Japão prepara missão MMX para trazer amostras de Fobos à Terra em 2031

Liderada pela JAXA, a Martian Moons eXploration deve chegar à região de Marte em 2027, pousar o rover Idefix em Fobos por volta de 2029 e retornar com ao menos 10 gramas de solo em 2031.
Ilustração: Victtor Daniel (Pexels)
O Japão se prepara para lançar uma missão espacial inédita destinada a coletar amostras de Fobos, uma das duas luas de Marte, e trazê-las à Terra pela primeira vez. Segundo reportagem da Exame publicada em 24 de outubro de 2026, o lançamento estava previsto para a terça-feira 20, a bordo do foguete japonês H3, sob liderança da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA).
Batizada de Martian Moons eXploration (MMX), a empreitada deverá durar cerca de cinco anos, com retorno previsto em 2031. O material coletado pode ajudar a esclarecer a origem de Fobos e de Deimos, a segunda lua marciana, e a fornecer pistas sobre a história do planeta vermelho.
Embora dezenas de missões tenham sido enviadas a Marte desde a década de 1960, suas luas seguem pouco exploradas. Tentativas anteriores de alcançar Fobos, inclusive uma missão russa lançada em 2011, não cumpriram seus objetivos.
O que aconteceu
A MMX deverá chegar à região de Marte por volta de agosto de 2027. Em seguida, a espaçonave passará aproximadamente três anos em observações e operações de exploração antes de iniciar o retorno à Terra. A missão conta com 13 instrumentos científicos desenvolvidos com participação de diferentes agências, incluindo a Nasa e instituições europeias.
Entre os equipamentos está o Idefix, pequeno veículo explorador feito em parceria pela França e pela Alemanha. O rover deverá pousar em Fobos por volta de 2029 e operar na superfície durante cerca de 100 dias, reunindo dados do terreno para ajudar a escolher áreas adequadas ao pouso da espaçonave e à retirada de amostras. A MMX também deverá observar Deimos em um sobrevoo.
Fobos tem cerca de 27 quilômetros de extensão no ponto mais largo e orbita Marte a aproximadamente 6 mil quilômetros, completando cerca de três voltas por dia. Duas hipóteses principais buscam explicar a formação das luas: a de que sejam asteroides capturados pela gravidade marciana e a de que tenham surgido de detritos lançados ao espaço após uma grande colisão envolvendo o planeta. A análise do solo de Fobos poderá ajudar a distinguir essas possibilidades.
Segundo a JAXA, cerca de 0,1% do material em Fobos pode ter origem em Marte, ejetado por impactos de asteroides. Assim, as amostras podem conter fragmentos do planeta sem exigir coleta direta na superfície marciana. A agência pretende trazer à Terra pelo menos 10 gramas de solo, em duas operações de pouso e com dois sistemas de amostragem: um da Nasa, que usa gás pressurizado para levantar poeira, e outro japonês, que perfura cerca de 2 centímetros de profundidade.
Um dos maiores desafios é a gravidade extremamente baixa de Fobos, equivalente a cerca de dois milésimos da terrestre. A espaçonave terá quatro pernas com absorção de choque; o Idefix foi projetado para se mover lentamente e recuperar a posição caso tombe. No retorno, as amostras viajarão em cápsula resistente ao calor, com previsão de pouso na Austrália e envio posterior ao Japão para análise.
Impacto na prática
Para o público interessado em ciência e exploração espacial, a missão pode ampliar o conhecimento sobre as luas de Marte e, em tese, sobre a história do próprio planeta vermelho, caso as amostras confirmem a presença de material marciano. Em hipótese, o Japão pode consolidar um papel de destaque na cadeia internacional de pesquisa aeroespacial ao liderar a MMX e concentrar a análise do material após 2031.
A previsão de pouso da cápsula na Austrália sugere, em tese, que o país possa integrar a etapa final de recuperação das amostras, enquanto França, Alemanha, Nasa e instituições europeias já participam do desenvolvimento de instrumentos e do rover. Segundo Yasuhiro Kawakatsu, gerente do projeto MMX, os dados coletados poderão ajudar a avaliar se uma das luas serviria como ponto de apoio para futuras expedições tripuladas a Marte. A espaçonave também leva um monitor de radiação para estudar condições que astronautas poderão enfrentar.
Se a MMX cumprir o cronograma e trouxer o solo de Fobos conforme planejado, o retorno em 2031 poderá oferecer, em hipótese, parâmetros mais concretos para o desenho de missões humanas ao entorno marciano — sem garantir, porém, que essas viagens venham a ocorrer no curto prazo.
Fontes: Exame
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