Nova York propõe regra contra ‘doom loops’ de chatbots de IA no atendimento

Nova York propõe regra contra ‘doom loops’ de chatbots de IA no atendimento

Administração de Zohran Mamdani quer obrigar empresas a transferir clientes a um atendente humano quando o chatbot não resolver o pedido, com multa a partir de US$ 525.

Foto: Yaroslav Shuraev (Pexels)

Nova York pode se tornar a primeira cidade dos Estados Unidos a proteger o consumidor do que a prefeitura chama de “doom loop” — um ciclo sem saída de respostas geradas por inteligência artificial (IA) no atendimento. A regra foi proposta nesta terça-feira (20) pela administração do prefeito Zohran Mamdani.

A proposta exige que empresas encaminhem rapidamente o cliente a um atendente humano quando o chatbot não conseguir resolver a solicitação, além de revelar quando a conversa é com IA e oferecer uma saída fácil para falar com uma pessoa.

O que aconteceu

Segundo o Semafor, a medida mira o uso crescente de chatbots de IA no serviço ao cliente — sistemas automatizados que respondem por texto ou mensagem e, em muitos casos, prendem o usuário em um labirinto de respostas genéricas. A administração Mamdani argumenta que, se a ferramenta não cumprir o pedido, a empresa deve conectar a pessoa a um agente humano sem demora.

Em comunicado citado pela reportagem, Mamdani afirmou que, quando corporações obrigam o consumidor a “lutar” por um atendimento humano em um “endless doom loop” de respostas geradas por IA, estão “roubando tempo, dinheiro e paciência”. A regra, disse ele, deixa claro que o corte de custos no atendimento “não pode ocorrer às custas dos nova-iorquinos”.

Pelos termos descritos, as empresas teriam de informar quando o cliente está falando com IA e oferecer um “easy off-ramp” — um caminho simples para um representante humano. Quem descumprir a norma estaria sujeito a multas que começariam em US$ 525.

A reportagem também destaca o perfil da equipe de proteção ao consumidor da prefeitura. Samuel Levine, comissário do Departamento de Proteção ao Consumidor e ao Trabalhador (Department of Consumer and Worker Protection) da cidade, liderou antes o Bureau of Consumer Protection da Federal Trade Commission (FTC) — a agência federal de defesa da concorrência e do consumidor dos EUA — na gestão de Lina Khan. A vice-prefeita Julie Su foi secretária do Trabalho em exercício no governo Biden. Khan integra a administração Mamdani como presidente do conselho do Economic Development Board da cidade.

O que isso pode mudar

Se a regra avançar e for aplicada de forma ampla, Nova York poderia estabelecer um padrão local inédito para o uso de IA no atendimento. Em tese, empresas que operam na cidade — varejo, telecom, bancos, plataformas digitais e serviços utilitários — teriam de redesenhar fluxos em que o chatbot é a única porta de entrada, sob pena de sanção financeira e de exposição regulatória.

A obrigação de divulgar que a conversa é com IA e de oferecer transferência humana rápida poderia reduzir o tempo perdido em “loops” automáticos e pressionar modelos de negócio baseados em cortar postos de atendimento. Ainda assim, o impacto real dependeria do texto final da norma, da definição do que conta como “rapidamente” e da fiscalização do departamento municipal.

Há também um possível efeito de demonstração. Se Nova York for de fato a primeira jurisdição do país a formalizar essa proteção, outras cidades ou estados poderiam observar o desenho da regra — e a reação das empresas — antes de considerar medidas semelhantes. Por ora, trata-se de uma proposta; o alcance prático ainda precisa passar pelo processo regulatório e pela adesão (ou resistência) do setor privado.

Para o consumidor, a mudança esperada seria mais prosaica e imediata: menos tempo preso em respostas automatizadas sem solução e mais clareza sobre quando está falando com uma máquina — e como sair dela.

Fontes: Semafor – Mamdani takes on AI chatbot ‘doom loops’ in New York

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