere a reação a usos mal resolvidos de IA na tela. Em linha com o argumento da Fast Company, o diferencial competitivo tenderia a migrar da execução rotineira para critérios que máquinas ainda não dominam com segurança.

Para o mundo dos negócios, o recado é menos sobre glamour de set e mais sobre disciplina. Hollywood sobreviveu a ondas tecnológicas porque, no relato de Dubrovsky, continua premiando quem combina técnica atualizada com visão de direção. Na era da IA, essa combinação — capacidade demonstrável agora, gestão ativa do processo e sensibilidade humana — pode se tornar o padrão mínimo de liderança, e não um diferencial de nicho.

Fontes: Fast Company

Leia mais em: www.mundodosnegocio.com.br

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