NFL cancelaria jogo em Paris se protestos tornassem a situação insegura, diz Rodgers

Aaron Rodgers afirma que a liga não manteria o primeiro jogo de temporada regular em Paris se a segurança falhasse, com Steelers e Saints no Stade de France no domingo.
Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
O quarterback Aaron Rodgers, quatro vezes eleito o jogador mais valioso da National Football League (NFL), a Liga Nacional de Futebol Americano, disse nesta sexta-feira (23) que a competição cancelaria o primeiro jogo de temporada regular em Paris, marcado para domingo, se a situação na capital francesa fosse considerada insegura. O Pittsburgh Steelers enfrenta o New Orleans Saints no Stade de France, em Saint-Denis, a cerca de 10 km da Place de la Bastille, onde se esperam protestos no sábado.
Segundo a Al Jazeera, com base em reportagem da Reuters, a preparação do duelo histórico tem sido ofuscada por protestos nacionais e pelo impacto da Tempestade Austen, enquanto Macron endureceu restrições a manifestações e o Departamento de Estado dos Estados Unidos pediu cautela a cidadãos americanos.
O que aconteceu
A França viveu no fim de semana passado um dos piores episódios de agitação urbana em anos, o que levou o presidente Emmanuel Macron a reforçar, na quinta-feira, freios às manifestações, diante do temor de que os atos previstos para sábado possam degenerar em violência. Nesse cenário, Rodgers afirmou em coletiva que a NFL está atenta ao que ocorre e que o jogo “significa muito” para a liga. “Se fosse inseguro, tenho certeza de que não estaríamos aqui”, declarou o atleta dos Steelers.
Mesmo confiante de que a partida segue o roteiro, o ambiente em torno do evento já mudou. Os Steelers avisaram os torcedores na quinta-feira que o evento de fãs “Steelers House”, no bairro da Bastilha, não seria realizado. Na mesma noite, o Departamento de Estado dos EUA emitiu alerta de segurança pedindo que cidadãos evitem manifestações e áreas de agitação. O comunicado acrescentou que americanos em Paris para o jogo da NFL no domingo, 25 de outubro, também devem ter cautela e atenção ao entorno.
A tensão social não é o único fator a atrapalhar a véspera do confronto. A Tempestade Austen atinge parte do país, e a Météo-France, agência meteorológica nacional, emitiu alertas laranja para boa parte do noroeste, incluindo a região de Paris. Os Steelers chegaram à França na manhã de sexta e devem treinar no Stade de France antes de coletiva; o treino acabou cancelado por mau tempo e a coletiva foi transferida para o hotel da equipe em Paris.
Os Saints, que desembarcaram na segunda-feira, treinam esta semana em Versalhes. Em nota, o clube informou que, por vento e chuva elevados e em linha com as autoridades locais, não haveria trecho de treino aberto à imprensa. A própria NFL cancelou na sexta o evento de fãs “NFL Experience Paris”, apresentado pela Wilson, pedindo que o público não comparecesse ao local devido ao tempo adverso.
O que isso pode mudar
Se a liga mantiver o jogo sob vigilância estreita de segurança, o episódio pode reforçar um protocolo implícito: expansão internacional da NFL só segue quando o entorno do estádio e da cidade anfitriã for considerado controlável. A declaração de Rodgers, ao admitir cancelamento em caso de risco, sugere que a marca do “primeiro jogo de temporada regular em Paris” pesa, mas não acima da percepção de segurança de atletas, staff e torcedores.
Na hipótese de novos protestos saturarem a Bastilha e vias próximas no sábado, a operação de domingo em Saint-Denis pode exigir corredores logísticos mais rígidos, menos eventos satélites e comunicação mais frequente a fãs americanos e locais — tendência já visível com o cancelamento do “Steelers House” e do “NFL Experience”. Se a tempestade e os alertas laranja persistirem, o risco operacional pode rivalizar com o político: treinos, coletivas e experiências de marca ficam vulneráveis a decisões de última hora das autoridades e da própria liga.
Para o calendário europeu da NFL, um adiamento ou cancelamento seria um revés simbólico raro; se o jogo ocorrer sem incidentes graves, a liga pode sair com um precedente de resiliência sob crise urbana e clima extremo. Em qualquer cenário, a combinação de agitação, alerta diplomático e mau tempo já deslocou o foco do espetáculo esportivo para a gestão de risco — e isso, por si, redefine o que significa “levar a NFL a Paris” nesta edição.
Fontes: Al Jazeera
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