Netanyahu remodelou instituições israelenses às vésperas da eleição

Às vésperas do voto de 27 de outubro, a Al Jazeera mapeia como o premier mais longevo de Israel moldou Judiciário, segurança e agendas religiosas.
Ilustração: Leonid Altman (Pexels)
Israel vai às urnas em 27 de outubro e Benjamin Netanyahu, o premier mais longevo do país, disputa a reeleição. Segundo a Al Jazeera, o legado institucional do líder do Likud — apelidado de “King Bibi” por aliados e acusado por críticos de falhas de segurança e corrupção — pode ser o traço mais duradouro da disputa.
Analistas citados pela reportagem afirmam que a oposição de direita e militarista que ele ajudou a formar é, paradoxalmente, o desafio doméstico que agora enfrenta.
O que aconteceu
Nascido em 1949, Netanyahu ganhou protagonismo no início dos anos 1990 ao alimentar rejeição a acordos de paz com palestinos e com a Síria. Líderes políticos israelenses o acusaram de ter liderado uma campanha de incitação ligada ao assassinato, em 1995, do então primeiro-ministro Yitzhak Rabin, que negociava com a Organização para a Libertação da Palestina. Em comícios associados a Netanyahu, participantes teriam retratado Rabin com uniforme da SS nazista e em mira de arma, com gritos de “traidor”. O chefe do Likud nega responsabilidade; ex-oficiais de segurança, segundo a imprensa israelense citada pela Al Jazeera, teriam pedido que ele moderasse o tom e encontrado recusa.
Em 1996, a estratégia populista o tornou o premier mais jovem de Israel. Seu estilo transacional deu peso a partidos da extrema direita e religiosos, hoje indispensáveis à sua aliança. Sob seu comando, tribunais religiosos ampliaram atribuições, inclusive em disputas civis e empresariais; instituições do Estado passaram a acomodar agendas religiosas e a destinar níveis recordes de financiamento a escolas e entidades ultraortodoxas.
Em 2018, o Knesset aprovou a Lei Básica do Estado-Nação, que define Israel como Estado exclusivo do povo judeu e eleva o avanço de assentamentos ilegais a prioridade nacional. Organizações de direitos humanos pediram ao Supremo que barrasse a vigência; o pedido foi rejeitado. Grupos e especialistas internacionais citam a norma, entre outras, como evidência de apartheid no tratamento a palestinos.
Netanyahu também redesenhou estruturas de segurança, nomeando aliados e enfrentando chefes que considerava hostis. Após o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que deflagrou a guerra em Gaza, ele atribuiu falhas ao aparato de segurança; Ronen Bar, então chefe do Shin Bet (serviço de segurança interna), processou-o por difamação.
No Judiciário — que analisa três processos de corrupção abertos em 2019, nos quais ele alega inocência —, o Knesset alterou a composição do comitê de indicação de juízes para ampliar influência política da coalizão. Netanyahu falou em “reforma judicial” contra uma “ditadura dos juízes”; opositores chamaram de “golpe” e saíram às ruas. Ele tentou, sem sucesso, demitir a procuradora-geral, mas conseguiu afastar o advogado-geral militar após vazamento de vídeo sobre abuso de detento palestino por soldados, depois liberados e absolvidos.
O que isso pode mudar
Se for reeleito, Netanyahu — alvo de mandado do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra em Gaza — promete concluir a reforma da revisão judicial e seguir com políticas controversas. Aliados veem um líder que “entrega”; adversários falam em desfazer danos ligados a corrupção, divisão social e isolamento. Muitas mudanças, porém, já são lei, o que pode tornar a reversão mais difícil do que o discurso de campanha sugere — hipótese que a própria Al Jazeera destaca às vésperas do voto.
Fontes: Al Jazeera
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