Singapura, Malásia e Tailândia expandem BLOOM com Ripple, Visa e Mastercard

Bancos centrais da Malásia e da Tailândia entram na iniciativa BLOOM de Singapura para testar pagamentos transfronteiriços com stablecoins e depósitos tokenizados, com Ripple, Visa e Mastercard entre os participantes.
Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
Os bancos centrais da Malásia e da Tailândia passam a integrar, como membros de política pública, a iniciativa BLOOM (Borderless, Liquid, Open, Online, Multi-currency) liderada por Singapura, voltada a pagamentos transfronteiriços com stablecoins — criptomoedas estáveis lastreadas em ativos — e depósitos bancários tokenizados. A confirmação saiu nesta sexta-feira (23), segundo o The Block, com a Autoridade Monetária de Singapura (MAS) à frente do anúncio.
Além das autoridades de Bank Negara Malaysia e do Bank of Thailand, o projeto reúne participantes como Ripple, Visa, Mastercard e o Grupo Banco Mundial, ao lado de Circle, Coinbase, JPMorgan, Standard Chartered e Stripe. O eixo é testar como liquidar operações entre fronteiras com formas reguladas de dinheiro digital.
O que aconteceu
A BLOOM nasceu em outubro do ano passado, quando a MAS reuniu bancos e empresas de tecnologia para experimentar pagamentos com dinheiro bancário tokenizado e stablecoins sob supervisão. Singapura já havia, em trilha à parte, testado uma moeda digital de banco central (CBDC) no segmento atacadista. Com a entrada de Malásia e Tailândia como policymaker members, o arranjo ganha peso regional no Sudeste Asiático.
De acordo com o The Block, a Ripple anunciou em março sua participação e disse que testaria pagamentos comerciais com a stablecoin RLUSD no XRP Ledger. O ensaio envolve a fintech de cadeia de suprimentos Unloq e a plataforma SC+, que automatiza a liberação de pagamentos quando condições pré-definidas são cumpridas.
A MAS afirmou que o trabalho deve olhar como os bancos lidam com diferentes formas de dinheiro digital em transações internacionais, como redes distintas podem interoperar e quais salvaguardas entram no desenho — checagens de identidade, triagem de sanções e controles de transação. Em declaração citada pela reportagem, o vice-diretor-geral da MAS, Leong Sing Chiong, disse nesta sexta que o futuro das finanças envolverá múltiplas formas de dinheiro digital operando em instituições e mercados diferentes.
O vice-governador do Bank Negara Malaysia, Aznan bin Abdul Aziz, avaliou que pagamentos transfronteiriços com várias formas de dinheiro digital estão se tornando uma perspectiva mais tangível. Já a vice-governadora do Bank of Thailand, Daranee Saeju, afirmou que a BLOOM ajudará a examinar abordagens regulatórias ao dinheiro tokenizado, sobretudo em pagamentos cross-border e liquidação atacadista.
O que isso pode mudar
Se o piloto avançar além dos testes de laboratório, o arranjo pode, em tese, reduzir atrito em remessas e liquidação comercial entre os três países, ao alinhar regras e padrões técnicos para stablecoins reguladas e depósitos tokenizados. A presença de redes de cartões e de um banco de desenvolvimento multilateral sugere, ainda como hipótese, esforço para conectar trilhos tradicionais e cripto sob supervisão comum — sem garantia de cronograma comercial.
Para o mercado, a mensagem mais imediata é política: Malásia e Tailândia sinalizam interesse em estudar, com Singapura, um modelo de liquidação multiativo e multicurrency. Isso pode influenciar, com o tempo, como bancos locais tratam interoperabilidade, compliance e liquidação atacadista. Por ora, trata-se de expansão de uma iniciativa de prova de conceito, não de um sistema de pagamentos já em produção em escala.
Empresas como Ripple, Circle e Coinbase, e instituições como JPMorgan e Standard Chartered, passam a operar, no papel, sob um guarda-chuva de três bancos centrais e da MAS. O foco declarado em identidade, sanções e controles de transação indica que a prioridade regulatória tende a acompanhar a inovação — um contraste com experimentos puramente privados. O próximo passo a observar, se houver novos comunicados oficiais, é se os testes com RLUSD e outras formas de dinheiro digital saem do piloto setorial e ganham métricas públicas de volume, latência e risco operacional.
Fontes: The Block
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