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Trump troca produtos nas tarifas de 50% sobre o Canadá a partir de 30 de outubro

Trump troca produtos nas tarifas de 50% sobre o Canadá a partir de 30 de outubro

Proclamação tira compensados e embalagens da lista de 50% e inclui válvulas e tapetes. Mudanças valem em 30 de outubro, às vésperas da eleição no Maine.

Ilustração: David Kwewum (Pexels)

O presidente Donald Trump assinou na sexta-feira uma proclamação que retira parte dos bens canadenses da lista de tarifas previstas na Seção 338 do Tariff Act de 1930 e inclui outros produtos no mesmo regime, informou a Casa Branca, segundo a Quartz. As mudanças entram em vigor em 30 de outubro.

A taxa, de 50% conforme a CNBC citada pela Quartz, vale independentemente de o bem se enquadrar no Acordo Estados Unidos-México-Canadá e se soma a tarifas da Seção 232 da Trade Expansion Act de 1962. Saem da lista folhas de compensado, certos papéis, parte de máquinas e equipamentos de refrigeração, além de algumas caixas e engradados de embalagem. Entram válvulas, tapetes, resíduos e outros itens.

O que aconteceu

A proclamação altera o escopo das tarifas de 50% sobre mercadorias canadenses sem encerrar o instrumento. A Quartz destaca que a senadora republicana Susan Collins, do Maine, anunciou na sexta isenções para nove categorias usadas por produtores de mirtilo, batata, maçã e algas do estado. Em cerca de uma hora, a Casa Branca divulgou também as novas sobretaxas, segundo a CNBC citada na reportagem. O comunicado de Collins não citou as inclusões, e a ficha técnica da Casa Branca não menciona o Maine, ainda conforme a CNBC via Quartz.

Collins afirmou ter tratado do tema com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e com o secretário de Comércio, Howard Lutnick. Em nota, disse que muitos agricultores dependem de equipamentos, embalagens e produtos canadenses sem substituto interno acessível. Os itens isentos incluem papelão ondulado, caixas e sacos plásticos de embalagem, equipamento de refrigeração, diversos tipos de máquinas e bens ligados a algas marinhas, segundo a CNBC citada pela Quartz.

No Maine, a republicana enfrenta o democrata Troy Jackson numa disputa apertada, com votação antecipada em curso e eleição em 3 de novembro, aponta a mesma cobertura. Jackson atribuiu a Collins responsabilidade por viabilizar a política tarifária de Trump. A porta-voz Phoebe Keller afirmou à CNBC que a senadora pediu isenções relevantes para o estado e seguirá pedindo. O porta-voz da Casa Branca Matthew Middleton disse à CNBC que a medida responde à discriminação e à retaliação do Canadá contra o comércio dos EUA.

As tarifas também enfrentam contestação judicial. O importador Gellert Global Group ajuizou na terça-feira, na Corte de Comércio Internacional dos EUA, ação alegando que o governo ultrapassou a autoridade da Seção 338. O processo pede suspensão da cobrança e reembolso a importadores que já pagaram as tarifas, segundo a Quartz.

O que isso pode mudar

Se a troca de produtos se consolidar a partir de 30 de outubro, cadeias que usam compensado, embalagens e refrigeração canadenses podem ver alívio pontual de custo, enquanto setores ligados a válvulas, tapetes e resíduos passam a absorver a sobretaxa de 50%. O efeito líquido sobre preços e margens deve variar por empresa e por contrato, e não por um recuo geral da política.

No plano político, o anúncio de isenções no Maine, às vésperas da eleição de 3 de novembro, pode ser lido como tentativa de reduzir pressão sobre produtores locais, ainda que as novas inclusões tenham saído quase em paralelo. A disputa Collins–Jackson e as declarações cruzadas sugerem que o tema tarifário permanece eleitoralmente sensível no estado.

No front jurídico, o processo do Gellert Global Group pode, se avançar, limitar a cobrança ou abrir caminho a restituições — cenário ainda hipotético. Enquanto isso, a sobreposição com tarifas da Seção 232 tende a manter o custo de importação elevado para quem permanece na lista, independentemente do Acordo Estados Unidos-México-Canadá.

Fontes: Quartz

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