Microsoft redesenha Copilot e busca IA própria com acelerador interno

Microsoft unifica Copilot, cria acelerador de IA e mira modelos próprios; Autopilot e 30 mi de assentos pagos entram no plano.
Ilustração: Michael Wang (Pexels)
A Microsoft está costurando produtos, times e modelos numa estratégia mais própria de inteligência artificial (IA), depois de anos em que a parceria com a OpenAI concentrava o impulso. Em reportagem desta quarta-feira (28), a Fast Company traz o CTO Kevin Scott, o CEO de IA Mustafa Suleyman e outros executivos sobre acelerador interno, geração de código e agentes sob medida.
O eixo não é só um recurso no Office. É reorganizar o Copilot, afrouxar a dependência de um único parceiro e tornar a IA generativa rotina — ainda sem data de lançamento geral do app unificado.
O que aconteceu
Segundo a Fast Company, no ano passado a Microsoft passou a montar uma estratégia mais disciplinada e independente de IA, enquanto o acordo com a OpenAI sofreu revisões e ficou menos central. Jacob Andreou, vice-presidente executivo do Copilot, diz que “o último ano e meio tem sido a história de costurar tudo isso”. Ele chegou em fevereiro de 2025 para o Copilot consumidor; depois, a liderança foi reorganizada em torno de um único “super app”. Partes estão em prévia privada no programa Frontier, sem data de disponibilidade geral.
Charles Lamanna, EVP de Microsoft Copilot, Agents and Platform, afirma que o novo app “será o fim do Copilot-palooza”. Na visão dele, haverá um Copilot para vida pessoal e trabalho, atravessando Chat, Code, Cowork e Autopilot, e aparecendo no Word, Excel e PowerPoint com interfaces distintas, mas o mesmo núcleo. Suleyman, CEO da Microsoft AI desde 2024, concentra-se em modelos de fronteira internos: a missão, segundo ele, é a autosuficiência, com modelos afinados aos produtos da casa.
Pesquisa do Stack Overflow citada na reportagem aponta que cerca de 71% dos desenvolvedores usam o Visual Studio Code; mais de 225 milhões usam o GitHub, comprado em 2018; o Microsoft 365 passa de 500 milhões de usuários e o Windows 11, de um bilhão. Na teleconferência de julho, Satya Nadella disse que o Microsoft 365 Copilot ultrapassou 30 milhões de assentos pagos, ante 20 milhões em abril. Em fevereiro, só 18% preferiam o Copilot se a empresa também oferecesse ChatGPT, segundo pesquisa citada. Lamanna mira 400 a 500 milhões de usuários e brinca em ser “o Costco da IA”.
No início de 2025, Nadella criou um acelerador de IA liderado por Will Guyman: reunião semanal no Teams, com cerca de 130 a 170 participantes de várias unidades, e um canal com cerca de mil membros. Dali saiu o impulso de Omar Shahine — antes VP do Word — a agentes sobre OpenClaw. O primeiro, antes Scout, virou Autopilot: nuvem 24 horas, mais segurança e acesso pelo Copilot unificado. Uma versão interna chegou a 40 mil usuários ativos semanais, com retenção de 77% semana a semana. Um estudo citado indica que 42% dos desenvolvedores já geram pelo menos metade do código com IA; Andreou estima que mais de 90% do trabalho diário de um engenheiro de dois anos atrás o modelo já faz bem — e o gargalo migra para colaboração e revisão.
O que isso pode mudar
Se unificação e modelos próprios avançarem, a Microsoft pode deixar de parecer só intermediária da OpenAI e disputar chat, código, cowork e agentes — na hipótese otimista, perto da escala do Office. Ainda assim, 30 milhões de assentos pagos estão longe da base que justificaria o investimento atual, e a preferência frente ao ChatGPT sugere que assento pago não garante uso preferencial.
Acelerador e Autopilot podem levar agentes a equipes não técnicas; a reportagem registra adoção interna forte fora da engenharia. Por outro lado, a Fast Company lembra que grandes empresas entram e saem de moda em inovação e cita o fechamento da Garage, segundo o The Verge. A consolidação num único “builder”, descrita por Lamanna, também pode tensionar carreiras. O desfecho depende de o app sair da prévia Frontier, de o Autopilot chegar com confiança de segurança e de a autosuficiência acompanhar a pressão de rivais.
Fontes: Fast Company
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