Solana ativa Alpenglow da Anza e reduz finalidade a 150 milissegundos

Validadores da Solana colocaram no ar o protocolo de consenso Alpenglow, da Anza, e cortaram a finalidade das transações de 12,8 segundos para cerca de 150 milissegundos.
A rede Solana ativou nesta quarta-feira (21) o Alpenglow, protocolo de consenso desenvolvido pela Anza, empresa de engenharia central do ecossistema. A atualização na rede principal em fase beta (mainnet-beta) retirou o TowerBFT, mecanismo usado desde o lançamento da Solana em março de 2020, e reduziu a finalidade das transações — o momento em que uma operação é considerada irreversível — de cerca de 12,8 segundos para aproximadamente 150 milissegundos.
Segundo comunicado da Anza ao The Block, a ativação ocorreu no slot 459.653.000, por volta das 14h00 UTC. A mudança junta o antigo processo de confirmação em duas etapas em um único passo, com impacto direto para corretoras que creditam depósitos e para comerciantes que processam pagamentos.
O que aconteceu
Validadores da Solana substituíram o protocolo de consenso original em uma atualização ao vivo. A Anza afirmou que o Alpenglow chegou à mainnet-beta após testes públicos que incluíram exercícios de red team, testes de penetração, ensaios repetidos de migração e uma competição de segurança. O desenho do protocolo havia sido publicado em maio de 2025.
O diretor-executivo da Anza, Brennan Watt, classificou a operação como a maior e mais ambiciosa atualização de blockchain — a tecnologia de registro distribuído em cadeias de blocos — desde “The Merge”, a transição da Ethereum para prova de participação. Segundo ele, a empresa levou o Alpenglow do white paper à mainnet em menos de 18 meses.
A Anza também adiantou frentes futuras, ainda sem data confirmada de lançamento. O Rotor alteraria a forma como os dados dos blocos circulam na rede; rotações de líderes com consciência geográfica mirariam reduzir atrasos entre produtores de blocos. Em outra linha de pesquisa, o Quantumglow substituiria a criptografia de curva elíptica do Alpenglow por assinaturas baseadas em hash, visando segurança pós-quântica sem abrir mão da velocidade de finalidade.
Em paralelo ao eixo do Alpenglow, a equipe Firedancer da Jump Crypto propôs, em setembro de 2025, remover o limite de 60 milhões de unidades de computação por bloco da Solana. A proposta SIMD-0370 permitiria que a capacidade do bloco escalasse com o hardware dos validadores, em vez de permanecer fixa.
O que isso pode mudar
Se a finalidade em cerca de 150 milissegundos se mantiver estável na operação diária, corretoras e comerciantes podem passar a tratar depósitos e pagamentos on-chain com latência mais próxima da de sistemas de pagamento eletrônicos tradicionais. Isso poderia estreitar a distância entre aplicações de finanças descentralizadas e experiências de uso em tempo quase real, sobretudo em liquidação e comércio.
A aposentadoria do TowerBFT também pode marcar um novo ciclo de evolução do protocolo. Melhorias como o Rotor e as rotações geográficas de líderes, se chegarem à rede, tenderiam a reduzir atrasos na propagação de blocos e a suavizar gargalos entre regiões. Já o Quantumglow, ainda em estágio de pesquisa, sinaliza que a Anza pode tentar preservar a velocidade conquistada enquanto prepara a criptografia para um cenário de computação quântica.
A proposta da Firedancer de destravar o limite de unidades de computação por bloco, por sua vez, sugere que o ganho de finalidade pode ser acompanhado, em algum momento, por aumento de capacidade conforme o hardware dos validadores. Nada disso, porém, tem cronograma fechado — e o desempenho real da rede após a migração ainda dependerá da operação contínua sob carga de produção.
Fontes: The Block – Anza’s Alpenglow goes live on Solana, cutting finality to 150 milliseconds
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