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Josh Shapiro surge forte para 2028, mas Axios aponta asterisco eleitoral

Josh Shapiro surge forte para 2028, mas Axios aponta asterisco eleitoral

Governador da Pensilvânia é visto como favorito dem para 2028; estrategistas questionam falta de rivais fortes e de teste sob ataque.

Ilustração: John Rapone (Pexels)

O governador da Pensilvânia Josh Shapiro chega à reta final da reeleição visto, segundo a Axios, como um dos nomes mais fortes do Partido Democrata para a presidência em 2028. O mesmo retrato traz um asterisco: estrategistas dos dois partidos questionam o quanto ele já foi realmente testado em campanhas duras e bem financiadas.

Shapiro acumula vitórias estaduais confortáveis no maior estado-pêndulo dos Estados Unidos. A dúvida é se esse currículo resiste a uma primária nacional com anúncios de ataque, pesquisa de oposição e rivais de bolsos fundos.

O que aconteceu

Na semana que vem, Shapiro disputa o segundo mandato de quatro anos. As pesquisas mais recentes, segundo a Axios, o colocam no ritmo de derrotar a republicana Stacy Garrity, tesoureira do estado, por dois dígitos. O abismo financeiro é ainda maior: a firma AdImpact aponta que Shapiro já gastou 42 milhões de dólares em propaganda, contra 3 milhões de Garrity.

Nos relatórios de campanha, o democrata arrecadou cerca de 64 milhões de dólares neste ciclo; a adversária, cerca de 11 milhões. A Associação dos Governadores Republicanos não entrou no ar para socorrê-la. O estrategista republicano Christopher Nicholas disse à Axios que a dinâmica "permitiu que Shapiro deslizasse com, essencialmente, uma campanha unilateral" e que muita gente vê nele um "queixo de vidro" por nunca ter engolido "um milhão de dólares de TV negativa numa semana".

O padrão se repete. Em 2022, Shapiro venceu Doug Mastriano, senador estadual de extrema direita visto como candidatura historicamente fraca até no establishment republicano. Mastriano gastou 2 milhões de dólares em anúncios; Shapiro e aliados, 55 milhões. Um grupo conservador externo aplicou 8 milhões e abandonou a corrida em setembro, depois que Shapiro abraçou cupons escolares. A associação de governadores republicanos ficou de fora.

Nas duas disputas pelo governo, Shapiro não enfrentou adversário nas primárias democratas. Como procurador-geral, em duas eleições, também gastou muito mais que os rivais. Aliados dizem que a oposição "de fachada" existe porque ele é formidável e afasta doadores republicanos. O publicitário Doc Sweitzer falou em talento para "escolher a batalha" e os adversários.

O porta-voz do governador, Manuel Bonder, respondeu que o foco é "vencer eleições na Pensilvânia e colocar um freio em Donald Trump" — e que isso é "mais difícil do que ficar em casa dando citações anônimas à Axios". O porta-voz de Garrity, Matt Beynon, rebateu que "nenhuma quantia de dinheiro curará as feridas que Josh Shapiro infligiu nos últimos quatro anos".

Um assessor democrata bem conectado sugeriu que, pela falta de teste, "é totalmente possível que ele tenha um queixo de vidro incrível — e que seja o Scott Walker de 2028". Walker, ex-governador de Wisconsin, parecia forte no papel e naufragou na primária republicana de 2016. Críticos lembram que, cotado a vice de Kamala Harris em 2024, Shapiro enfrentou cobertura dura — inclusive sobre um artigo de faculdade em que chamou palestinos de "demasiado voltados à batalha" para coexistir em paz com Israel — e que até apoiadores próximos acharam a resposta fraca.

O que isso pode mudar

Se o diagnóstico da Axios se confirmar, a força aparente de Shapiro para 2028 pode virar fragilidade quando o palco nacional exigir a prova de fogo que a Pensilvânia ainda não cobrou. Em uma primária de alto custo, a hipótese é que a ausência de milhões em ataques e de oposição pesquisada se transforme em risco — um asterisco que só se resolve sob fogo. A comparação com Walker funciona aqui como alerta, não como sentença.

Por outro lado, arrecadar dezenas de milhões e afastar rivais fortes pode continuar a ser lido como viabilidade. A reportagem lembra que outros possíveis aspirantes dem, como Alexandria Ocasio-Cortez ou Pete Buttigieg, também têm pouca experiência em gerais estaduais competitivas. O que fica em aberto é se Shapiro chega a 2028 como potência consolidada ou como incógnita cujo currículo ainda não passou pelo teste de uma campanha presidencial.

Fontes: Axios

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