Richarlison acusa Flávio Bolsonaro de tomar posse de ilha no RJ e pede investigação

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Atacante do Tottenham publicou vídeo neste sábado e pediu que a Polícia Federal apure disputa por imóvel em Angra dos Reis, onde diz ter investido cerca de R$ 10 milhões.

Redação Mundo dos Negócios · 17/10/2026

Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)

O atacante Richarlison voltou a falar publicamente sobre a disputa envolvendo uma ilha em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro. Em vídeo publicado nas redes sociais neste sábado, 17 de outubro de 2026, o jogador do Tottenham acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ter obtido a posse do imóvel sem pagar por ele e pediu que a Polícia Federal investigue o caso.

No relato, Richarlison afirmou que comprou a ilha entre 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19, em parceria com Alencar da Silveira Júnior, então presidente do América-MG, e Renato Velasco. Segundo o atacante, recebeu propostas de compra, inclusive do senador, mas recusou vender. Ele disse ainda que gastou em torno de R$ 10 milhões no imóvel e que, até onde sabe, não recebeu nada de volta.

Richarlison pediu respostas sobre o dinheiro investido, convocou seguidores a cobrar explicações de Flávio Bolsonaro — que, segundo o vídeo, tem agenda prevista no Espírito Santo neste domingo — e prometeu destinar parte do valor que espera recuperar ao hospital de Nova Venécia, no Espírito Santo, sua cidade natal.

O que aconteceu

A controvérsia ganhou novo fôlego com as declarações gravadas pelo jogador. Richarlison descreveu que, após recusar vender a ilha ao senador, o desfecho na Justiça teria favorecido os adversários na disputa. Ele afirmou que a documentação da posse demoraria meses ou até anos para ser resolvida e que, nesse intervalo, Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz teriam conseguido a posse do imóvel em 24 horas.

— Eu não quis vender a ilha para ele. Como não quis, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça. A gente estava resolvendo a papelada (documentação da posse da ilha), e eles falaram que demorava meses ou até anos para resolver. Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foram lá e, em 24 horas, pegaram a posse da ilha. Aí a Justiça falhou. Os caras tomaram a ilha sem gastar um tostão, até onde eu sei. Gastei em torno de R$ 10 milhões lá e não recebi nada — disse Richarlison no vídeo.

Conforme o relato publicado pela Agência O Globo no InfoMoney, a disputa começou após uma empresa ligada a Richarlison adquirir direitos de ocupação do imóvel em 2020. Posteriormente, a posse passou para uma empresa ligada a Willer Tomaz, descrito na reportagem como amigo do senador. O pedido formal ao público e às autoridades, neste sábado, foi de investigação pela Polícia Federal.

Sobre eventual recuperação financeira, o atacante declarou: — Se eu recuperar esse dinheiro, parte do dinheiro eu estarei doando pro hospital lá da minha cidade, de Nova Venécia. Pra poder tá ajudando o hospital lá.

Impacto na prática

O caso, ainda em disputa judicial e agora sob cobrança pública por investigação policial, pode reforçar o debate sobre segurança jurídica em negócios de alto valor envolvendo imóveis e direitos de ocupação na costa fluminense. Em hipótese, novas etapas de apuração — caso a Polícia Federal avance no pedido citado pelo jogador — poderiam prolongar a incerteza sobre quem detém legitimamente a posse da ilha e sobre eventuais valores em jogo.

Para o ambiente político, o vídeo pode intensificar a pressão sobre Flávio Bolsonaro em um momento em que ele mantém agenda pública, inclusive com compromissos previstos no Espírito Santo no dia seguinte às declarações de Richarlison. Analistas de cenário eleitoral, em tese, podem observar se acusações de patrimônio e Justiça ganham tração nas redes e na cobertura nacional, sem que isso antecipe desfechos processuais.

No plano social, a promessa de doação de parte de um eventual valor recuperado ao hospital de Nova Venécia sugere que, caso haja acordo ou decisão favorável ao atacante, recursos poderiam fluir para a rede de saúde local — dependendo, porém, do resultado final da disputa e de quanto, de fato, vier a ser restituído.

Investidores e compradores de propriedades de luxo no litoral do Rio de Janeiro, em geral sensíveis a litígios prolongados, podem, em hipótese, acompanhar o desenrolar do caso como exemplo de risco reputacional e documental em transações feitas durante a pandemia, quando, segundo o próprio Richarlison, a regularização da papelaria se arrastava.

Se a Polícia Federal abrir investigação e se o Judiciário produzir novas decisões, o episódio pode permanecer no centro das atenções por misturar futebol, política nacional e patrimônio avaliado em cerca de R$ 10 milhões — sem que, neste estágio, qualquer desfecho esteja definido nas fontes consultadas.

Fontes: InfoMoney / Agência O Globo

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