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Agentes de IA podem resolver metade dos atendimentos até 2027, diz estudo

Agentes de IA podem resolver metade dos atendimentos até 2027, diz estudo

Levantamento da Salesforce projeta que agentes de inteligência artificial resolvam 50% dos casos de atendimento ao cliente até 2027, ante 30% em 2025.

Foto: Yaroslav Shuraev (Pexels)

Até 2027, metade dos casos de atendimento ao cliente poderá ser resolvida por inteligência artificial (IA), segundo a 7ª edição do estudo State of Service, da Salesforce. O levantamento ouviu 6,5 mil profissionais de atendimento em 40 países e foi divulgado nesta segunda-feira, 20 de outubro de 2026, durante o Heart Of Service Summit, em São Paulo.

O percentual projetado representa um salto em relação a 2025, quando a tecnologia respondia por 30% das resoluções. Se a projeção se confirmar, a mudança poderá atingir uma experiência conhecida de quem já recorreu ao serviço de atendimento ao consumidor (SAC): esperar por uma resposta, repetir informações a diferentes atendentes e, muitas vezes, encerrar o contato sem resolver o problema. Para as empresas, o estudo aponta expectativa de queda de 20% nas despesas com atendimento entre negócios que adotam agentes de IA.

O avanço está ligado a uma nova geração de sistemas chamados agentes de IA. Diferente dos chatbots tradicionais, criados para responder perguntas e encaminhar solicitações, esses assistentes conseguem executar tarefas e atuar com mais autonomia na resolução de problemas.

O que aconteceu

Segundo o levantamento, 79% dos líderes de atendimento consideram o investimento em agentes de IA essencial para atender às demandas dos negócios. No mercado, a consultoria MarketsandMarkets estima que os agentes de IA devem movimentar US$ 52,62 bilhões globalmente em 2030, com crescimento médio anual de 46,3%.

“Conforme a adoção da IA amadurece, todas as atenções se voltam para os agentes de IA”, disse Kishan Chetan, vice-presidente executivo e gerente-geral do Salesforce Service Cloud, em carta de abertura do State of Service.

Na Salesforce, a aposta altera o modelo de cobrança. A companhia passou a oferecer modalidade em que as empresas pagam pelas solicitações resolvidas, e não por cada interação com o agente. Se o sistema não solucionar o problema, não há cobrança pela resolução, explica Laís Domeneghetti, gerente de Marketing de Produto para Service & Field Service na América Latina da Salesforce. “Ele não vai cobrar nada durante a conversa. Ele só vai cobrar se ele resolver aquele problema.”

Segundo Domeneghetti, mais de 60% das empresas começam a obter resultados com inteligência artificial em menos de 60 dias. “Hoje em dia, ninguém mais pode esperar muito tempo para começar a ter resultados de implementação”, diz ela.

A Ford utiliza a tecnologia para reunir informações sobre o histórico do consumidor e do veículo em resumos consultados pelos funcionários antes do primeiro contato. Rebeca Almeida, gerente de tecnologia da informação da montadora, afirma que a ferramenta alcançou 99% de satisfação entre os concessionários. A Iguá Saneamento usa agentes de IA para ajudar equipes a consultar regras dos municípios onde atua e analisa 100% das interações fora das lojas físicas; a empresa afirma que 86% dos atendimentos já ocorrem sem interação humana. Daniel Puliti, da Iguá, diz que, após o primeiro caso de uso bem-sucedido, “60 dias é uma eternidade”.

Empresas com dados de atendimento integrados têm probabilidade 1,4 vez maior de considerar a implementação de IA muito bem-sucedida, segundo o estudo. Nem todos os projetos avançam no mesmo ritmo: algumas organizações ultrapassam os 60 dias sem demonstrar retorno financeiro, o que pode comprometer a continuidade das iniciativas. Parte da dificuldade, segundo Domeneghetti, está na escolha de projetos complexos, com equipes numerosas e meses de implementação. “Quando a gente vê um piloto que tem um bom escopo, que está atrelado a resultados de negócio e que é implementado rapidamente, a gente consegue ter resultados muito bons”, afirmou.

Impacto na prática

Se as projeções do State of Service se confirmarem, consumidores que hoje enfrentam filas digitais, transferência entre canais e respostas incompletas podem encontrar, em tese, um caminho mais curto até a solução — com a IA não apenas conversando, mas executando etapas do atendimento.

Em hipótese, países com alta demanda por SAC e longas jornadas de resolução — como sugere o enquadramento da reportagem sobre a experiência brasileira — podem sentir o efeito primeiro na redução do tempo de espera e na menor necessidade de repetir dados. Do lado das organizações, a expectativa de corte de 20% nas despesas e os casos da Ford e da Iguá sugerem que ganhos de eficiência também podem acompanhar a adoção, sem garantia de resultado uniforme.

A expectativa registrada pela Exame é que, no próximo ano, o atendimento ao consumidor se torne mais ágil com a IA assumindo papel maior na resolução de problemas. Ainda assim, o próprio material indica que o desenho do piloto, a integração de dados e indicadores como redução de custos, satisfação e resolução no primeiro contato podem condicionar se a mudança chega à rotina do cliente ou permanece restrita a experimentos internos.

Fontes: Exame – Inteligência artificial pode aliviar uma velha dor de cabeça dos brasileiros, diz estudo

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