PIB dos EUA sobe 3,4% no 3º tri e inflação PCE acelera em setembro

Economia americana cresceu acima do esperado no terceiro trimestre, enquanto o índice de preços dos gastos de consumo pessoal manteve a inflação bem acima da meta de 2% do Federal Reserve.
Ilustração: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
A economia dos Estados Unidos avançou a um ritmo anualizado de 3,4% no terceiro trimestre, acima das expectativas, enquanto a inflação medida pelo índice de preços dos gastos de consumo pessoal — o Personal Consumption Expenditures (PCE), preferido pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano — acelerou em setembro e permaneceu bem acima da meta de 2%.
Os dados, divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Departamento de Comércio e reportados pela CNBC, chegam um dia depois de o Fed manter a taxa básica de juros na faixa de 3,75% a 4%, reforçando o contraste entre crescimento mais forte e preços ainda elevados.
O que aconteceu
Segundo o relato da CNBC, o Produto Interno Bruto (PIB) americano cresceu a um ritmo sazonalmente ajustado e anualizado de 3,4% no terceiro trimestre. O resultado superou a estimativa de 3,1% e ficou bem acima da expansão de 2,2% registrada no segundo trimestre.
No front de preços, o índice PCE subiu 0,5% em setembro, na série sazonalmente ajustada — o maior avanço mensal desde março —, levando a taxa anual de inflação a 3,6%. O aumento mensal ficou em linha com o consenso da Dow Jones, enquanto a leitura anual ficou 0,1 ponto percentual abaixo do esperado. Excluindo alimentos e energia, o PCE núcleo avançou 0,3% no mês e 3,1% em 12 meses, também alinhado às previsões.
A CNBC destaca que o Fed acompanha de perto as duas medidas, mas que autoridades em geral veem a leitura núcleo como mais indicativa das tendências de inflação de médio prazo. Mesmo assim, tanto a taxa cheia quanto a núcleo seguem acima da meta de 2% perseguida pelo banco central.
Do lado da demanda das famílias, os gastos do consumidor em setembro subiram 0,5%, um pouco abaixo da previsão de 0,6%, embora ainda apontem resiliência. A renda pessoal, por sua vez, aumentou apenas 0,2%, ante estimativa de 0,3%. Em conjunto, o quadro descreve uma economia que cresce com força trimestral, mas com consumo um pouco mais contido do que o mercado projetava no mês mais recente e com renda avançando de forma modesta.
Os números foram publicados na manhã desta quinta-feira, horário de Nova York, e sintetizam dois relatórios do Departamento de Comércio no mesmo dia — o PIB do terceiro trimestre e a atualização de renda, gastos e preços de setembro —, o que concentra a atenção dos mercados sobre o equilíbrio entre atividade e inflação.
O que isso pode mudar
O crescimento acima do esperado no trimestre pode, em tese, reduzir a urgência de um afrouxamento monetário agressivo no curto prazo, sobretudo porque a inflação do PCE continua rodando acima da meta. A decisão do Fed de ontem, de manter os juros entre 3,75% e 4%, ganha contexto à luz desses dados: a economia parece ter acelerado em relação ao segundo trimestre, ao mesmo tempo em que o ritmo mensal de preços deu um passo à frente em setembro.
É possível que investidores e analistas passem a pesar com mais cautela o ritmo de eventual ciclo de cortes futuros, já que um PIB de 3,4% e um PCE cheio a 3,6% sugerem que a desinflação ainda não está consolidada. O fato de o núcleo ter acompanhado o consenso, a 3,1%, pode suavizar parte da preocupação, mas não elimina a distância em relação aos 2%.
Do ponto de vista das famílias, a combinação de gastos ainda positivos com renda quase estagnada no mês pode indicar que o consumo depende, em alguma medida, de poupança prévia ou de outros ajustes no orçamento doméstico — hipótese que os dados de um único mês não permitem confirmar. Ainda assim, a resiliência relatada nos gastos ajuda a explicar por que o PIB trimestral veio mais forte do que o previsto.
Para a condução da política monetária, o cenário imediato parece de vigilância. Com a economia crescendo acima das estimativas e a inflação preferida do Fed acima da meta, qualquer sinalização futura do banco central tendia a depender de novas leituras de preços e de demanda, e não apenas do impulso já observado no terceiro trimestre. Em outras palavras, o relatório desta quinta reforça um quadro de atividade firme, mas ainda incompatível com a estabilização plena da inflação no alvo oficial.
Fontes: CNBC Top News
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