Rubio diz que Trump terá até 60 dias para reavaliar suspensão de sanções à Rússia

O secretário de Estado americano afirmou que o presidente usará o prazo para medir efeitos econômicos da Lei Graham, suspensa por ordem executiva na sexta-feira.
Foto: Charles Criscuolo (Pexels)
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse neste sábado (17) que o presidente Donald Trump terá até 60 dias para reavaliar a suspensão de sanções e tarifas contra a Rússia. Trump assinou a suspensão na sexta-feira (16) e, até o momento, não anunciou decisão definitiva sobre o tema.
As medidas abrangem tarifas sobre produtos russos e penalidades a países que compram petróleo e gás de Moscou. Elas deveriam entrar em vigor na semana seguinte, mas a ordem executiva interrompeu a aplicação sem fixar prazo explícito para a validade da decisão.
Rubio falou a jornalistas antes de embarcar para o Uzbequistão. Segundo ele, Trump quer usar o intervalo para analisar o que a retomada das punições significaria para a economia global e para a dos próprios Estados Unidos. O presidente havia sancionado no mês anterior a legislação conhecida como Lei Graham, após pressão de parlamentares que defendem ações para pressionar Moscou em razão da guerra na Ucrânia.
O que aconteceu
Na sexta-feira, Trump assinou ordem executiva que suspendeu sanções e tarifas previstas na Lei Graham. Rubio caracterizou o período de 60 dias como tempo de avaliação dos possíveis efeitos econômicos das medidas.
“Acho que o presidente quer usar esse período de 60 dias para analisar o que a aplicação de sanções e tarifas significaria para a economia global e até mesmo para a economia dos EUA”, afirmou o secretário.
Em Palm Beach, na Flórida, Trump disse a repórteres no clube Mar-a-Lago: “Muitos de vocês ainda não sabem qual é a minha decisão, mas vamos resolver isso, e vocês ficarão sabendo”.
A suspensão foi criticada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que alertou que a decisão poderia fortalecer o líder russo, Vladimir Putin, e prolongar o conflito.
Em paralelo à discussão sobre sanções, Rubio defendeu neste sábado um acordo separado entre Washington e Moscou para ampliar a oferta de diesel aos americanos, com o objetivo de reduzir preços de combustíveis após interrupções ligadas a conflitos globais. Pelo acordo, a Rússia enviaria inicialmente mais de 300 mil toneladas métricas de diesel aos Estados Unidos, com novas remessas previstas para novembro e meses seguintes.
Neste domingo (18), o secretário Chris Wright afirmou que o fornecimento do combustível exige que a Rússia reduza o conflito na Ucrânia, em benefício dos consumidores americanos, segundo a reportagem.
Impacto na prática
Para consumidores nos Estados Unidos, a combinação de suspensão temporária de tarifas e sanções previstas na Lei Graham e o acordo de diesel pode, em tese, influenciar o custo dos combustíveis e a percepção de oferta no mercado interno, caso as remessas russas se concretizem nos volumes e no calendário descritos pelas autoridades.
Para países que importam petróleo e gás russos, o adiamento das penalidades previstas na legislação pode, em hipótese, alterar o cálculo comercial de quem depende dessas fontes, enquanto permanece incerto se Trump reinstaurará as medidas após os 60 dias de avaliação anunciados por Rubio.
Na Ucrânia e entre aliados europeus que apoiam Kiev, o recuo imediato na aplicação das sanções pode, segundo o alerta de Zelensky, sinalizar espaço político para Moscou em um momento sensível da guerra — sem que a fonte indique efeitos automáticos sobre preços ou comércio fora do contexto americano e do acordo de diesel.
O mercado global de energia e o comércio de bens russos podem reagir à indefinição: tarifas e sanções adiadas, prazo de reavaliação fixado em até 60 dias e negociação paralela de diesel criam um cenário em que investidores e importadores podem aguardar sinais mais claros de Washington antes de reposicionar contratos.
Nos próximos dois meses, declarações de Trump, Rubio e Wright — e a resposta de Kiev e de parceiros ocidentais — podem definir se a suspensão se transforma em política duradoura ou se as medidas da Lei Graham voltam a entrar em vigor, com repercussões que ainda dependem da decisão final do presidente americano.
Fontes: G1 (Reuters)
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