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Obama ataca ‘crueldade e corrupção’ de Trump em comício pelas midterms em Ohio

Obama ataca ‘crueldade e corrupção’ de Trump em comício pelas midterms em Ohio

Em Cleveland, o ex-presidente dos EUA criticou o segundo mandato de Trump, a guerra com o Irã e um anúncio de ataque de Vivek Ramaswamy contra Amy Acton.

Ilustração: Charles Criscuolo (Pexels)

O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama criticou neste sábado a “crueldade e a corrupção” do segundo mandato de Donald Trump, em um comício de campanha pelas eleições intermediárias (midterms) em Ohio. O ato, no Cleveland Public Auditorium, em Cleveland, buscou reforçar o apoio aos candidatos democratas no estado.

Segundo a Al Jazeera, com informações da AFP e da AP, Obama atacou a política externa do atual governo e pediu que os eleitores de Ohio rejeitem a administração republicana, em um momento em que as disputas locais também ganharam tom pessoal e polarizado.

O que aconteceu

Obama, de 65 anos, afirmou que o atual presidente “escolheu tomar uma série de más decisões”. O ponto mais grave, disse, foi ter “decidido iniciar uma guerra desnecessária que ninguém pediu”, em referência ao conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O democrata vinculou o momento ao balanço dos dois primeiros anos do novo mandato de Trump. “Depois de dois anos de caos, crueldade, corrupção e incompetência, como não se via na era moderna, você tem a chance de dizer: ‘Já basta’”, declarou, segundo o relato da Al Jazeera.

O ex-presidente também comentou a controvérsia recente na disputa pelo governo de Ohio, envolvendo um anúncio de ataque do republicano Vivek Ramaswamy contra a democrata Amy Acton. Sobre Ramaswamy, Obama disse que “não há linha que ele não ultrapasse, nem fundo a que não desça” e questionou o padrão de conduta que permitiria veicular aquele tipo de propaganda.

No anúncio, Donna Arthur, mãe de Acton, contesta a narrativa da filha sobre uma infância marcada por falta de moradia e abuso sexual pelo padrasto, e pede que os eleitores não votem nela. Acton afirma não ver a mãe desde 1978. O irmão dela apoia o relato de abuso sexual na infância. O padrasto, morto em 2004, chegou a ser acusado de estupro. Obama apoiou Acton e destacou que ela falou de forma tocante sobre a infância dolorosa e sobre o que viveu.

O que isso pode mudar

O discurso em Cleveland pode, em tese, ajudar a nacionalizar a campanha democrata em Ohio, unindo a crítica à guerra no Irã com a disputa estadual e o apelo ao voto de rejeição. Em um ciclo de midterms, a presença de Obama tende a funcionar como ferramenta de mobilização, sobretudo se a mensagem de “já basta” encontrar eco entre indecisos e eleitores descontentes com o clima político.

Ainda assim, o efeito eleitoral permanece incerto. O peso da política externa e da guerra pode variar conforme o eleitorado local priorize ou não segurança e custo de vida. A controvérsia do anúncio de Ramaswamy, por sua vez, pode endurecer a polarização na corrida ao governo do estado: tanto reforçando a solidariedade a Acton quanto aprofundando a briga de narrativas familiares e de caráter, com risco de desviar o debate de temas programáticos.

Se a linha do comício se repetir em outros estados, a oposição pode tentar transformar as midterms em um referendo sobre o segundo mandato de Trump — da condução da guerra à atmosfera de “caos e incompetência” descrita por Obama. O resultado, porém, dependerá de como republicanos e democratas responderão nas próximas semanas e de quanto essa mensagem sobreviverá além do impacto imediato do ato em Cleveland.

Fontes: Al Jazeera

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