OpenAI reduz meta de avaliação para US$ 1,25 trilhão em nova rodada

Dona do ChatGPT baixa o alvo de US$ 1,4 tri para cerca de US$ 1,25 tri ao buscar US$ 30 bi, em meio à queda das ações de tecnologia nos EUA, segundo o Financial Times na Folha.
Foto: Mindaugas Skrupskelis (Pexels)
A OpenAI, dona do ChatGPT, reduziu a meta de avaliação na mais recente rodada de captação depois de encontrar resistência de parte dos investidores a um valor de US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 7 trilhões), segundo reportagem do Financial Times publicada pelo C-Level da Folha em 22 de outubro de 2026. O laboratório de inteligência artificial (IA) busca levantar US$ 30 bilhões (cerca de R$ 151,5 bilhões) antes de abrir o capital no próximo ano.
Pessoas a par do assunto disseram que a empresa está nos estágios finais de um acordo que deve avaliá-la em US$ 1,25 trilhão (cerca de R$ 6,3 trilhões). O montante representaria um salto de quase 50% em relação à avaliação atual de US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,3 trilhões), mas ficaria abaixo do número apresentado aos investidores no início deste mês.
A mudança de preço ocorre enquanto as ações de tecnologia dos Estados Unidos registram forte queda, em um ambiente marcado por preocupações com a sustentabilidade do boom de infraestrutura de IA financiado por dívida, conforme o relato do jornal britânico reproduzido pela Folha.
O que aconteceu
De acordo com George Hammond e George Steer, em texto datado de Nova York e San Francisco, a OpenAI chegou a sugerir avaliação de US$ 1,4 trilhão no começo de outubro. Documentos vistos pelo Financial Times indicam que o Morgan Stanley e o fundo de tecnologia Dragoneer, de San Francisco, haviam apresentado a empresa a clientes de gestão de fortunas do banco com essa avaliação pré-investimento.
Várias pessoas a par do processo liderado pelo Morgan Stanley afirmaram que a demanda desses clientes estava mais fraca do que em rodadas anteriores. A redução da meta para cerca de US$ 1,25 trilhão, segundo fontes familiarizadas com o assunto, entra nesse quadro de apetite mais cauteloso por ativos ligados à IA.
A companhia pretende concluir a nova rodada de captação antes de uma eventual abertura de capital em 2027. O valor em discussão, ainda assim, manteria a OpenAI entre as empresas privadas de maior porte do setor de tecnologia, com salto relevante frente aos US$ 852 bilhões citados como avaliação atual.
O recuo do alvo de preço não aparece, na cobertura da Folha, como sinal de abandono da estratégia de crescimento. Trata-se, segundo as mesmas fontes, de ajuste diante da resistência a US$ 1,4 trilhão e do clima mais tenso nos mercados de ações de tecnologia nos EUA, onde investidores passam a questionar com mais ênfase o ritmo e o financiamento da expansão de data centers e outras infraestruturas de IA.
Impacto na prática
Para quem acompanha mercados e produtos digitais, a notícia pode influenciar a percepção de risco em torno de empresas de IA ainda privadas e de papéis de tecnologia cotados em bolsa. Em tese, avaliações mais baixas do que as inicialmente oferecidas podem tornar rodadas futuras mais seletivas e alongar o tempo de negociação entre startups do setor e investidores institucionais.
Nos Estados Unidos, onde a queda das ações de tecnologia e o debate sobre a sustentabilidade do investimento em infraestrutura de IA financiado por dívida já pesam no humor do mercado, um ajuste na meta da OpenAI pode reforçar a leitura de que o apetite por ativos do segmento está mais seletivo do que no pico recente do ciclo. Isso não significa, pelas informações disponíveis, que a demanda tenha desaparecido: a empresa segue buscando US$ 30 bilhões e um acordo na casa de US$ 1,25 trilhão.
Em hipótese, usuários de ferramentas como o ChatGPT e concorrentes podem sentir efeitos indiretos se mudanças de valuation e de captação alterarem o ritmo de investimento em novos modelos, capacidade de computação ou expansão comercial. As fontes cruzadas desta edição, contudo, não detalham cortes de produto, demissões ou alterações de preço ao consumidor — apenas o recuo da meta de avaliação e o contexto de mercado.
Se a rodada avançar perto dos US$ 1,25 trilhão e a OpenAI mantiver o plano de abrir o capital em 2027, o episódio pode entrar para a narrativa do setor como um marco de precificação mais sóbria após meses de otimismo elevado. Por ora, o que as fontes permitem afirmar é o ajuste de meta, a meta de captação de US$ 30 bilhões e o contraste com o alvo de US$ 1,4 trilhão apresentado no início do mês — números que, em um mercado mais volátil para a tecnologia, tendem a ser lidos com atenção por investidores e pela indústria de IA.
Fontes: Folha Mercado
Leia mais em: www.mundodosnegocio.com.br