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Israel vota no dia 27 com empate apertado e oito cenários de governo

Israel vota no dia 27 com empate apertado e oito cenários de governo

Pesquisas projetam 52 a 50 entre oposição e Netanyahu; partidos árabes e o sistema proporcional podem decidir quem governa após 27 de outubro.

Ilustração: Leonid Altman (Pexels)

Israel vai às urnas em 27 de outubro para renovar os 120 assentos do Knesset, num pleito que, segundo a Al Jazeera, pode encerrar o longo domínio do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. É a primeira votação geral desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e a guerra subsequente em Gaza, com reflexos regionais.

Pesquisas recentes projetam 52 assentos para o bloco de oposição liderado por judeus e 50 para a aliança religioso-nacionalista de Netanyahu. Nenhuma força sozinha jamais conquistou a maioria absoluta de 61 cadeiras, e partidos de liderança palestina podem decidir quem governa.

O que aconteceu

O sistema de representação proporcional obriga alianças para formar governo. Derrotar Netanyahu nas urnas, destaca a reportagem, não garante removê-lo do poder: o primeiro-ministro depende de negociações pós-eleitorais.

Mesmo ligeiramente atrás nas sondagens, o Likud ainda pode montar maioria com aliados habituais — o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir (Poder Judaico) e o ministro das Finanças Bezalel Smotrich (Sionismo Religioso) — e com os ultraortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torá, que já entraram e saíram de coalizões, a última vez em 2025.

No fim de setembro, quatro partidos de oposição — Yashar, Democratas, Yisrael Beytenu e a aliança Together — firmaram um pacto de não agressão para tentar destituir Netanyahu, unidos em “preservar e fortalecer Israel como Estado judeu e democrático”. O bloco ainda não definiu quem chefiaria o governo; o ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot, líder do Yashar, é visto como o candidato mais provável, e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, à frente da Together com Yair Lapid, figura como outra opção.

A Lista Conjunta e o Ra’am, partidos árabes que representam cerca de 20% da população, projetam juntos cerca de 13 assentos. O Ra’am, liderado por Mansour Abbas, já integrou a coalizão de Bennett em 2021 e sinalizou disposição de repetir o arranjo; Eisenkot e a maior parte da oposição, contudo, descartaram essa aliança. A Lista Conjunta cogita um “rede de segurança” parlamentar a um governo anti-Netanyahu sem entrar no Executivo, cobrando condições como caminho a um Estado palestino e combate ao crime organizado — arranjo que deixaria a maioria frágil.

Outros desfechos listados pela Al Jazeera incluem governo de unidade nacional (como Netanyahu–Benny Gantz em 2020, ou a emergência pós-2023), premiership rotativa (ensaiada em 2020 e entre Bennett e Lapid), um primeiro-ministro diferente do mesmo campo político se as negociações travarem, ou novo impasse e outra eleição — cenário que, entre 2019 e 2022, se repetiu cinco vezes, com Netanyahu como interino até nova administração.

O que isso pode mudar

Se a oposição confirmar a vantagem estreita e fechar maioria sem Netanyahu, o país pode inaugurar uma coalizão centrada em Eisenkot ou Bennett, com prioridade declarada à identidade “judaica e democrática” do Estado — e tensão interna sobre eventual apoio árabe externo ou formal.

Caso Netanyahu recomponga a maioria religioso-nacionalista, a continuidade do atual eixo de poder parece o desfecho mais direto, ainda que dependente de ultraortodoxos e da extrema direita. Um governo minoritário ou de unidade, por sua vez, tenderia a ser mais instável e sujeito a rupturas, como já ocorreu após 2020.

Na hipótese de novo fracasso nas negociações, Israel voltaria a um ciclo de caretaker e nova ida às urnas. Em todos os caminhos, a aritmética dos cerca de 13 assentos árabes e o teto histórico abaixo de 61 cadeiras por partido sugerem que o resultado de 27 de outubro será menos um veredito imediato e mais o ponto de partida de barganhas que definirão quem ocupa o cargo — e por quanto tempo.

Fontes: Al Jazeera

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