Orçamento britânico inclui mais de £1 bi para habitação social e acessível

Chanceler John Healey anuncia no Orçamento de quarta-feira mais de £1 bilhão para moradia na Inglaterra e amplia poderes e crédito a prefeitos e regiões.
Ilustração: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
O governo do Reino Unido incluirá no Orçamento de quarta-feira mais de £1 bilhão para habitação social e acessível na Inglaterra, elevando o financiamento do programa habitacional de dez anos para além de £40 bilhões, informou a BBC Business. O anúncio será o primeiro Orçamento do chanceler do Tesouro John Healey.
Além do reforço à construção de moradias, prefeitos e líderes regionais ingleses devem receber poderes e recursos ampliados. Conselhos locais serão ajudados a tomar empréstimos do governo para investir em construção residencial, com taxas de juros preferenciais, segundo o Tesouro.
O pacote regional e o foco em moradia entram em cena enquanto Londres também debate gastos de defesa e apoio a pequenas cervejarias, num Orçamento que a oposição já cobra por metas claras de investimento militar.
O que aconteceu
De acordo com a BBC, o Tesouro espera que os planos deem a líderes regionais mais flexibilidade e autoridade sobre decisões de investimento. Healey afirmou que cidades e regiões inglesas terão o “direito de decidir o próprio futuro”. O primeiro-ministro Andy Burnham disse que as medidas tratam de transferir poder a quem “conhece melhor suas comunidades”.
No desenho regional, o governo destinará no próximo ano um financiamento-semente transitório inicial de £285 milhões a prefeitos e líderes locais, com o objetivo de reduzir a dependência de “potes de licitação fragmentados” em Whitehall, sede administrativa do governo central. Áreas que ainda não são autoridades estratégicas poderão acessar parte desses recursos para “destravar projetos que contribuam para o crescimento” local.
O governo também confirmará que trabalhará com prefeitos para desenhar uma nova linha de crédito de £1,5 bilhão a partir de 2028, para capital ligado a prioridades locais. O Tesouro indicou que o dinheiro poderá ir para novas casas, revitalização de ruas comerciais ou melhoria de ligações de transporte.
Healey declarou: “Prefeitos e líderes locais sabem o que suas comunidades precisam para crescer, e por isso estamos dando a eles mais dinheiro, mais poder e mais capacidade para colocar projetos em movimento, construir casas e tomar as decisões certas para suas áreas.” Burnham reforçou: “Estou encerrando a era em que líderes locais vão a Westminster de chapéu na mão. Não é assim que se governa um país.”
Claire Ward, presidente da Rede de Prefeitos do Reino Unido e prefeita trabalhista dos East Midlands, afirmou que ter “os poderes e recursos certos por meio de maior devolução” ajudaria a transformar “planos ambiciosos em realidade e a entregar mudança real e duradoura” às comunidades. Lord Sadiq Khan, prefeito trabalhista de Londres, disse que maior capacidade de investir poderia “ajudar a destravar projetos de infraestrutura transformadores”, citando a rota West London Orbital, a extensão da linha Bakerloo do metrô e do Docklands Light Railway, e o desenvolvimento da estação Stratford International.
Healey também anunciará mais apoio a pequenas cervejarias. O Tesouro afirmou que ele quer “virar o jogo para nossos produtores de pint”. Em paralelo, o Sunday Times, citado pela BBC, aponta expectativa de bilhões de libras em novos gastos de defesa no Orçamento, com detalhes específicos no próximo spending review (revisão de gastos).
O chanceler sombra Andrew Griffith cobrou a renúncia de Healey caso não explique como o Reino Unido chegará a gastar 3% do produto interno bruto (PIB) em defesa até 2030. A BBC lembra que Healey deixou em junho o cargo de secretário de Defesa no governo anterior, criticando o plano de investimento militar. O secretário de Defesa Wes Streeting respondeu atribuindo aos conservadores a falha em investir nas Forças Armadas e disse que o governo está “determinado a dar às nossas Forças Armadas o investimento necessário para nos manter seguros”.
Às vésperas do Orçamento, a assessora de empreendedorismo do Tesouro, Alex Depledge, anunciou saída na quinta-feira, um dia após o anúncio. À Sunday Times, citada pela BBC, ela disse que startups estavam sendo tratadas como “atração secundária” e não deveriam ser empurradas para as “margens da política econômica”.
Impacto na prática
Na Inglaterra, o reforço de mais de £1 bilhão e a marca de mais de £40 bilhões no programa de dez anos podem, em tese, ampliar a oferta de moradia social e acessível onde prefeitos e conselhos conseguirem converter crédito e poderes em projetos concretos. Famílias em fila por habitação pública ou aluguel acessível são o público mais diretamente ligado ao eixo anunciado — sem garantia, nas fontes, de prazo de entrega ou volume de unidades.
As taxas preferenciais e a linha de £1,5 bilhão a partir de 2028 podem, em hipótese, facilitar obras de casas, comércio de rua e transporte em regiões com capacidade de planejamento. O seed de £285 milhões no próximo ano sugere, nos termos do Tesouro, menos disputa por editais fragmentados e mais autonomia local — efeito que depende, na prática, da execução e do desenho final com os prefeitos.
No plano macroeconômico britânico, o cruzamento entre habitação, devolução fiscal e a cobrança por meta de 3% do PIB em defesa até 2030 pode pressionar as escolhas de alocação do Orçamento. Em tese, priorizar construção e crédito regional ao mesmo tempo em que se debate seguro militar pode afetar o ritmo de outros programas, mas a BBC não detalha cortes ou trade-offs fechados nesta reportagem.
Se o pacote avançar como descrito pelo Tesouro e pelas declarações de Healey e Burnham, o Reino Unido pode experimentar, nos próximos anos, um deslocamento parcial de decisões de investimento do centro para as regiões — hipótese que a própria oposição e a saída da assessora de empreendedorismo mostram ainda contestada no debate público britânico.
Fontes: BBC Business
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