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Pesquisa CNBC mostra o que democratas e republicanos mais temem uns dos outros

Pesquisa CNBC mostra o que democratas e republicanos mais temem uns dos outros

Levantamento com 1.000 eleitores aponta medo de políticas socialistas se o Congresso virar e de poder sem freios de Trump se a direita mantiver o controle.

Ilustração: cottonbro studio (Pexels)

A menos de duas semanas da eleição intermediária americana de 3 de novembro, uma pesquisa da CNBC captura o nervo da polarização: cada lado teme que o outro desfaça por completo a própria agenda. Entre 1.000 eleitores registrados ouvidos entre 14 e 18 de outubro, o medo dominante não é só o bolso — embora a economia continue no radar —, e sim o que o adversário faria com o Congresso.

Se os democratas conquistarem o Capitólio, republicanos temem políticas ligadas aos Socialistas Democráticos da América (Democratic Socialists of America, ou DSA). Se os republicanos mantiverem a Câmara e o Senado, democratas temem que o presidente Donald Trump teste os limites do cargo.

O que aconteceu

A CNBC All-America Economic Survey, publicada neste domingo (25), traz o retrato do que cada campo mais receia no outro. Segundo o levantamento, eleitores se mostram especialmente preocupados com a implementação de políticas associadas ao DSA caso os democratas controlem o Congresso, e com Trump ultrapassando as fronteiras do poder executivo caso os republicanos retenham a Câmara e o Senado.

O quadro aparece em um momento em que os democratas são amplamente favorecidos a conquistar a Câmara e mantêm uma vantagem estreita no Senado. A economia segue tema central, mas os mil entrevistados também apontaram inquietações com corrupção, políticas progressistas e o comportamento do presidente.

Na leitura partidária, republicanos na pesquisa dizem temer que um Congresso democrata vá longe demais à esquerda e adote medidas socialistas. Também citam fronteira mais frágil e impostos mais altos. Democratas, por sua vez, preocupam-se com a continuidade das deportações conduzidas pela Imigração e Alfândega (Immigration and Customs Enforcement, ou ICE) e com operações militares em curso no Irã sob controle republicano.

O estrategista republicano Ron Bonjean, cofundador da ROKK Solutions, resumiu o clima: o resultado “mostra totalmente a polarização” e o medo de que um lado desfaça por completo a agenda do outro. Na sua visão, o que republicanos temem é um retorno ao padrão da administração Biden.

O que isso pode mudar

Os achados sugerem que a campanha final pode girar menos em torno de propostas detalhadas e mais em torno de alertas sobre o “outro”. Com a data de 3 de novembro à vista, a narrativa de risco — socialismo no Congresso versus poder sem freios na Casa Branca — tende a definir mensagens de mobilização em estados disputados.

Se a vantagem democrata na Câmara se confirmar e o Senado permanecer apertado, o medo republicano de virada à esquerda pode endurecer o discurso conservador sobre fronteira e impostos. Já um Congresso ainda republicano, na leitura democrata, reforçaria o argumento de freios institucionais diante de Trump, das deportações da ICE e da frente militar no Irã.

Em qualquer cenário, a polarização descrita por Bonjean aponta para um pós-eleição de litígio político intenso: cada campo chega às urnas convencido de que a vitória do adversário não apenas altera políticas, mas desfaz o projeto do outro. A pesquisa da CNBC não resolve quem vence; mostra o que cada lado acredita estar em jogo.

Fontes: CNBC Top News

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