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Nove CEOs relatam como repartem o tempo entre equipes e clientes

Nove CEOs relatam como repartem o tempo entre equipes e clientes

Na Modern CEO, nove presidentes-executivos descrevem a própria agenda e colocam subordinados e clientes no topo — com fatias de até 50% do calendário.

Ilustração: Domingos Henriques (Pexels)

A Fast Company publicou nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, um panorama em que nove presidentes-executivos (CEOs) descrevem, em relatos próprios, como repartem o calendário entre equipes e clientes. O recorte, da newsletter Modern CEO, assinada por Stephanie Mehta, CEO e diretora de conteúdo da Mansueto Ventures, cobre varejo, tecnologia, saúde e serviços profissionais, em empresas privadas e de grande capitalização.

O fio condutor é claro na abertura da reportagem: os executivos afirmam colocar clientes e subordinados diretos no topo das prioridades, embora a própria peça sinalize que os dados pintam um quadro distinto.

O que aconteceu

Na semana anterior, a Modern CEO havia discutido o papel do CEO e convidou líderes a contar como gastam o tempo. Nove deles responderam com um autorretrato da agenda: Constantine Alexandrakis, da Russell Reynolds Associates; Kelly Cook, da David's Bridal; Mary Ellen Coyne, da J.Jill; Vimal Kapur, da Honeywell Technologies; Raj Mehra, da Sage; Brieane Olson, da Pacsun; Tyler Perry, da Mission North; René Saúl, da Kapital; e Job van der Voort, da Remote.

A metodologia é declaradamente autoavaliativa. A Fast Company contrapõe o método mais rigoroso usado por Nitin Nohria e Michael Porter, da Harvard Business School, em estudo de 2018 sobre gestão do tempo de CEOs, no qual assistentes registravam a rotina em intervalos de 15 minutos, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Quase todos os respondentes colocaram subordinados diretos e a liderança sênior em primeiro ou segundo lugar na atenção do CEO. Brieane Olson, da Pacsun, estima cerca de 30% do tempo — sua maior fatia — com a liderança em reuniões individuais, semanais ou estratégicas. Tyler Perry, da Mission North, dedica cerca de 25% a coaching de subordinados e reuniões de liderança, e outros 25% a novos negócios, networking e thought leadership. Kelly Cook, da David's Bridal, reserva cerca de 30% aos subordinados e à equipe executiva, sobretudo em encontros de 15 e 30 minutos encadeados. O caso extremo é René Saúl, da Kapital, que diz destinar 50% a engajar subordinados e suas equipes em todos os níveis, em estilo muito hands-on.

Clientes também aparecem no centro. Vimal Kapur, da Honeywell Technologies, gasta cerca de 40% do tempo com clientes e parceiros, inclusive em campo com times de vendas, para testar ideias antes de decisões grandes de produto ou aquisição. Raj Mehra, da Sage, plataforma de tecnologia para comunidades de idosos e cuidadores, equilibra cerca de 40% com clientes e o mesmo com a equipe; leva caderno, e não laptop, às reuniões para manter atenção plena.

O que isso pode mudar

Se os autorrelatos se aproximarem da prática, agendas de C-level podem continuar a privilegiar presença com liderança interna e contato direto com o mercado, em detrimento de blocos isolados de trabalho individual — hipótese que a própria Fast Company deixa em tensão ao lembrar que dados históricos e métodos mais granulares contam outra história. Para conselhos e investidores, o contraste entre o que CEOs dizem priorizar e o que estudos mediram com mais rigor pode reforçar a pressão por métricas mais objetivas de uso do tempo executivo, sem garantir, por si só, mudança de rotina.

Fontes: Fast Company

Leia mais em: www.mundodosnegocio.com.br

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