Bolsa
← CapaMercado

Operadoras de apostas e mercados de previsão batem recorde em doações e lobby

Operadoras de apostas e mercados de previsão batem recorde em doações e lobby

Cassinos e sportsbooks despejaram mais de US$ 80 milhões em campanhas via PAC, enquanto Kalshi, Polymarket e aliados reforçam gastos políticos ligados à CFTC.

Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)

Operadoras de cassinos e casas de apostas esportivas nos Estados Unidos destinaram, neste ano, volumes recordes a doações de campanha e a lobby em Washington, segundo reportagem da Semafor. O esforço busca recuperar milhões de apostadores e dólares de jogo que os mercados de previsão teriam atraído.

Paralelamente, empresas e executivos desses mercados também ampliaram gastos políticos, com ênfase em campanhas de autoridades que influenciam a Commodity Futures Trading Commission (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities), o órgão federal que molda a regulação do setor.

O que aconteceu

Sportsbooks como FanDuel e DraftKings canalizaram mais de US$ 80 milhões para disputas de senado estadual e do Congresso por meio do Win for America, um Political Action Committee (comitê de ação política) lançado em novembro de 2025. Do lado dos cassinos, a American Gaming Association, principal grupo de lobby da indústria, gastou US$ 2,06 milhões até setembro — o maior desembolso do grupo desde 2013, quando o jogo online voltou a ser permitido após a proibição de 2006.

Nos mercados de previsão, a disputa política também ganhou escala. Executivos da Kalshi, incluindo os cofundadores Tarek Mansour e Luana Lopes Lara, contribuíram com mais de US$ 1,6 milhão diretamente a campanhas e a PACs que apoiam os dois partidos. O montante se aproxima dos US$ 1,79 milhão que a empresa gastou em lobby neste ano, dos quais US$ 1,28 milhão foram a firmas externas.

A Polymarket destinou US$ 270 mil a firmas de lobby e fez uma doação de US$ 1 milhão a uma organização sem fins lucrativos democrata, conforme documento privado de remessa visto pela Reuters e citado pela Semafor. Já o Coalition for Prediction Markets, PAC novo apoiado pela Kalshi e por operadores como Robinhood, Coinbase, Crypto.com e Underdog, gastou outros US$ 200 mil.

John Bivona, chefe de relações governamentais federais da Kalshi, afirmou que as doações da empresa refletem “fortes relações com legisladores dos dois lados do espectro” e a crença de que manter os mercados de previsão seguros “não é uma questão partidária”. Porta-voz da Coalition for Prediction Markets disse que o lobby visa “apoiar o desenvolvimento responsável de mercados regulados federalmente”. A Polymarket se recusou a comentar; FanDuel, DraftKings e Win for America não responderam, segundo a reportagem.

O que isso pode mudar

O volume simultâneo de dinheiro tradicional do jogo e dos mercados de previsão sugere que a disputa por apostadores pode migrar cada vez mais para o terreno regulatório e eleitoral. Se o fluxo de doações e lobby continuar nesse ritmo, autoridades em Washington podem enfrentar pressão cruzada: de um lado, cassinos e sportsbooks em busca de regras que freiem a migração de receita; de outro, plataformas de previsão interessadas em consolidar um marco federal sob a CFTC.

Na prática, o cenário pode acelerar decisões sobre o desenho da supervisão desses produtos e sobre o alcance das doações ligadas a quem define as regras. Ainda é cedo para cravar um desfecho, mas a escalada de gastos indica que a concorrência entre apostas clássicas e mercados de previsão tende a se decidir tanto nas urnas e nos corredores do Congresso quanto nas aplicações e nas mesas de jogo.

Fontes: Semafor

Leia mais em: www.mundodosnegocio.com.br