BC do Cazaquistão cita PIB a 4,2% e freios à liquidez no orçamento 2027–2029

Yerulan Zhamaubayev, do Banco Nacional do Cazaquistão, detalha no BIS inflação a 9,3%, corte da taxa a 16,25% e medidas de liquidez no projeto orçamentário 2027–2029.
Foto: Khusen Rustamov (Pexels)
O primeiro vice-presidente do Banco Nacional do Cazaquistão, Yerulan Zhamaubayev, apresentou no Kurultai, em Astana, a leitura da autoridade monetária sobre o projeto de lei do orçamento republicano para 2027–2029. O discurso, publicado pelo Banco de Compensações Internacionais (Bank for International Settlements, BIS), combina o diagnóstico externo da economia mundial com o balanço interno de crescimento, preços e instrumentos de liquidez.
Segundo o dirigente, o produto interno bruto (PIB) avançou 4,2% nos primeiros nove meses de 2026, enquanto a inflação anual recuou para 9,3% — a décima segunda queda consecutiva. Mesmo com a taxa básica reduzida a 16,25% em 4 de setembro, ele afirmou que riscos à estabilidade de preços persistem e que o esforço conjunto com o governo deve continuar.
O que aconteceu
Zhamaubayev situou o país em um cenário global de incerteza elevada, tensões geopolíticas e mudanças na política comercial. Citou projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) de crescimento mundial de 3,1% neste ano e 3,4% no seguinte, com inflação global de 4,7% em 2026 e 4,1% em 2027.
No front doméstico, detalhou a composição da alta de preços: alimentos subiram 8,5%, bens não alimentares 11% e serviços pagos 8,9%. A desaceleração, disse, resultaria da política monetária em curso, da melhoria da taxa de câmbio do tenge, da redução do excesso de liquidez pelo banco central e de um pacote anti-inflacionário com o Executivo.
Entre as medidas, destacou a terceira fase do aumento dos requisitos mínimos de reserva, em vigor desde setembro, que teria absorvido 4,3 trilhões de tenge. Nas compras oficiais de ouro, o banco “espelha” a injeção de moeda com venda de divisas: nos nove primeiros meses, 3,2 trilhões de tenge foram retirados, com meta de mais 900 bilhões até o fim do ano.
No crédito, o colchão anticíclico de capital dos bancos superava 550 bilhões de tenge em 1º de setembro. Um regime tributário diferenciado passou a taxar em 25% o lucro do crédito ao varejo e em 20% o do crédito às empresas. Com isso, a carteira de empréstimos a pessoas físicas cresceu 11,6% no ano e a de negócios, 14,2%.
Na digitalização, o sistema nacional de pagamentos móveis interbancários com QR unificado, lançado em julho, processou cerca de 45 milhões de transações e mais de 875 bilhões de tenge. Mais de 350 bilhões de tenge digitais foram emitidos em projetos de finanças públicas. O Centro Nacional Antifraude identificou mais de 215 mil casos irregulares acima de 126 bilhões de tenge. O país também regulamentou ativos digitais, opera quatro prestadores cripto licenciados, lançou plataforma de ativos financeiros digitais na bolsa local e criou reserva cripto nacional de 700 milhões de dólares, com cerca de 200 milhões já investidos.
O que isso pode mudar
Se a trajetória de desinflação se mantiver e o programa conjunto de estabilização for cumprido, o banco central argumenta que se abrem condições para crescimento sustentável, recuperação do investimento e melhora do bem-estar. A hipótese implícita é que freios à liquidez, redirecionamento do crédito ao setor produtivo e expansão controlada dos meios digitais reduzam a pressão sobre preços sem sufocar a atividade — um equilíbrio que, no próprio discurso, ainda depende da execução efetiva das medidas e da evolução dos riscos externos.
Para investidores e observadores da Ásia Central, o relato sugere prioridade clara à estabilidade de preços e à canalização do financiamento para empresas, em paralelo a uma agenda de pagamentos e ativos digitais sob supervisão estatal. O alcance desses efeitos, contudo, permanece condicionado ao ritmo da inflação, à liquidez residual e à coordenação entre governo, banco central e o órgão regulador do mercado financeiro.
Fontes: BIS Speeches
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