Meta leva multa de US$ 25 bilhões por mentiras sobre privacidade de dados

Juiz federal no Novo México ordenou que a dona do Facebook pague US$ 25 bilhões após julgamento que apontou mentiras intencionais sobre o uso de dados.
Foto: Mindaugas Skrupskelis (Pexels)
A Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, foi condenada nesta quarta-feira (21) a pagar US$ 25 bilhões (cerca de £ 18,6 bilhões) por mentiras sobre a forma como tratava e controlava os dados dos usuários do Facebook. A ordem partiu de um juiz federal no Novo México, nos Estados Unidos, e responde a um julgamento de duas semanas realizado no início deste ano.
Segundo a BBC, a sanção é a maior já aplicada à empresa até agora, superando inclusive um acordo de US$ 18 bilhões firmado com a Califórnia. A companhia já enfrentou outras multas e acordos ao longo de 2026.
O que aconteceu
O juiz Francis Mathew determinou que a Meta pague US$ 25 bilhões depois que o tribunal concluiu que a empresa mentiu de forma intencional, durante anos, ao público sobre como lidava com os dados dos usuários do Facebook. Na decisão, o magistrado afirmou que as mentiras não se limitavam às práticas de dados da rede social e atingiam “o coração de suas práticas de negócios centrais”.
Nas comunicações entre executivos seniores, incluindo o presidente-executivo Mark Zuckerberg, o juiz escreveu que havia um desenho “para enganar o público”. O valor integral da penalidade, calculado com base em milhares de violações da legislação estadual, chegou a US$ 219 bilhões. Mathew, contudo, reduziu a multa para os US$ 25 bilhões agora ordenados.
A BBC destaca que a Meta já foi multada ou chegou a acordos em vários processos neste ano. O acordo de US$ 18 bilhões com a Califórnia era, até então, um dos maiores marcos financeiros ligados à companhia. Um porta-voz da Meta não respondeu de imediato ao pedido de comentário da reportagem.
A condenação se soma a um ano em que a dona do Facebook acumulou pressão regulatória e judicial. A imagem associada à cobertura da BBC reforça esse cenário ao notar que a Meta já foi alvo de várias multas ao longo de 2026. O caso julgado no Novo México trata, em essência, da distância entre o discurso público da empresa sobre privacidade e o que o tribunal considerou ter sido a conduta real sobre coleta, uso e controle de informações pessoais.
O que isso pode mudar
A dimensão da multa pode elevar o custo regulatório das Big Techs nos Estados Unidos e reforçar a leitura de que tribunais estaduais estão dispostos a aplicar sanções muito altas quando concluem que houve engano deliberado ao público. Em tese, investidores e conselhos podem passar a cobrar mais transparência sobre práticas de dados, já que o juiz ligou as mentiras ao núcleo do modelo de negócios da Meta.
A redução do valor de US$ 219 bilhões para US$ 25 bilhões também pode alimentar debates jurídicos sobre proporcionalidade e sobre o teto efetivo de punições em ações envolvendo violações em massa. Ainda assim, o montante permanece histórico e pode servir de referência em litígios futuros sobre privacidade digital.
Para usuários e anunciantes, o caso tende a manter o foco político e midiático sobre como plataformas monetizam atenção e dados. Se a decisão se consolidar e não for revertida em recursos — ponto ainda não detalhado no relato da BBC —, a Meta pode precisar ajustar comunicação, controles internos e exposição legal em outras jurisdições. Por ora, o fato central é a ordem de pagamento de US$ 25 bilhões e a conclusão judicial de mentiras intencionais sobre dados do Facebook.
Fontes: BBC Business — Meta fined $25bn for 'lies' over user data privacy
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