Binance promete cobrir perdas após ataque de cerca de US$ 6,3 bi

Maior corretora por volume suspende depósitos e saques e diz que cobrirá perdas após retirada de cerca de US$ 6,3 bilhões; mercado reage com queda do bitcoin.
Ilustração: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo por volume de negociação, comprometeu-se a cobrir todas as perdas de um ataque que, segundo a própria empresa, retirou cerca de US$ 6,3 bilhões de sua carteira. Dados da blockchain (cadeia de blocos) apontam que as saídas começaram por volta das 4h24 de sexta-feira, horário de Hong Kong.
Se o montante for confirmado nessa escala, o episódio se tornaria o maior roubo de criptoativos já registrado, superando os US$ 1,5 bilhão retirados da corretora Bybit, sediada em Dubai, em fevereiro de 2025 — caso que o Federal Bureau of Investigation (FBI) atribuiu à Coreia do Norte.
O que aconteceu
Em publicação na rede X nesta sexta-feira, a Binance informou ter suspendido todos os depósitos e saques enquanto a equipe realiza verificações de segurança, congela fundos e trabalha com as autoridades. A promessa de ressarcimento integral acompanha o anúncio do incidente que a South China Morning Post descreve como um ataque na casa dos US$ 6 bilhões, com a empresa citando cerca de US$ 6,3 bilhões drenados da carteira.
Em linha com o relato da BBC Business, a corretora classificou o episódio como um “incidente de segurança” que afetou cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos e disse que cerca de metade desse valor já foi congelada com apoio de outras plataformas — formulação que trata o montante como impacto, enquanto a primary descreve drenagem da carteira. Checagens iniciais, segundo a BBC, apontam que o ataque suspeito pode ter envolvido o notebook comprometido de um engenheiro, o que teria permitido saques não autorizados. A Binance afirma que cobrirá “todas as perdas”.
A BBC nota ainda que o incidente diz respeito ao Binance.com, enquanto a plataforma menor Binance.US, voltada a residentes nos Estados Unidos, declarou não ter sido afetada. O ex-presidente da corretora Changpeng Zhao, conhecido como CZ e ainda acionista relevante, escreveu na X que o caso “parece um hack”. A co-CEO Yi He reforçou a prioridade à segurança e manteve saques desativados até o ambiente ser considerado seguro, agradecendo emissores que ajudaram a congelar ativos.
Em resposta ao possível ataque, Tether e Circle — emissoras das criptomoedas estáveis (stablecoins) atreladas ao dólar USDT e USDC — disseram ter congelado, juntas, cerca de US$ 2,4 bilhões vinculados ao episódio, segundo a BBC: cerca de US$ 1,6 bilhão pela Tether e mais de US$ 800 milhões pela Circle. A Binance afirmou trabalhar com parceiros de aplicação da lei para identificar os responsáveis e prometeu relatório completo ao fim da investigação.
No mercado, a reação foi imediata. Em linha com a manchete do The Block, o bitcoin caiu abaixo de US$ 77 mil e o token BNB recuou em meio ao ataque à Binance. A BBC registrou queda de mais de 4% no bitcoin após os alertas, com pressão também sobre ethereum e solana.
O que isso pode mudar
A suspensão temporária de depósitos e saques na maior corretora por volume pode, nas próximas horas, reforçar a cautela de investidores institucionais e do varejo quanto à custódia em exchanges centralizadas, sobretudo se o congelamento parcial dos fundos não avançar no ritmo prometido. A comparação com o caso Bybit em 2025 tende a reacender o debate sobre controles internos, dispositivos de engenharia e cooperação entre emissores de stablecoins e autoridades.
Caso a Binance cumpra a cobertura integral das perdas, o gesto pode conter uma crise de confiança de curto prazo, mas também elevar a pressão por auditorias independentes e por padrões mais rígidos de segurança operacional no setor. Se, ao contrário, o montante efetivamente perdido ou a origem do comprometimento se mostrarem diferentes do quadro inicial, o mercado pode reavaliar o prêmio de risco das grandes plataformas — com reflexos sobre preços e sobre a liquidez de tokens ligados ao ecossistema Binance.
Fontes: SCMP Business · BBC Business · The Block
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