Zuckerberg fica na Califórnia por acordo com Meta ante imposto a bilionários

Meta amarra Zuckerberg à Califórnia por oito anos e cria ações Classe C; ele pode vender 20% para cobrir eventual imposto da Proposição 40.
Foto: Mindaugas Skrupskelis (Pexels)
A Meta Platforms selou, em 19 de outubro, um acordo com o presidente-executivo Mark Zuckerberg que o obriga a permanecer residente da Califórnia por oito anos. A medida veio depois que ele avisou o conselho que avaliava deixar o estado ante uma proposta de imposto sobre o patrimônio de bilionários.
Em troca, o conselho declarou um dividendo único de uma ação sem direito a voto da Classe C para cada papel das Classes A e B. Zuckerberg poderá vender 20% dessa fatia para cobrir eventual conta tributária, sem perder o controle majoritário de votos, segundo a Quartz.
O que aconteceu
O pacto, descrito em documento à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), exige que Zuckerberg viva na Califórnia ou na jurisdição da sede da Meta enquanto for executivo em tempo integral ou presidente executivo do conselho. Há exceção apenas para “circunstâncias materiais imprevistas”.
A alteração estatutária que cria a Classe C entra em vigor em 19 de janeiro de 2027. Dos papéis recebidos, 20% podem ser vendidos — equivalente a 10% da propriedade econômica do fundador — para fazer frente a cobrança da Proposição 40. Os outros 80% ficam “grampeados”: para cada um desses títulos que vender, ele precisa vender uma ação Classe A ou B, ou converter uma Classe B em Classe A. A Meta liberará 2,5% das ações do dividendo dessa condição a cada trimestre em que cumprir o requisito de tempo integral, até a liberação total após 32 trimestres.
Em julho, Zuckerberg alertou um conselheiro de que vender ações para pagar o imposto poderia reduzir sua fatia de votos para cerca de 53%. Em 1º de outubro, detinha 60,6% do poder de voto. Em 4 de agosto, pediu 20 ações Classe C por ação; em 5 de setembro, propôs quatro; o acordo final fixou uma. Em 9 de setembro, disse que planejava anunciar a venda da casa em Palo Alto em 13 de setembro — o anúncio não ocorreu, conforme a Quartz, citando o The Wall Street Journal.
A Proposição 40 está na cédula de 3 de novembro e, pelo desenho descrito na cobertura, aplicaria uma taxa única de 5% sobre o patrimônio de residentes da Califórnia com pelo menos US$ 1 bilhão em ativos. Se passar, a Meta disse que Zuckerberg poderia dever um pagamento “significativo, de vários bilhões de dólares”. Analistas políticos, segundo a Quartz citando a Reuters, veem a aprovação longe de certa. O comitê especial do conselho sustentou que a presença do fundador na sede é “crítica neste ponto de inflexão”. A Meta também afirmou que a Classe C oferece caminho para captar capital sem diluir o poder de voto, com necessidades projetadas na casa das centenas de bilhões de dólares ao longo de vários anos, a partir do outono de 2026 no hemisfério norte.
O que isso pode mudar
O acordo sugere que a Meta trata a residência do fundador como ativo estratégico. Se a Proposição 40 avançar, a janela de venda de 20% das Classe C pode servir de válvula de liquidez sem, na leitura da companhia, abalar o controle votante. Se a proposta fracassar, o compromisso de oito anos e a estrutura “grampeada” ainda amarram Zuckerberg à sede.
No mercado, a Classe C também pode ser lida como preparação para um ciclo longo de financiamento. Com necessidades estimadas em centenas de bilhões, a Meta ganha, em tese, um instrumento para levantar recursos sem diluir o bloco de controle — desenho que, se confirmado, tende a ser observado por outras big techs sob pressão de investimento em infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Para a política tributária californiana, o caso ilustra o risco de fuga de contribuintes ultra-ricos e a capacidade de companhias listadas de negociar retenção executiva com engenharia acionária. O voto de 3 de novembro deve definir se o pacto foi escudo preventivo ou o início de um novo padrão de barganha entre bilionários e sedes no estado.
Fontes: Quartz
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