Trump ordena processo no Alasca por confusão com candidato homônimo ao Senado

Administração Trump processa o Alasca para atrasar a certificação se o senador Dan Sullivan perder, citando risco de confusão com Daniel J. Sullivan Jr. e o voto ranqueado.
Foto: NGUYỄN THÀNH NHƠN (Pexels)
A administração do presidente Donald Trump ajuizou na quinta-feira uma ação contra o Alasca para atrasar a certificação do resultado eleitoral caso o senador republicano Dan Sullivan, o titular, perca a disputa. O processo, no tribunal distrital do estado, aponta risco de confusão com outro candidato de mesmo nome e pede que a apuração formal espere investigação sobre o destino desses votos.
A corrida ao Senado reúne o atual senador, a democrata Mary Peltola e o professor aposentado Daniel J. Sullivan Jr. Republicanos acusam democratas de tentar confundir o eleitor com o homônimo; Peltola nega envolvimento, e o professor afirma que a candidatura não é artificiosa. A disputa está empatada nas avaliações e o Alasca usa voto ranqueado.
O que aconteceu
Segundo o Axios, a petição federal condiciona o risco eleitoral a dois cenários simultâneos. O primeiro é a derrota do senador Sullivan. O segundo é a hipótese de que, se todos os votos dados a Daniel J. Sullivan tivessem ido ao titular e o processo de eliminação por rodadas tivesse seguido o mesmo curso, o republicano teria vencido. Nesse quadro, a Casa Branca quer impedir que a certificação feche o resultado antes de apurar a intenção desses votos.
O Alasca elimina candidatos em rodadas quando ninguém alcança 50% na primeira contagem, o chamado voto ranqueado, ou ranked-choice voting. A administração argumenta que, diante de decisão prévia da Suprema Corte estadual e do fato de o nome do professor já constar na cédula, a única forma de preservar a escolha do eleitor é garantir que a certificação não seja afetada por essa candidatura.
Em junho, a Suprema Corte do Alasca ordenou à Divisão de Eleições incluir o professor na disputa. Na cédula, ele figura como Daniel J. Sullivan Jr.; o titular aparece como Sullivan, Dan S., republicano registrado e incumbente. Na primária, o senador obteve cerca de 41% dos votos, o homônimo cerca de 2,5% e Peltola cerca de 49,5%. O Cook Political Report classifica a disputa como empatada.
Um porta-voz do Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmou que a divisão eleitoral do estado concluiu que a candidatura de Daniel J. Sullivan tinha o intuito de induzir o eleitor ao erro e comprometer a equidade da cédula. O órgão disse agir com base na Lei Nacional de Registro de Eleitores, aprovada pelo Congresso, para impedir que essa candidatura fragilize a integridade do pleito. A Casa Branca remeteu o Axios ao próprio departamento.
Na sexta-feira, Trump disse a jornalistas que ordenou o ajuizamento da ação. Ao lado do governador da Flórida, Ron DeSantis, descreveu o episódio e chamou Daniel J. Sullivan de candidato falso. A petição reconhece chance realista de a presença do não titular na cédula favorecer Peltola em corrida apertada, cenário acompanhado porque democratas tentam avançar em território tradicionalmente republicano.
O que isso pode mudar
Se a Justiça federal acolher o pedido, a certificação no Alasca poderia ficar suspensa até apurar se votos do professor destinavam-se ao senador. Isso alongaria a definição de uma cadeira sensível no Senado e abriria precedente político sobre intervenção federal quando há homônimo e voto ranqueado.
Há, porém, dúvida jurídica forte. O professor de direito da Universidade de Notre Dame Derek Muller disse à Associated Press, conforme o Axios, que a ação dificilmente prosperará por muito tempo, porque a lei citada não autorizaria o Departamento de Justiça a bloquear a certificação. Segundo ele, o caso pode perder objeto com vitória democrata ampla ou republicana estreita e, do contrário, o tribunal provavelmente o arquivaria no mês seguinte.
Para observadores políticos, o efeito imediato é maior incerteza em torno das midterms e da composição do Senado, sem alterar ainda o placar nas urnas. O desfecho depende do juiz, do resultado bruto da noite eleitoral e de quanto o voto ranqueado redistribuirá preferências entre os três nomes na cédula.
Fontes: Axios
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