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Vietnã testa isenção de visto a chineses para reanimar praias de Nha Trang

Vietnã testa isenção de visto a chineses para reanimar praias de Nha Trang

Khanh Hoa inicia piloto sem visto em Nha Trang após fluxo chinês cair de 2,5 milhões em 2019 para 680 mil em 2025, segundo a Nikkei Asia.

Ilustração: Tiểu Bảo Trương (Pexels)

Uma província do Vietnã iniciou neste mês um piloto de isenção de visto para turistas chineses em torno de Nha Trang, destino costeiro conhecido por passeios de mergulho entre ilhas e pelos templos antigos do reino Champa. A aposta, segundo a Nikkei Asia, mira recuperar o fluxo que já foi um dos pilares do turismo local.

Em 2019, as torres champás e as praias de Nha Trang ajudaram a atrair 2,5 milhões de chineses à província de Khanh Hoa. Em 2025, o número caiu para 680 mil — um tombo que explica a urgência de afrouxar o trâmite de entrada.

O que aconteceu

De acordo com a Nikkei Asia, em reportagem de 26 de outubro de 2026 a partir da Cidade de Ho Chi Minh, a medida começou a ser testada neste mês na área cênica de Nha Trang. O município combina turismo de praia, ilhas e mergulho com o patrimônio do antigo reino Champa, cartão-postal da costa vietnamita.

A cobertura enquadra o piloto no aquecimento da concorrência entre resorts da região para atrair visitantes estrangeiros pela simplificação de procedimentos. O atrativo deixa de ser só a paisagem: o tempo e a burocracia na chegada passam a pesar na escolha do destino.

Os números da Nikkei Asia deixam o contraste nítido. O pico de 2,5 milhões de turistas chineses em Khanh Hoa em 2019 e a retração para 680 mil em 2025 mostram uma perda superior a 70% daquele mercado em seis anos. Sem inventar causas externas ao texto, o que a matéria deixa explícito é a tentativa provincial de reabrir a porta com isenção de visto em caráter experimental.

O formato piloto importa. Em vez de uma mudança nacional definitiva, a reportagem descreve um ensaio localizado em torno de Nha Trang — o que permite medir a resposta do viajante chinês antes de qualquer escala mais ampla. Para o leitor de negócios, o sinal é operacional: o governo provincial usa política migratória como instrumento de marketing turístico.

Nha Trang já vendia sol, mar e patrimônio. No relato da Nikkei Asia, o que muda é o preço implícito da fricção burocrática. Quando o destino perde três em cada quatro visitantes chineses em relação ao auge e a concorrência regional facilita a entrada, a isenção de visto deixa de ser detalhe consular e vira peça de competitividade.

O que isso pode mudar

Se o piloto funcionar, Khanh Hoa pode recuperar parte da demanda chinesa que sustentava hotéis, operadores de ilha e serviços de mergulho. O cenário mais otimista, sempre hipotético, seria uma retomada gradual do volume visto em 2019 — não no curto prazo, mas o bastante para aliviar a ociosidade sugerida pelos 680 mil de 2025.

A competição entre resorts por procedimentos mais leves tende a se intensificar. Outras localidades vietnamitas, e eventualmente destinos rivais no Sudeste Asiático, podem sentir pressão para oferecer condições equivalentes, sob pena de perder o viajante para quem a facilidade de entrada pesa tanto quanto o preço da diária. Nada disso está garantido no texto da Nikkei Asia; é leitura de risco a partir do enquadramento de concorrência que esquenta.

Há também o risco inverso. Um piloto mal calibrado pode gerar sobrecarga sazonal ou percepção de benefício desigual — efeitos que a reportagem não detalha, mas que gestores de destino precisam monitorar ao trocar burocracia por volume. O sucesso, se vier, provavelmente se medirá em ocupação, passagem aérea e gasto médio no litoral de Nha Trang.

Para o mapa do turismo asiático, o episódio ilustra um movimento agora explícito no Vietnã costeiro: a disputa por visitantes estrangeiros migra da propaganda de praia para a engenharia de acesso. Isentar visto, mesmo em caráter experimental, é uma forma rápida de sinalizar abertura. Se chineses voltarem a Khanh Hoa, o piloto terá servido de prova de conceito. Se não, a queda de 2,5 milhões para 680 mil continuará a exigir outras alavancas além do carimbo na chegada.

Fontes: Nikkei Asia

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