Maior fundo soberano do mundo perde US$ 30 bi com turbulência nos títulos

Maior fundo soberano do mundo perde US$ 30 bi com turbulência nos títulos

NBIM reporta prejuízo de US$ 29,7 bilhões no 3º trimestre; renda fixa cai 3,5% com alta de juros e o fundo vale cerca de US$ 2,3 trilhões.

Foto: Apti Newim (Pexels)

O fundo soberano da Noruega, o maior do mundo, informou nesta quinta-feira (22) um prejuízo de cerca de US$ 30 bilhões no terceiro trimestre, pressionado pela queda nos retornos de títulos de renda fixa em meio à alta dos juros.

A Norges Bank Investment Management (NBIM), gestora do patrimônio de aproximadamente US$ 2,3 trilhões, registrou retorno contábil negativo de 278 bilhões de coroas norueguesas (US$ 29,7 bilhões) no período.

O que aconteceu

Segundo a CNBC, o tombo veio sobretudo da carteira de renda fixa, atingida pela alta das taxas de juros. Cerca de 70% dessa fatia está em títulos públicos; o restante, em dívida corporativa. No trimestre, os investimentos em renda fixa renderam −3,5%, apontados pela gestão como principal motor do resultado negativo.

O trimestre foi marcado por um sell-off global no mercado de bonds. Os yields de títulos soberanos subiram enquanto grandes bancos centrais, entre eles o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, iniciavam ciclos de alta de juros e cresciam preocupações com inflação e níveis de dívida pública.

“O retorno do fundo ficou próximo de zero, terminando ligeiramente negativo, já que a alta dos juros enfraqueceu o resultado da renda fixa”, afirmou o vice-CEO da NBIM, Trond Grande, em comunicado. A renda fixa representa pouco mais de um quarto da carteira total; a NBIM detém 1.664 bonds em 51 países.

No mês passado, a gestora disse querer reduzir posições em Treasuries americanos, no âmbito de um plano mais amplo de cortar a alocação em dívida soberana.

As ações, que concentram 72% dos investimentos, renderam 0,5% no trimestre. O fundo tem pequenas participações em cerca de 7.100 empresas na maior parte dos países e, com 1,5% de todas as listadas no mundo, é o maior investidor individual do planeta. Entre as maiores posições estão Nvidia (US$ 65,4 bilhões), Apple, Alphabet e Microsoft.

Em Wall Street, o trimestre foi misto: o S&P 500 avançou 2,03%, o Dow Jones caiu 1,9% e o Nasdaq Composite subiu 2,2%. A variação média dos três índices ficou em apenas 0,6%, freando o ritmo do trimestre anterior, de ganhos de dois dígitos. Por setor, energia liderou as altas — impulsionada pela disparada do petróleo em meio à guerra entre EUA e Irã, segundo a NBIM, que detém papéis de Exxon Mobil, Shell e Chevron —, enquanto utilities e real estate, sensíveis a juros, recuaram.

O que isso pode mudar

O resultado pode reforçar, nos próximos trimestres, a pressão por rebalanceamento da carteira de dívida soberana, sobretudo se os yields seguirem elevados. A intenção já anunciada de reduzir Treasuries sugere que a NBIM pode acelerar a diversificação fora de papéis governamentais, embora o efeito sobre o valor total do fundo — ainda em torno de US$ 2,3 trilhões — tenda a ser gradual.

Para o mercado global, um semestre fraco de renda fixa no maior fundo soberano pode sinalizar cautela renovada com bonds em ciclos de aperto monetário. Se a volatilidade setorial em ações se mantiver, a influência da NBIM como acionista de megacaps de tecnologia e energia pode se refletir em votos e narrativas de alocação, sem garantir, porém, virada imediata nos retornos.

Fontes: CNBC.

Fontes: CNBC

Leia mais em: mundodosnegocio.com.br